O EP Never Trust A Hippy, lançado um mês antes deste álbum, tinha uma das capas mais legais da história do NOFX. Já Wolves In Wolves' Clothin tem a mais feia desde os primeiros lançamentos da banda. Apesar disso, o disco começa muito bem. “60%” é uma música de abertura estranha para os padrões do NOFX, mas muito boa. A banda segue acertando o alvo nas músicas seguintes, com destaque para o single “Seeing Double At The Triple Rock” e para “Leaving Jesusland”, que tem uma das melhores letras do disco.As letras, aliás, são o grande destaque do disco, como já podia se esperar depois dos dois últimos lançamentos do NOFX. Se em The War on Errorism, Fat Mike se concentrou em espinafrar o governo Bush, aqui ele diversifica um pouco os temas, criticando a própria esquerda em “The Marxist Brothers” e pegando pesado contra o conservadorismo religioso dos EUA, sempre com o humor sarcástico e politicamente incorreto que é uma das maiores marcas da banda. A partir da metade do disco, porém, a receita desanda um pouco. Nesta parte predominam músicas curtas e estranhas, em que a banda arrisca, entre algumas músicas sem graça, uma balada en español, alguns riffs de metal, uma música acústica e até uma reprise desnecessária de “60%”
Wolves In Wolves' Clothin é o décimo álbum cheio do NOFX, que deve ter lançado uns outros 30 discos em seus mais de 20 anos de existência. Ao contrario do que poderia se esperar, a banda não parece estar se copiando ou soa desinteressante, mas o problema aqui é outro. Algumas das músicas já haviam sido lançadas em EPs e nos vinis de 7 polegadas mensais da banda. Outras tantas parecem que foram gravadas antes de serem propriamente terminadas, o que faz com falte ao disco a coesão que caracteriza um álbum feito para se escutar do inicio ao fim. Wolves... não é ruim (a banda parece ser incapaz de lançar algo realmente ruim), apenas parece ter sido feito às pressas, e não chega aos pés dos grandes discos da banda. Recomendado para os fãs.