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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Coasters and frisbees

Tony Aiex, do blog Tenho mais discos que amigos! fez um post legal sobre o novo álbum do NOFX, esse resenhado aí em baixo. Lá ele detalha com várias fotos todo o conceito-piada-auto-depreciativa dos porta-copos (coasters) e frisbees que permeia o lançamento do CD (Coaster) e do LP (Frisbee) da banda. E tem ainda uma promoção legal que vai sortear um CD extra exclusivo e numerado, além de um podcast falando sobre o lance todo. Vale a pena conferir, só não vale colocar o prêmio em baixo de um copo de bebida.

terça-feira, 16 de junho de 2009

NOFX - Coaster (2009)

Quando sua banda existe a mais tempo do que os Ramones, como fazer para inovar e surpreender os fãs? A resposta do NOFX é não inovar, apenas fazer bem feito. Muito bem feito. É por isso que Coaster, o 11º álbum de estúdio da longa carreira do quarteto é tão bom. É o NOFX que todos conhecem, mostrando aquilo que fazem melhor. Entre hardcores, pop punks, skas e as esquisitices habituais, a banda fez um dos melhores álbuns de sua discografia.

A maior diferença de Coaster para os outros discos da banda lançados nessa década é que ele representa o que o SUM 41 tentou fazer em 2001: all killer, no filler. Ou quase isso. Das 12 faixas do lançamento, apenas “Creeping Out Sara” pode ser considerada dispensável. A letra é bem divertida, daquele jeito cheio de ironia e nonsense que Fat Mike faz tão bem. Mas a música é bem fraca e parece ter sido criada às pressas, só para acompanhar as palavras. E ainda deixa a piada um pouco óbvia demais, lembrando até Mamonas Assassinas.

Mas de forma alguma ela representa o disco como um todo. Se há algum componente que marca o lançamento, são as guitarras metaleiras de El Hefe, ainda mais marcantes que de costume. A faixa de abertura, “We Called It America” já demonstra o potencial de criação do guitarrista, mas é na surreal “Eddie, Bruce And Paul” que isso fica absolutamente claro.

Para quem não pegou as referencias, bizarramente a música conta a história do Iron Maden sob a ótica de Fat Mike e sua trupe. Com vocais alternados entre o vocalista e o guitarrista Melvin e sua voz rasgada, a faixa faz referencia clara ao heavy metal britânico sem deixar de soar como NOFX. Pode parecer encheção de saco, mas novamente a banda mostrou aos canadenses como se faz.

Entre patadas nas religiões organizadas, na política republicana e as letras divertidas sobre drogas e bebidas ou povoadas por amigos da banda, destacam-se “My Orphan Year” e “I Am An Alcoholic”. A primeira, mesmo sem inovar musicalmente, surpreende todos os fãs do NOFX. Trata-se da música mais emo que Fat Mike já escreveu. Supondo-se que seja tudo verdade, o vocalista abre seu coração como nunca fez antes para contar a história da morte de seus pais em 2006. Fica transparente na letra o carinho pela mãe e a mágoa guardada ao longo de toda vida pelo pai, que não esteve presente, mas sem quem a música não existiria.

Já a segunda faixa mistura em doses perfeitas as experiências jazzísticas que El Hefe trouxe à banda com o hardcore típico do quarteto. Diferentemente do que fizeram em outras oportunidades, como no cover de “Straight Edge”, hino do Minor Threat em White Trash, Two Heebs and a Bean, de 1992, aqui os sopros e guitarras dedilhadas não são uma piada. Eles estão realmente a serviço da música, que conta ainda com bons vocais femininos, bem encaixados, assim como o refrão roqueiro, com temática clássica do NOFX.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ALK3 e Half-FX

A banda estadunidense Alkaline Trio divulgou ontem o nome e tracklist do seu próximo álbum, o primeiro pela major Epic Records. Agony and Irony será lançado em 1º de julho e terá apenas 10 faixas. Veja abaixo:

01 - Calling All Skeletons
02 - Help Me
03 - In Vein
04 - Over And Out
05 - I Found Away
06 - Live Young, Die Fast
07 - Four Four Four Four
08 - Lost And Rendered
09 - Ruin It
10 - Into The Night

A música de trabalho do álbum é “Help Me”, que já pode ser ouvida no MySpace dos caras. Uma boa música pop, na mesma veia do último disco, Crimson, e com letra menos depressiva do que o habitual para a banda. Há alguns dias o trio postou por 12 horas “In Vein” em seu MySpace, essa sim capaz de empolgar os fãs. Com uma introdução que lembra The Clash e um refrão típico das músicas da banda, a faixa cantada pelo baixista Dan Andriano deve acabar se tornando o hit de Agony and Irony para o público já familiarizado com o som dos caras.

***

Também vale a pena conferir o vídeo que a revista estadunidense Alternative Press postou em seu site do show do NOFX no enorme festival South By Southwest, que acontece todo ano em Austin, no estado do Texas. Esse ano o NOFX, sob a alcunha de Half-FX, decidiu tocar nada menos que 56 músicas, todas pela metade. A idéia é estranha e o resultado muito divertido. Para entrar na brincadeira a AP postou apenas metade do show dos californianos. Muito bom.

sexta-feira, 7 de março de 2008

NOFX no 3º mundo


Assista abaixo o ótimo trailer de Backstage Passport, documentário sobre a turnê que os punk rockers estadunidenses do NOFX fizeram por vários países da América do Sul, África e Ásia em 2007. Backstage Passport irá ao ar no dia 15 de abril via Fuse TV.

NOFX : Backstage Passport


Também ótimo é o novo clipe do Presidents of The USA, “Mixed Up SOB”. A música é a primeira faixa de divulgação do quarto álbum do trio These Are The Good Times People, que chegará as lojas dia 11 de março. Assim como a própria banda, o clipe parece uma peça arqueológica da década de 90. Não por acaso foi dirigido por "Weird Al" Yankovic. Não fossem o iPhone e o Guitar Hero poderia ser confundido com um vídeo do tempo em que a banda bombava nas rádios com hits como “Lump” e “Peaches”. Assista:

Mixed Up SOB

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

NOFX - They've Actually Gotten Worse Live! (2007)

12 anos após o lançamento de I Heard They Suck Live o NOFX lança mais um álbum ao vivo, novamente gravado durante 3 noites em San Francisco. O som, os gritos da platéia, as piadas politicamente incorretas, o grande numero de palavrões, a suposta bebedeira, tudo está presente novamente. Apesar disso, They've Actually Gotten Worse Live não é uma mera repetição do disco ao vivo anterior. Em 1995 o NOFX vinha na onda do sucesso de bandas como Green Day e Offspring e estava quase estourando após o lançamento de Punk In Drublic, por isso baseava seu setlist nos seus dois últimos (e melhores) álbuns. Agora os caras são uma banda veterana, com milhões de fãs e de músicas, inclusive os tradicionais b-sides, músicas de coletâneas e afins. E escolheram presentear esses fãs mais dedicados.

Com a exceção de “Franco Un-American” e “Stickin’ In My Eye”, nenhuma das 24 faixas do álbum são hits. Estão presentes no lançamento uma série de versões hardcore para músicas acústicas e skas, como “You're Wrong”, “Scavenger Type” e “Whoops I OD'd”, além de uma versão calminha para a porrada “We March To the Beat Of Indifferent Drum”. Também chama atenção a série de 9 músicas curtas (a maioria presente no 45 or 46 Songs...) que, em média, não passam de uns 40 segundos. Pode-se ainda ouvir a participação de Matt do Flogging Molly tocando acordeão em “I, Melvin”, os guitarristas El Hefe e Melvin cantando, e as tradicionais alterações nas letras cantadas pelo vocalista Fat Mike, que geram momentos engraçadíssimos e mostram a irreverência típica da banda. They've Actually Gotten Worse Live definitivamente não é uma boa introdução para o trabalho do NOFX, mas um ótimo presente para os fãs de longa data que vão ter orgasmos ao ouvir “The Longest Line” com um pequeno trecho de “Basket Case” do Green Day inserido no meio, ou “Lori Meyers”, com vocais femininos incluídos.

terça-feira, 24 de julho de 2007

CD e DVD ao vivo do NOFX no horizonte

Os veteranos punks do NOFX anunciaram na semana passada que lançariam ainda este ano um documentário de sua recente turnê mundial e um disco ao vivo, fruto de 2 apresentações dos caras em San Francisco, mas parece que os planos da banda mudaram um pouco. O CD e, subentende-se, o DVD, sairão no início de 2008, ambos registrando a turnê de divulgação de Wolves In Wolves’ Clothing, último álbum do quarteto, e mostrarão a banda tocando em países como Rússia, África do Sul, China, Taiwan, Malásia e Indonésia. A banda já lançou um álbum ao vivo, I Heard They Suck Live!, em 1995.

NOFX – I Heard They Suck Live! (1995)

Logo de cara percebe-se que I Heard They Suck Live! honra as tradições underground às quais o NOFX é tão devoto. Gravado em um pequeno clube em Los Angeles, o álbum exala aquele cheiro típico de pequenos shows punks. Pode-se ouvir através da apresentação o público gritando e xingando a banda, e o encarte, apesar de pequeno, é um tributo à cena punk, com fotos, um pôster e uma capa (cortesia do ilustrador Coop, famoso por seu trabalho com bandas de rock) que traduzem com perfeição a experiência de estar em uma apresentação do tipo. O texto, escrito à mão pelo vocalista Fat Mike, também é digno de destaque, mostrando que o talento do frontman vai além de suas ótimas letras e sua péssima voz.

Resultado de uma temporada de 3 dias da banda em uma casa de shows desconhecida, o registro tem início com o hit “Linoleum” e mostra a banda bastante entrosada, transmitindo muita energia ao público presente e aos ouvintes do disco, e versátil, passeando pelo hardcore, ska e até pelo metal, em alguns momentos. Em “Bob” e “Life O’ Riley” podemos ouvir uma mescla destes estilos, com direito até a solos de trompete do guitarrista El Hefe. Outras músicas, como “Kill All The White Man” e “Together On The Sand”, servem para quebrar um pouco o ritmo acelerado da apresentação. O tracklist também funciona bem, mostrando todo o trabalho da banda até aquele momento, com destaque para as faixas dos álbuns White Trash, Two Heebs and a Bean e Punk In Drublic. Alguns podem achar que os californianos falam demais entre as músicas, mas os fãs da banda parecem adorar as piadas nonsense ou politicamente incorretas dos caras.

Segundo a própria banda, I Heard They Suck Live! foi gravado apenas porque vários bootlegs da banda tocando ao vivo estavam disponíveis por aí, e todos eles faziam o NOFX soar horrível, daí o nome do álbum. Mas a banda conseguiu bem mais do que apenas provar que não são uma porcaria ao vivo, criando um belo registro da cena californiana que estava estourando naquele exato momento, com bandas como Green Day, Offspring, Bad Religion, Rancid, e o próprio NOFX sendo descobertas pelo grande público mundo afora.

sábado, 14 de abril de 2007

NOFX - Wolves In Wolves' Clothing (2006)

O EP Never Trust A Hippy, lançado um mês antes deste álbum, tinha uma das capas mais legais da história do NOFX. Já Wolves In Wolves' Clothin tem a mais feia desde os primeiros lançamentos da banda. Apesar disso, o disco começa muito bem. “60%” é uma música de abertura estranha para os padrões do NOFX, mas muito boa. A banda segue acertando o alvo nas músicas seguintes, com destaque para o single “Seeing Double At The Triple Rock” e para “Leaving Jesusland”, que tem uma das melhores letras do disco.

As letras, aliás, são o grande destaque do disco, como já podia se esperar depois dos dois últimos lançamentos do NOFX. Se em The War on Errorism, Fat Mike se concentrou em espinafrar o governo Bush, aqui ele diversifica um pouco os temas, criticando a própria esquerda em “The Marxist Brothers” e pegando pesado contra o conservadorismo religioso dos EUA, sempre com o humor sarcástico e politicamente incorreto que é uma das maiores marcas da banda. A partir da metade do disco, porém, a receita desanda um pouco. Nesta parte predominam músicas curtas e estranhas, em que a banda arrisca, entre algumas músicas sem graça, uma balada en español, alguns riffs de metal, uma música acústica e até uma reprise desnecessária de “60%”

Wolves In Wolves' Clothin é o décimo álbum cheio do NOFX, que deve ter lançado uns outros 30 discos em seus mais de 20 anos de existência. Ao contrario do que poderia se esperar, a banda não parece estar se copiando ou soa desinteressante, mas o problema aqui é outro. Algumas das músicas já haviam sido lançadas em EPs e nos vinis de 7 polegadas mensais da banda. Outras tantas parecem que foram gravadas antes de serem propriamente terminadas, o que faz com falte ao disco a coesão que caracteriza um álbum feito para se escutar do inicio ao fim. Wolves... não é ruim (a banda parece ser incapaz de lançar algo realmente ruim), apenas parece ter sido feito às pressas, e não chega aos pés dos grandes discos da banda. Recomendado para os fãs.

terça-feira, 20 de março de 2007

NOFX - War On Errorism (2003)

Em 1994 o NOFX lançou o disco definitivo do hardcore californiano. Desde então, todo mundo espera que eles produzam outra obra-prima do hardcore melódico, outro Punk In Drublic. Não foi dessa vez. Mas essa não é má noticia. A má noticia é que isso provavelmente nunca acontecerá. Todo artista tem um ponto alto na sua carreira, que, como qualquer outra coisa que exija inspiração momentânea, geralmente não se repete. Somente tendo isso em mente podemos ter a isenção necessária para avaliar esse álbum.

Esse disco funciona quase como uma antologia, uma retrospectiva da carreira da banda. Aqui você encontra, além do guitarrista Melvin cantando mais do que em qualquer outro disco da banda, os hardcores velozes, a influência metaleira do começo da banda, os skas que eles disseram que nunca mais tocariam, e até uma balada, só voz e violão, em que Fat Mike canta sobre um cara que teve overdose.

As letras, também bastante variadas, vão desde reflexões sobre a cena punk e piadas típicas da banda, até o tema principal do álbum: Política. Fat Mike dispara toda a sua indignação contra o imperialismo, a guerra e o governo Bush. Esse tema, aliás, rende uma das melhores letras da banda em “Franco Un-American”, acompanhada por um ótimo vídeo-clip. Apesar de não ser uma obra-prima, War On Errorism é um ótimo disco e, possivelmente, o melhor lançamento da banda desde o aclamado Punk In Drublic.