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sexta-feira, 21 de maio de 2010

O que é 'punk' para você?


A vinda do Green Day ao Brasil tem criado algumas discussões sobre o estado do punk. Nessa semana foi a vez de Luciana Tofollo, colunista do mega-site de cultura pop Omelete expressar suas opiniões sobre o stutus (pop) punk da banda californiana. Como bom apreciador de discussões musicais que não chegam a lugar algum, esse blogueiro fez questão de discordar da autora através dos comentários do site. Como achei a coisa toda interessante, reproduzo abaixo alguns dos melhores argumentos da conversa. Em azul, as considerações da Luciana e em preto, as minhas:

O Green Day vem pra cá. E tem pessoas nutrindo uma baita expectativa por isso. Eu nunca entendi fãs de Green Day. Pra mim sempre foi tão claro que a banda é de uma pobreza gritante e que, se fez sucesso, foi só por uma questão de oportunismo, que é complicado tentar compreender.

Dookie, do qual saíram “Basket Case”, “Welcome to Paradise”, “She” e “When I Come Around”, foi lançado em 1994, mesmo ano em que Kurt Cobain cometeu suicídio, o grunge, naturalmente, dava seus suspiros finais, e toda a leva anterior de excelentes bandas como Faith No More, Red Hot Chili Peppers e Jane´s Addiction lançavam seus álbuns mais fracos.

Então eu entendo que, em um vácuo desses, tenha sobrado uma brecha para o Green Day. Fazendo um paralelo com a música atual: quando tudo está mais do que diluído e que Justin Bieber, a família Restart e os artistas oriundos de reality shows tomam conta das paradas, não tem escapatória... corre pro Green Day. Entendo. O que não dá para entender de forma alguma é chamar o som redondinho dos caras de punk. “Ah, mas eles têm atitude punk”. Cadê? No musical da Broadway? Gostem de Green Day, ok, mas pelo amor de Joey Ramone, deixem a palavra "punk" longe de uma frase que tenha o nome do trio.

Ficar discutindo se os caras do green day são punks e se o som deles é punk rock é pura perda de tempo. Já era uma discussão besta em 1994. O fato é que acho a banda muito boa. Billie joe é um puta compositor de canções pop, que continuam excelentes mesmo quando tocadas ao piano (como fez o Weezer) ou com arranjos bluegrass.

Os dois primeiros álbuns da banda foram lançados originalmente pela Lookout Records, gravadora independente da bay area de San Francisco, que também revelou outros bons artistas de pop punk, como the Queers, Groovie Gouhlies e The Muffs. Assim como o Rancid e o Operation Ivy, o Green Day começou a carreira tocando no clube 924 Gilman, o CBGB's da bay area, que é gerido coletivamente sem fins lucrativos e onde só tocam artistas independentes, muitos ligados ao punk rock.

Por último, a banda realmente se insere na cena californiana de retomada do punk/hardcore [como havia sido citado em outros comentários da webpage], mas foi a única que conseguiu ir muito além disso e se reinventar musicalmente a cada disco, se mantendo relevante por mais de 15 anos, ao contrário de grandes nomes punk como Dead Kennedys e Sex Pistols, que duraram pouco e só têm um disco relevante...

Dependendo do ponto de vista, qualquer discussão é perda de tempo. Mas se a gente não questionar a dita “verdade”, não saímos do lugar. Eu ainda acho que qualquer discussão, mesmo que não chegue a um consenso, serve pra iluminar a cabeça da gente, ver sob outras perspectivas que não a nossa usual. Quanto ao Green Day, já falei o que penso. Quanto ao DK e aos Sex Pistols terem só um disco relevante, primeiro: não é verdade. Segundo: pra você ver o que um punk real pode causar.

Só para esclarecer meu ponto: Sou totalmente favorável a discussões (bem argumentadas) mesmo que elas não levem a nenhuma conclusão. Só acho que discutir quem é ou não punk é um beco sem saída, já que cada um tem uma noção diferente do que é punk. Primeiro seria necessário separar punk enquanto movimento, da música a ele associada, o punk rock. os Ramones são os inventores do som punk rock, mas nunca se alinharam ao movimento punk (inglês?) no que diz respeito ao discurso (tinham muitas letras de amor, humorísticas e non-sense) ou à vestimenta, por exemplo.

Dentre as bandas punks inglesas (a turma de 77), alguns tinham atitude e visão niilista (Sex Pistols), outros se aproximaram do socialismo (The Clash e Stiff Little Fingers) e outros simplesmente cantavam sobre amor e sexo (Buzzcocks), sem falar dos anarquistas. Quem aí é punk? Não me atrevo a dizer. Só sei que eram todos 'punk rockers', que atingindo ou não reconhecimento da mídia e do público, faziam um tipo de música urgente, que expressava as idéias e sentimentos dos jovens da época. Todos também começaram 'fazendo eles mesmos', em um circuito musical underground.

Parece bastante com a história do Green Day, não é? Cuja música em uma primeira fase lembrava bastante Ramones, Buzzcocks, Stiff Little Fingers e Husker Dü. Após 20 anos, os horizontes musicais da banda se alargaram e foram muito além, assim como fez o The Clash a partir do clássico 'London Calling'. Punks? Punk rockers? Jello Biafra é mais punk do que Joe Strummer (líder do The Clash, filho de diplomata, que adorava reggae, rockabilly e compositor do hit pop 'Should I Stay Or Should I Go')? Menos radicalismo, por favor. Não vamos ser a policia do punk, que define quem deve ou não ser considerado punk 'de verdade'.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Dead To Me – Cuban Ballerina (2006)

Logo após a dissolução do One Man Army, em 2003, os guitarristas Jack Dalrymple e Brandon Pollack formaram o Dead To me, que lançou seu debut em 2006 pela gravadora Fat Wreck Chords. Logo de cara, percebe-se que se trata de disco de punk rock, sem modernices ou frescuras. Apesar disso, Cuban Ballerina é muito bem gravado e produzido pelo conhecido Alex Newport, provando que o underground americano, já há algum tempo, atingiu o mesmo nível técnico do mainstream. A música mais conhecida do Dead To Me, “Don’t Lie”, abre o álbum, mostrando energia de sobra e talento para compor melodias que, mesmo não soando muito pops, ficam na cabeça.

Alternando entre criticas políticas e temáticas mais pessoais, como problemas com drogas, os californianos mostram bastante consistência através das (poucas) 11 faixas do álbum, que somam menos de 30 minutos. Dalrymple divide os vocais com o baixista Chicken (ex-Western Addiction) e os dois se complementam com perfeição, alternando entre o vocal mais rasgado do primeiro e o mais grave do baixista, que por vezes lembra Roger Miret, do Agnostic Front. É verdade que as músicas se parecem bastante entre si, mas são todas muito boas. O destaques, além de “Don’t Lie” são “By The Throat”, “Something New” e “Goodbye Regret”. Cuban Ballerina é altamente recomendavel para fãs de bandas como Rancid, Swingin' Utters e Dillinger Four.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

The Soviettes

A banda The Soviettes foi formada no ano 2000 em Minneapolis, capital do estado americano de Minnesota. Composta por Annie (guitarra), Sturgeon (guitarra), Suzy (baixo) e Danny (bateria), único cromossomo Y do grupo, a banda ficou conhecida pelo fato de todos seus membros cantarem. O som da é banda mistura de rock alternativo, new wave e, principalmente, punk rock, lembrando o trabalho de bandas como The Muffs, The Epoxies, Sleater-Kinney e Pretty Girls Make Graves.

Com todas as garotas compondo, a banda se mostrou muito prolífica, lançando 3 álbuns em 3 anos. Contratados pela Adeline Records, selo de Billie Joe Armstrong (Green Day), lançaram em 2003 seu primeiro disco, LP I, que apesar de um pouco irregular, contava com boas músicas como “Blue Stars” e “The Land of Clear Blue Radio”. O segundo álbum foi lançado no ano seguinte e mostrou uma grande evolução da banda. Bem mais consistente que a estréia, LP II colocou a banda no mapa da cena alternativa americana. Deste disco podem ser destacadas “#1 Is Number Two” e “Pass The Flashlight”, cheia dos peculiares vocais do baterista Danny. Em 2005, o Soviettes assinou com a Fat Wreck Chords, gravadora de Fat Mike (NOFX), e lançou seu LP III. Assim como no lançamento anterior, as primeiras músicas mostram logo a que vieram os Soviettes. “Multiply and Divide” e “Middle Of The Night” conquistam o ouvinte logo de cara, assim como “!Paranóia Cha Cha Cha!”, que ficou bem conhecida ao ser lançada na compilação Rock Against Bush, também da Fat Wreck Chords. O restante do disco mantém o pique, fazendo deste o melhor álbum do quarteto.

No final de 2006 a banda entrou em “hiato”, o termo dos anos 2000 para dizer que uma banda acabou. A baixista Suzy se mudou para a Califórnia e Sturgeon, que é professoara de matemática, fundou a banda Gateway District e está grávida de seu primeiro filho. Já Annie e Danny continuam tocando juntos na banda Awesome Snakes.

domingo, 1 de julho de 2007

Alkaline Trio – Remains (2007)

Remains é a segunda coletânea do Alkaline Trio em seus 10 anos de existência, mas não existe espaço para oportunismo ou preguiça neste lançamento. A banda é conhecida por gravar muitas músicas para splits, coletâneas com outras bandas e b-sides de seus próprios singles, e decidiu juntar todas essas canções que os fãs já tem em mp3 e lança-las em um álbum, com um DVD bônus.

Apesar do que o bom trocadilho do título sugere, pouca coisa neste disco pode ser considerada sobra. Algumas das músicas aqui compiladas são bastante conhecidas dos fãs, como “Queen Of Pain”, “Warbrain” e “Hell Yes”, que abre o disco. Também estão presentes os bons covers de “Metro” do Berlin, “Wait for The Blackout” do Damned, e “Rooftops” do Hot Water Music, proveniente do famoso split entre as duas bandas. As outras músicas que o Trio gravou para o disco também são encontradas aqui, bem como as do split com o finado One Man Army. Para fechar, 3 músicas ao vivo, que não acrescentam muito ao pacote, já bastante completo com suas 19 faixas de estúdio.

O DVD bônus, segundo a própria banda, consiste basicamente nos membros do Trio dizendo em que cidade estão e zoando nos backstages de seus show. Na verdade, é um pouco mais do isso, já que inclui pedaços de algumas apresentações e os 5 videoclipes dos caras. Analisado sozinho, é um DVD fraco, mas como bônus da coletânea funciona bem. Ótimo aperitivo enquanto os fãs esperam ansiosamente o próximo álbum de estúdio da banda.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Quintas Quentes no Landscape Pub

ATUALIZADO


Por Boss Matsumoto

Mais um projeto das quintas quentes no Landscape Pub, pois o rock'n roll não pára. Dia frio, mas nem tão frio como Brasília há uns anos atrás. (tem gente que gosta do final dessa frase).

Lá pelas 23:54 começa a primeira banda, The Pro, invadindo o recinto, tirando o som ambiente do DJ, para começar o rock. Dois guitarristas, um baixista e um batera. O guitarrista e vocalista tinha algo que ainda não conseguiu transmitir ao público, talvez pela qualidade do equipamento do som, pois estava tudo magnificamente alto, bom pra uns, ruim pra outros. Mandaram um som bem moderno, que dava para perceber na cara as influências. Tímidos, mas bem comportados. Destaque para o baixista por tocar o instrumento com gosto, na verdade os instrumentos, chegou uma hora que ele tocou com um outro baixo.

Fim do The Pro, re-começo para o DJ. Entra e sai gente do buraco, que é o local onde o público assiste aos shows. Gente fuma, gente entra, gente sai, gente bebe, gente conversa, gente ri, gente fica puta de estar naquele local de gente estranhas, e eu gosto disso.

Enfim, hora de subirem ao palco as gatas e os gatos do Lips! O guitarrista e vocalista Kikie segura muito bem a onda no instrumento e tem um jeito de cantar excelente para o estilo da banda, que segundo eles, é uma mistura de muita coisa entre punk 77, Yeah Yeahs e até reggae (!). Destaque para "Come Out and Play" do Offspring e "Fuck It All", música própria direta-e-reta do Lips.

Fim do Lips, recomeço do DJ e galera indo e vindo. Sobe ao (alto) palco o Comodoro 77. Som pesado, pesadíssimo, eu diria. Melodias macabras com harmonias ácidas. E no meio disso tudo entra "Aquela", música do Little Quail. "Dotadão" dos Cascaveletes. Grêmio, peso pesado e rock'n roll.

E então acaba mais uma noite de quinta-quente, com pessoas felizes por terem quebrado a rotina e putas por terem que acordarem cedo.


Por Léo Werneck

Na ultima quinta-feira, dia 31 de maio, rolou mais uma Quinta Quente no Landscape, desta vez apresentando as bandas The Pro, Lips e Comodoro 77, em uma saudável mistura de estilos. O bar não ficou lotado, nem tampouco entregue às moscas, e o público parecia realmente interessado em ver as bandas, e não apenas em beber, conversar ou paquerar. Os primeiros a subir no palco foram os novatos do The Pro, que fizeram um bom show, mostrando-se bastante seguros e bem ensaiados em seu indie rock. A banda exala Strokes e The Hives por todos os poros, o que não é necessariamente ruim, já que boas influências são um importante começo para qualquer banda. A falta de uma identidade forte é um problema comum a quem está começando, e que costuma a se resolver com mais shows, ensaios e um pouco de tempo. De qualquer forma, o The Pro mostra um bom inicio e bastante potencial.

Em seguida, os meninos e meninas do Lips mostraram seu som, um cruzamento de punk e indie rock, que algumas vezes lembra Ramones, Green Day e Soviettes, e em outras, lembra mais o trabalho de bandas como Weezer e Ash. Todas essas influências ainda precisam se mesclar de forma mais natural nas músicas do Lips, mas a banda faz um show bem bom, e mostrou uma evolução desde o ano passado. O guitarrista Victor canta a maioria das músicas, e a banda, toda uniformizada, se porta bem no palco, mas quem prende mesmo a atenção da platéia são Maria e Tatiana, baixista e guitarrista do grupo. Outro bom show de outra banda que parece ter futuro. Por ultimo, o Comodoro 77 mostrou seu punk rock, inspirado principalmente pelas primeiras bandas dos movimentos inglês e brasileiro. Tocando para um público um pouco reduzido, os caras se esforçaram para animar o fim de noite, mas suas músicas são muito quadradas, arrastadas e parecidas entre si, deixando a apresentação um pouco monótona e com um feeling de deja vu. No entanto, a banda também é nova e pode surpreender, se firmando com representante de um estilo de punk rock pouco popular nos dias de hoje.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Heavens – Patent Pending (2006)

O Heavens é um projeto paralelo de Matt Skiba (vocalista do Alkaline Trio) e Joe Steinbrick (ex baixista do F-Minus) que tem pouca semelhança com o som de suas bandas originais. Como bem resumiu Skiba, com o Alkaline Trio ele pensa em Ramones e Misfits, enquanto no Heavens, deixa suas influencias de Sisters Of Mercy aparecerem, criando melodias mais depressivas e cantando em tons mais baixos. De forma geral, o trabalho lembra bandas como The Mission, Joy Division, Bauhaus, e o próprio Sisters Of Mercy, e em tempos mais recentes, Interpol e She Wants Revenge.

Steinbrick é responsável por todos os instrumentais e arranjos da banda, que muitas vezes conta com programações de bateria, sintetizadores e cordas, como em "Heather", um dos destaques do álbum. O clima algo gótico dá vazão às sempre perturbadoras letras de Matt Skiba e o disco todo tem um clima introspectivo e levemente depressivo, como se tivesse sido gravado em uma Londres chuvosa, e não em uma sempre ensolarada Los Angeles. Além de Heather, se destacam a própria "Patent Pending", "Annabelle", e "Gardens", música de abertura do disco. Patent Pending é uma ótima pedida tanto para os fãs de Alkaline Trio, quanto de indie rock e das bandas pós-punks dos anos oitenta.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O Psychobilly Pop

O Grande Livro do Psychobilly diz que bandas que misturam punk rock com rockabilly, mas não têm suas letras e proposta visual ligadas a temas como terror ou ficção científica, devem ser chamadas de punkabilly. Já aquelas que adotam tais temáticas, mas tocam punk rock, sem muitas influencias de rockabilly, devem ser chamadas apenas de psycho. Alheias às recomendações do Grande Livro, várias bandas ao redor do mundo, vêm profanamente misturando sabores e popularizando um estilo que era, até pouco tempo atrás, relativamente obscuro até mesmo para o público punk rock. Alguns estudiosos já cunharam um termo para este novo estilo: popabilly. Outros, porém, reclamaram, argumentando que tais bandas nada têm de rockabilly e, portanto, deveriam de chamar psychopop, ou algo do tipo.

O fato é que bandas como Mad Marge and The Stonecutters, The Creepshow e Zombina and The Skeletones jogaram fora vários mandamentos da cartilha e partiram para experimentações com diversas quantidades de punk rock, pop rock, rockabilly e até algumas pitadas de ska. Todas contam com mulheres nos vocais e, aparentemente, vieram no rastro do HorrorPops, que conta com Kim Nekroman, baixista do famoso Nekromantix, na guitarra e sua esposa Patrícia nos vocais e baixo, e estabeleceu as bases desse Psychobilly Pop. Mantendo-se fieis a temas clássicos do estilo e investindo em um visual mezzo zumbi, mezzo 50’s, todos esses grupos são devotos de Cramps, Batmobile e Stray Cats, mas nem sempre essas são as primeiras referencias que vem à mente dos ouvintes.

Por vezes os vocais de Patricia (HorrorPops) e Hellcat (Creepshow) lembram Gwen Stefani, do No Doubt. Os de Mad Marge lembram mais uma Monique Powell (Save Ferris) versão punk rock. Já Zombina poderia ter cantado em várias bandas de pop rock alternativo dos anos 90. Algumas músicas são fieis ao som do psychobilly mais tradicional, outras são puro punk rock, e outras ainda são descaradamente pops. O certo é que o descomprometimento e o bom humor sempre prevalecem. Certamente alguns tradicionalistas irão torcer o nariz, outros irão se levantar de suas covas para jantar um pedaço do cérebro destas belas moças, mas dificilmente irão conter essa invasão pop à terra dos mortos.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Brasília em Chamas

Na falta de locais realmente adequados para os eventos underground na cidade, as produtoras se viram para realizar os shows em lugares que sejam pelo menos agradáveis. Desta vez a Reverso escolheu o Blackout Bar. Apesar de não ser propriamente um bar, muito menos uma casa de shows, o lugar é amplo, ventilado e permitiu a montagem de um pequeno palco e de uma mini feira underground, iniciativa legal, que estimula o comércio alternativo e entretém o público entre os shows. De forma geral, o som também estava bom.

Por Volta das 23 horas, o ADI subiu ao palco para dar inicio às apresentações da noite. O Rock N Cigarettes, que ainda não estava presente no local por volta das 23 horas, ficará devendo a resenha deste show. Depois do ADI, quem subiu ao palco para mostrar seu trabalho foi o Ilustra, que desfilou seu post hardcore / screamo, mostrando boa técnica e postura no palco. Bem ensaiada, a banda conta com dois vocalistas que, apesar de individualmente ainda poderem melhorar um pouco, se complementam bem. Porém, mesmo com a boa apresentação, o Ilustra ainda não está no mesmo nível das bandas que se apresentariam logo depois.

Em seguida, mostrando técnica e presença de palco impressionantes, o Lesto! fez um ótimo show. Seu hardcore com influencias de metal é empolgante e consegue agradar desde os metaleiros e fãs de HC old school até admiradores de estilos menos pesados. Os vocais guturais de Bruno são um show à parte. Neste show, o Lesto! mostrou ser uma das bandas mais profissionais do meio independente brasiliense, e que não fica atrás de nenhuma banda famosa de outros estados. Prato cheio para que gosta de um som pesado.

Mas a gritaria ainda não havia terminado. O Dance Of Days, estrela da noite, era a próxima atração. A banda veio à cidade lançar seu primeiro DVD, Metrópoles em Chamas, e mostrou porque são um dos principais nomes da cena nacional. Com enorme carisma e status de sex symbol, Nenê Altro teve o público em suas mãos durante todo o show. A banda toca muito bem e as músicas falam por si mesmas, já que Nenê é hoje um dos melhores compositores do rock nacional, ao lado de Rodrigo Koala, do Hateen. Distribuindo bem seus hits pela apresentação e tocando uma música inédita, o Dance of Days sabia bem o que estava fazendo, mostrando experiência e profissionalismo. Talvez por conta do horário, o Blackout Bar começou a se esvaziar um pouco antes do final do show, fato que não tirou o brilhantismo da apresentação dos paulistas. Espera-se que voltem logo para incendiar a cidade novamente.

terça-feira, 17 de abril de 2007

The Briefs

Formado em 1999 e Seattle, a terra do grunge, o Briefs é uma das poucas bandas americanas de punk 77 em atividade. Apesar de adotarem um visual new wave, o quarteto segue a cartilha de bandas britânicas como Damned, Adverts, Stiff Little Fingers e Vibrators, com algumas pitadas de punk americano da virada da década de 70/80.

Com letras bem humoradas e despretensiosas, e um falso sotaque britânico, o Briefs lançou seu primeiro disco, Hit After Hit, em 2001 e seu sucessor, Off The Charts, em 2003. Ambos muito bons, revelam uma banda que ainda tinha muito a oferecer a seus fãs. Em 2004, após serem mandados embora da major Interscope Records sem gravar nenhum disco, eles lançaram Sex Objects pela BYO Records. Neste álbum o Briefs começa a demonstrar todo o seu potencial em ótimas músicas como “Destroy The USA” (sim, eles são americanos), “So Stupid” e a música-título “Sex Objects”. O ótimo Steal Yer Heart foi lançado no ano seguinte, e com músicas como “Lint Fabrik”, “Normal Jerks” e “Getting Hit On At The Bank” a banda continua mostrando sua evolução e seu talento para compor hits que grudam de imediato na cabeça de ouvintes desavisados.

O Briefs não é conhecido por sua originalidade, mas se isso não impede milhares de adorarem bandas como Strokes, Franz Ferdinand, White Stripes e outras do chamado novo rock, porque deveria impedir o sucesso do Briefs, cuja devoção por um estilo musical criado 30 anos atrás acaba também por revelar influencias de bandas como Libertines, The Rakes e Ordinary Boys? Altamente recomendado para todos aqueles que gostam do sabor do punk rock original.

sábado, 14 de abril de 2007

NOFX - Wolves In Wolves' Clothing (2006)

O EP Never Trust A Hippy, lançado um mês antes deste álbum, tinha uma das capas mais legais da história do NOFX. Já Wolves In Wolves' Clothin tem a mais feia desde os primeiros lançamentos da banda. Apesar disso, o disco começa muito bem. “60%” é uma música de abertura estranha para os padrões do NOFX, mas muito boa. A banda segue acertando o alvo nas músicas seguintes, com destaque para o single “Seeing Double At The Triple Rock” e para “Leaving Jesusland”, que tem uma das melhores letras do disco.

As letras, aliás, são o grande destaque do disco, como já podia se esperar depois dos dois últimos lançamentos do NOFX. Se em The War on Errorism, Fat Mike se concentrou em espinafrar o governo Bush, aqui ele diversifica um pouco os temas, criticando a própria esquerda em “The Marxist Brothers” e pegando pesado contra o conservadorismo religioso dos EUA, sempre com o humor sarcástico e politicamente incorreto que é uma das maiores marcas da banda. A partir da metade do disco, porém, a receita desanda um pouco. Nesta parte predominam músicas curtas e estranhas, em que a banda arrisca, entre algumas músicas sem graça, uma balada en español, alguns riffs de metal, uma música acústica e até uma reprise desnecessária de “60%”

Wolves In Wolves' Clothin é o décimo álbum cheio do NOFX, que deve ter lançado uns outros 30 discos em seus mais de 20 anos de existência. Ao contrario do que poderia se esperar, a banda não parece estar se copiando ou soa desinteressante, mas o problema aqui é outro. Algumas das músicas já haviam sido lançadas em EPs e nos vinis de 7 polegadas mensais da banda. Outras tantas parecem que foram gravadas antes de serem propriamente terminadas, o que faz com falte ao disco a coesão que caracteriza um álbum feito para se escutar do inicio ao fim. Wolves... não é ruim (a banda parece ser incapaz de lançar algo realmente ruim), apenas parece ter sido feito às pressas, e não chega aos pés dos grandes discos da banda. Recomendado para os fãs.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

+44 - When Your Heart Stops Beating (2006)

Impossível ignorar que o +44 é a nova banda de dois terços do Blink 182, mas se não avisassem, muita gente poderia nem perceber. Musicalmente, a banda não se distancia tanto do trabalho do Blink quanto o AVA, de Tom DeLonge, mas à exceção dos vocais de Mark Hoppus, também não se encontra neste When Your Heart Stops Beating muitas músicas semelhantes às da antiga banda. Aqui Mark e Travis escolheram um caminho menos pretensioso que seu colega, e se concentram em fazer o que sabem: pop rock de qualidade.

Este é um disco bastante variado, com algumas músicas quase pop punk, várias mais lentas e introspectivas, guitarras bem trabalhadas e um flerte com a música eletrônica. É neste quesito que a estrela de Travis Barker brilha mais forte. Além de um excelente trabalho na percussão acústica, o baterista trabalhou com programações e batidas eletrônicas, trazendo uma identidade própria à banda. Mark também mostrou grande evolução em relação às letras de suas canções. As poucas que tratam da separação do Blink são duras, mas discretas, e a maioria delas trata de temas pessoais com mais desenvoltura do que anteriormente.

Algumas músicas se destacam neste álbum. A faixa de abertura, “Lycanthrope”, e o single “When Your Heart Stops Beating” são as que mais lembram o Blink 182, e são também as mais animadas do disco. Já “Little Death” e “Make You Smile” se destacam entre as músicas mais lentas, esta última conta com os vocais de Carol Heller, do Get The Girl, que dão um toque diferente à música. Também se destaca a ótima “155”, ao mesmo tempo triste e dançante. Um ótimo álbum de estréia, tanto para fãs do Blink quanto para aqueles interessados em música pop com cérebro.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Sessão de Sábado 2


Com pouco mais de uma hora de atraso e uma praça do Conic não muito cheia, teve inicio a segunda edição da Sessão de Sábado. O som estava bom, muito acima da média dos shows underground, e havia até mesmo uma iluminação de palco, apesar da ausência de um palco propriamente dito. A primeira banda a tocar foi o Sanz, que contava com um trombonista em sua formação, algo que não se via há algum tempo. Em seguida, o Redial Rocker (organizadores do evento) mostrou seu pop punk adolescente e fez um bom show, apesar de um pouco cansativo. A banda toca bem e se aproveitou do fato de muitos dos seus amigos estarem na platéia, cantando todas as letras despretensiosas da banda, com forte inspiração em Blink 182, influência comum a quase todas as bandas do evento. As músicas do Redial soam um pouco genéricas, sem nenhum destaque, mas a banda tem talento e, se continuar trabalhando, poderá vir a se tornar muito boa.

A terceira banda a tomar o palco foi o Dissonicos, única banda da tarde que não toca pop punk e também a única cujos membros tem mais que 20 anos. Apesar do vocalista Álvaro parecer um pouco abatido, a banda fez um bom show, mostrando que experiência pode fazer diferença. Com pouco esforço o Dissonicos conseguiu prender a atenção de um publico que claramente não era o seu. Além das músicas próprias, tocaram White Riot, do The Clash e uma versão punk rock de Help, dos Beatles. Os momentos mais descontraídos do show ficaram por conta do baixista César, que se apresentou com um sutiã pendurado em seu instrumento e mostrou habilidade ao, simultaneamente, tocar e beber cerveja por um beer bong servido por amigos.

A banda seguinte foi o Recorde, cujo baixista deixou a banda poucos dias antes da apresentação. O lugar foi preenchido por Pedro, que tocava com o guitarrista Rafael no finado Strelinhas. Trazendo o pop punk de volta ao palco, a banda foi segura em sua apresentação, apesar do desfalque. Rafael conseguiu segurar bem a única guitarra, cantar e ainda arrumar sua bermuda, que insistia em cair várias vezes por música. Estranho que alguém capaz de cantar e tocar bem ao mesmo tempo não saiba apertar o cinto de sua roupa. A apresentação também contou com a participação do vocalista do Firstations, Régis, mostrando a potencia de seu vocal em uma música do Strelinhas.

A Sessão estava indo bem até este ponto, mas a banda que fechou a noite, o Lactobacilos Vivos, deixou bastante a desejar. Tocando para os amigos, mostraram seu som, que fica entre o pop punk das bandas anteriores e o hardcore melódico das grandes bandas californianas da década passada. Tudo, porém, mal executado. Diferentemente de seus antecessores, o Lactobacilos ainda precisa melhorar muito, uma vez que mostrou instrumentais e vocais fracos e alguns momentos constrangedores, como os covers de Millencolin e NOFX, e a música em que o guitarrista tocou de cueca. Dispensável.

De forma geral, as bandas precisam melhorar suas apresentações e presença de palco. A maioria delas, formadas por integrantes ainda muito inexperientes, se contenta em agradar seus 30 amigos que estão na frente do palco e esquecem de se comunicar e tocar para o resto do público, que não necessariamente os conhece ou às suas músicas. O local do show também não foi dos mais apropriados. Apesar de um bom show não depender do lugar em que se dá, e de ser sempre louvável a iniciativa das bandas se organizarem para tocar, aonde quer que seja, a cena de Brasília merecia locais mais adequados. Por outro lado, o publico foi razoavelmente numeroso, já que o Conic é um lugar central e o show era gratuito. No final, apesar dos problemas, o saldo foi bastante positivo.

(com ajuda de Mr. Matsumoto)

terça-feira, 27 de março de 2007

Novidades do Bad Religion

O Bad Religion divulgou a capa e data de lançamento do seu novo disco, New Maps Of Hell. O album chegará as lojas americanas em 10 de Julho pela Epitaph Records, gravadora de propriedade do guitarrista da banda, Brett Gurewitz.

É interessante notar como a capa deste disco dialoga com a do disco passado, The Empire Strikes First, de 2004 e com o vídeo-clipe de seu single "Los Angeles Is Burning". O Bad Religion fará três show no Brasil no inicio de abril e participará da famosa Warped Tour americana neste verão.

segunda-feira, 26 de março de 2007

The Distillers – Sing Sing Death House (2002)

Lançado pela Hellcat Records, selo de propriedade de Tim Armstrong do Rancid, à época marido da vocalista e guitarrista dos Distillers, Brody Dale, este Sing Sing Death House mostra uma grande evolução em relação ao seu primeiro trabalho da banda, The Distillers, de 2000. Nesse álbum, encontram-se desde os hardcores rápidos e furiosos do primeiro disco, até punk rocks mais lentos e com forte apelo pop, como os singles “City Of Angels” e “The Young Crazed Peeling”. Todos cantados com um feeling impressionante por Brody, com sua voz rouca, estilo Courtney Love.

As letras também demonstram a evolução do Distillers. Muitas delas totalmente autorais, são quase uma biografia da vocalista, e falam com bastante sinceridade sobre todas as dificuldades pelas quais a moça passou. Esse foi o álbum que revelou o Distillers ao mundo e lhes garantiu um contrato, mais do que merecido, com uma major. Portanto, se você for um amante do punk rock, tenha esse disco em casa.

terça-feira, 20 de março de 2007

NOFX - War On Errorism (2003)

Em 1994 o NOFX lançou o disco definitivo do hardcore californiano. Desde então, todo mundo espera que eles produzam outra obra-prima do hardcore melódico, outro Punk In Drublic. Não foi dessa vez. Mas essa não é má noticia. A má noticia é que isso provavelmente nunca acontecerá. Todo artista tem um ponto alto na sua carreira, que, como qualquer outra coisa que exija inspiração momentânea, geralmente não se repete. Somente tendo isso em mente podemos ter a isenção necessária para avaliar esse álbum.

Esse disco funciona quase como uma antologia, uma retrospectiva da carreira da banda. Aqui você encontra, além do guitarrista Melvin cantando mais do que em qualquer outro disco da banda, os hardcores velozes, a influência metaleira do começo da banda, os skas que eles disseram que nunca mais tocariam, e até uma balada, só voz e violão, em que Fat Mike canta sobre um cara que teve overdose.

As letras, também bastante variadas, vão desde reflexões sobre a cena punk e piadas típicas da banda, até o tema principal do álbum: Política. Fat Mike dispara toda a sua indignação contra o imperialismo, a guerra e o governo Bush. Esse tema, aliás, rende uma das melhores letras da banda em “Franco Un-American”, acompanhada por um ótimo vídeo-clip. Apesar de não ser uma obra-prima, War On Errorism é um ótimo disco e, possivelmente, o melhor lançamento da banda desde o aclamado Punk In Drublic.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Rancid - Indestructible (2003)

Desde o seu último lançamento, pode-se dizer que as tragédias marcaram a vida dos integrantes do Rancid. O baixista Matt Freeman perdeu sua avó, que o havia criado na infância. O guitarrista Lars Frederiksen teve um problema de saúde que o levou a uma cirurgia, perdeu seu irmão mais próximo e foi deixado pela mulher. Já durante as gravações, o frontman Tim Armstrong também foi deixado por sua mulher. E, segundo a própria banda, o tema central desse álbum é a morte.

Poderíamos pensar então que este seria um disco pesado, raivoso e depressivo. Mas não é o que acontece. Algumas letras giram em torno desses temas, como em "Tropical London" e "Otherside", porém muitas outras são uma afirmação da vida e da amizade entre os membros da banda, como em "Fall Back Down" e na música que dá título ao álbum. Há ainda muitas outras sem qualquer relação com esses acontecimentos.

Musicalmente o disco também é bastante variado. Desde os hardcores e street punks do ultimo álbum (e dos dois primeiros) até os skas do ...And Out Come The Wolves. Das experimentações do Life Won't Wait até as batidas dos Transplants, passando pela estranhíssima "Arrested In Shanghai", e por teclados em várias músicas.

Esse disco não é tão variado quanto Life Won't Wait, porém é bem mais criativo que o álbum anterior. Não é tão perfeito quanto ...And Out Come The Wolves, mas tem ótimos refrões pops que não saem da cabeça. Destaque para a totalmente rock 'n roll "Spirit Of '87". Indestructible mostra o Rancid em sua melhor forma, atirando em várias direções e quase sempre acertando. Ótimo álbum.