Bom, no final das contas, resolvi espantar a preguiça e fazer uma lista dos 50 melhores (para mim) álbuns de punk rock de todos os 50 anos do gênero. É uma tarefa impossível e inevitavelmente alguns discos muito bons vão ficar de fora, mas é algo totalmente pessoal de qualquer forma (e não é como se alguém fosse ler isso também).
Além disso, deixei de fora algumas bandas clássicas porque eu não gosto mesmo. Na minha lista, nada de Black Flag (banda mais superestimada de todos os tempos), Minor Threat (duas músicas clássicas e um monte de outras iguais mas piores), Fugazi (banda chatona), Bad Brains (caótico demais, não consigo), Agnostic Front (até gosto mas nenhum disco fica entre os 50), Screeching Weasel (banda mais importante do que boa e sem um grande album). Mesma coisa com bandas nacionais: nada de Ratos de Porão (tem album clássico mas eu não curto o som), Plebe Rude (meio chata e mais post punk do que punk rock) e Cólera (Pela paz... é legal e importante e entraria na lista 75 melhores) ou Olho Seco (nah!). Enfim, deu para entender, né?
Por último, Essa parte dos melhores 50 não está em ordem de preferencia (de novo, tarefa meio impossível), mas em ordem alfabética. É o que é. Lets go!
Adolescents - Adolescents (1981)
Hardcore melódico a frente do seu tempo, com um instrumental que influenciaria a cena de skate punk da Epitaph Records uns 10 anos depois, mas com uma voz ainda adolescente cheia de deboche e acidez como era comum na primeira onda do hardcore californiano e no punk77. O destaque é "Kids of the Black Hole", que conta a história dos jovens que moravam na punk house conhecida como Black Hole, em Los Angeles. Com mais de 5 minutos que passam como se fossem 2, pode ser considerada punk rock progressivo, um oxímoro que eles certamente divertiria Fat Mike, um fã declarado.
Alkaline Trio - From Here To Infirmary (2003)
Punk rock melódico com um leve tempero gótico e temas dark. From Here to Infirmary é energético e empolgante, ainda que tenha um ar um pouco triste. Aliás, esse é o diferencial da banda, além da ótimas melodias nas composições de ambos os vocalistas. O equilíbrio perfeito entre energia roqueira, histórias de serial killers e reflexão deprê sobre partes mais fucked up da vida é exatamente o fez a banda estourar no underground. Os destaques são a faixa de abertura "Private Eye", "Armagedon" e "I'm Dying Tomorrow".
Anti-Flag - The Terror State (2003)
Eu sei, eu sei... Mas prefiro cancelar só o Justin Sane e não a banda como um coletivo que produzia música. Os discos continuam com as mesmas qualidades e defeitos que antes. E The Terror State quase só tem qualidades. Abre com "Turncoat", uma mensagem direta para o então presidente dos EUA, George Bush. A introdução acústica seguida da explosão sonora com a entrada da completa deixam claro que tipo de banda eles eram. Diretos até demais, simples da melhor forma, aquela que deixa cada musica na cabeça, seja pela melodia, pelo riff, ou pelo slogan. O album não tem uma música ruim. Quase todas tem alguma característica única. "Post War Breakout" conta com os vocais de Chris #2 e mais espaço para o baixo aparecer. "Power To The Peaceful" tem uma dinâmica start-stop interessante, um refrão para ser cantado junto, e um bom solo de guitarra, além da letra tremendamente clara contra a guerra no Iraque. "Mind The GATT" tem gang vocals e um aceno ao ska nas guitarras, "You Can Kill The Protester..." tem uma linha de guitarra marcante nos versos e um refrão tipo slogan maravilhoso. "Wake Up" tem um riff que lembra the Unseen (boa banda de street punk, aliás) e um vocal meio falado nos versos. "Tearing Down The Boarders" tem música e letras que fazem você querem pular no mosh pit e logo depois ir destruir um muro na fronteira do México ou da Cisjordânia. "Death of a Nation" é a mais rápida e curta do disco, uma porrada punk para abrir a roda no show. Além de muitos destaques e quase nenhum filler, o album saiu em um momento importante do inicio dos protestos contra a guerra do Iraque, que aumentariam muito um ano depois. Essa conexão com os seu tempo é sempre um fator poderoso para tornar um disco memorável. "To save you we might have to kill you | for freedom you may have to die | number one at liberation | liberating life from bodies | helping spirits fly".
Bad Religion - Against the Grain (1990)
Melhor album da trilogia de discos que fez o Bad Religion famoso na virada dos anos 80 para os 90 e resultou neles assinarem com uma gravadora major. Cheio de hits punk empilhados em 35 minutos de hardcore melódico. Traz também a primeira versão de "21st Century Digital Boy", que viraria single e videoclipe em 1994, quando regravada. Além dela, recomendo o clássico "Modern Man" e minhas preferidas "Operation Rescue" e "God Song", mas, na verdade, o melhor mesmo é ouvir do inicio ao fim.
Bad Religion - The Empire Strikes First (2004)
É album mais abertamente politico da banda, que é conhecida por ter letras menos diretas e mais reflexivas. O momento era de um renascimento do punk de protesto contra a guerra do Iraque e as politicas de George Bush Jr. e o Bad religion não perdeu o trem, mesmo tendo mais de 20 anos de estrada na época. Além disso, também é um disco bastante energético e veloz, com destaque para a bateria de Brooks Wakerman. O hit pop "Los Angeles is Burning" é excelente e a música-título é uma das melhores da carreira do BR. "God's Love" e "Let Them Eat War" também se destacam.
Bombshell Rocks - Street Art Gallery (1999)
Mais uma banda da cena sueca que se destacou na virada do milênio, o Bombshell rocks tem um estilo mais street punk, oi! e punk'n'roll, que às vezes lembra o Rancid e Swinging Utters. Mas longe de ser uma cópia, a banda têm personalidade própria e talento para criar melodias, refrões e sigalongs memoráveis. O equilíbrio vem com os vocais ríspidos e o instrumental punk, resultando em um som que faz você querer se mexer e cantar junto. "The Will The Message", com seu piano rock n roll é fantástica."180 Down", "Out of Order" e "Madhouse não ficam muito atrás. A banda e o album mereciam ser mais lembrados.
Bouncing Souls - How I Spent My Summer Vacation (2001)
De longe o melhor disco da banda, ...Summer Vacation é de fato um album essencial para o verão de quem curte punk rock melódico, cheio de energia positiva e singalongs divertidos. Além da melhor e mais conhecida música da banda, True Belivers, o disco é cheio de outros hits como "Gone" (famosa por ter aparecido em uma das melhores edições da série de coletâneas Punk O Rama) e "Manthem" (famosa por ter feito parte da trilha sonora da série de jogos de videogame Tony Hawk Pro Skater). Mas "Broken Record" e "Private Radio" também não podem ser esquecidas. Discão para todas as estações.do ano.
Buzzcocks – Singles Going Steady (1979)
Inclusão polêmica porque é uma coletânea de vários a-sides e alguns b-sides de singles que não fizeram parte dos 2 LPs que os Buzzcocks tinham lançado até ali. Exceto quando fizeram. Não tem regra, o caos impera. O fato é que a maioria das faixas continuavam sendo inéditas para a maioria dos ouvintes e só podiam ser encontradas nesse lançamento. No final das contas, Singles Going Steady é, de certa forma, um Best Of, mas também é uma compilação de b-sides e, ainda, um disco de inéditas ao mesmo tempo. Enfim, o disco acaba ganhando um passe aqui na lista por sua qualidade, mais do que qualquer outra coisa. Várias da músicas desse lançamento precisam ser incluídas entre as melhores da 1ª geração de punk rock e ressaltadas como alguns dos melhores exemplos do lado mais pop do gênero, ao lado de várias dos Ramones. E só poderiam ser por meio desse lançamento. No final das contas, a qualidade fala por si só e as músicas se impõem. Coletânea ou não, elas têm que ser escutadas por qualquer fã de punk rock.
Cock Sparrer – Shock Troops (1982)
Se o hardcore pegou o punk 77, acelerou ainda mais, deixou as guitarras ainda mais sujas e pesadas e os vocais uns 900% mais raivosos, o Oi! fez um caminho bem diferente, mantendo os níveis de velocidade, agressividade e simplicidade da 1ª geração punk e adicionando pequenos solos de guitarra, mais gang vocals, partes com piano ou sopros e, mais que qualquer outra coisa, uma identidade working class britânica, do sotaque às histórias cantadas. Para mim, nenhum álbum encapsula melhor o Oi! do que o primeiro LP do Cock Sparrer. Fiel ao estilo da primeira à ultima música e basicamente sem falhas.
Dead Boys - We Have Come For Your Children (1978)
O consenso é que o lançamento anterior da banda é o disco essencial para as listas de punk rock, acho que mais por ter sido lançado em 1977 do que por outro motivo. Young, Loud and Snotty é um ótimo álbum, mas eu acho mais proto punk do que punk rock. É mais aquele rock n roll sujo dos Stooges do que o som dos Ramones. Já esse segundo disco é um pouco mais punk rock e tão bom quanto o primeiro, com a mesma influencia cinquentista, a mesma atitude e vocais ácidos de Stiv Bators e as mesmas letras politicamente incorretas. "Ain't It Fun" é a música que melhor representa isso. É uma sobra da banda anterior dos caras e sonoramente não é punk rock, mas a letra e a forma como ela é cantada fazem dela 100% punk. Se tivesse "Sonic Reducer", esse seria o disco perfeito. Não tem, mas inda acho que merece o lugar na list a frente do disco de estreia.
Dead Fish - Zero e Um (2004)
O álbum de estreia da banda capixaba em uma gravadora grande já abre com uma pedrada anunciando que "hoje é o dia da revolução". Mas a revolução de que eles falam em "A Urgência" e ao longo do disco não é sobre derrubar governos ou decapitar pessoas. É sobre mudar radicalmente suas próprias ideias e ações no dia a dia. E o som dessa revolução interna é hardcore melódico com uma pegada pop aqui e ali e uma produção que dá ao som da banda uma pegada mais "Epifat". Além da música de abertura, "Queda Livre" e "Re-Aprender a Andar" chamam atenção e ficam na cabeça. Já a faixa título é um excelente skate punk muito veloz e melódico, e "Você" é o hit pop, em que a banda tira o pé do acelerador e soa quase radiofônica. Mas a letra engrandece a música, fingindo ser uma canção sobre amor para, no momento final, se revelar uma crítica à ganancia e ao modelo econômico vigente. Não foi à toa que Zero e Um quebrou a barreira entre o underground e o mainstream e se tornou um marco do rock brasileiro dos anos 2000.
Dead to Me – Cuban Ballerina
Punk rock melódico cheio de hooks que te agarram sem deixar você pular uma faixa ou trocar de disco. Jack Dalrymple é um craque no estilo e demonstrou seu talento em várias bandas, como One Man Army e Swinging Utters. Mas é nesse disco que a sua fórmula alcançou o melhor resultado do inicio ao fim, com a alternância e interação constante entre dois vocais. Com apenas 11 faixas, o álbum nunca perde o gás e uma das músicas mais punk é a última dos disco, "Visiting Day". Outros destaques são "Don't Lie", "By The Throat" e "Writing Letters". Uma pena a banda não ter tido uma carreira mais estável e prolifica.
Descendents - Everything Sucks (1996)
A volta da banda depois do término uma década antes é furiosa e hardcore e também pop e cheia de refrões grudentos sobre garotas cantadas por um nerd agora nos seus 30 anos e com um doutorado na parede do escritório. A música título mostra que nem tudo são flores na vida de ninguém. Mas talvez café ajude. A bebida é uma das obsessões da banda desde as primeiras gravações e aqui rende a excelente "Coffee Mug". 34 segundos de hardcore exaltando o grão e uma escolha perfeita para abertura do MTV Sports, programa sobre esportes radicais da emissora à época. Do lado mais pop estão "I'm The One" e "When I Get Old", respectivamente sobre friendzone e envelhecimento, e também muito boas. O humor imaturo também marca presença com "Eunuch Boy", que é sabiamente curta. É essa sabedoria na montagem do tracklist e na produção de cada música que faz Everything Sucks ser melhor do que os discos clássicos da banda do inicio dos anos 80. Além disso, ainda fez parte do zeitgeist do meio dos anos 90 e lembrou a todos de onde vinha o pop punk que tinha virado sucesso comercial. Não parece acidente que o álbum termine com a excelente "Thank You". Quem devia agradecer por esse clássico somos todos nós.
Green Day - Insomniac (1995)
Sem dúvida o disco mais punk rock do Green Day. Não tira o pé do acelerador exceto para a pesada e esquisita "Brain Stew", que emenda com a música mais rápida da discografia da banda, "Jaded". A pegada não convencional também a aparece na maravilhosa "Panic Song", com sua longa e tensa introdução simulando sonoramente um ataque de pânico crescente até explodir em acordes punk e letras sobre sentimentos de autodestruição, pessimismo e raiva. Só pelos nomes das músicas já dá para perceber a pegada das letras, com versos mais pistola, negativos e niilistas sobre os assuntos já abordados nos álbuns anteriores da banda. É fácil perceber que o trio teve dificuldade de lidar com o sucesso, a fama e a rejeição de sua antiga cena, mas isso acabou resultando em um disco ótimo, que o Green Day precisava ter na carreira e só poderia ter feito naquele momento. A pegada suja, pesada e veloz prevalece do início até o final, sem pular nenhuma música ao longo dos 32 minutos de Insomniac, passando pelas maravilhosas "Geek Stink Breath", "No Pride", "86" e "Westbound Sign" até chegar na música mais pop do álbum, a engraçada "Walking Contradiction", que teve um ótimo videoclipe para acompanhá-la. Se alguém tinha alguma dúvida de que o Green Day era uma banda de punk rock, ficaria de boca aberta após esse álbum, que merecia um nota alta até na Maximum RocknRoll.
Green Day - Nimrod (1997)
O quinto album da banda é contraditório. Seu maior sucesso é a balada "Time of Your Life" aka aquela musica preferida do Green Day por quem não gosta de rock. Nem é tanto culpa da canção em si, que não é ruim, mas overproduced e muito overplayed. Por outro lado, Nimrod traz "Take Back" e "Platypus", duas das musicas mais ferozes da banda, pesadas, rápidas, cheias de veneno punk. A segunda merece destaque especial pela sinceridade na declaração de ódio da banda ao maior policial do punk já nascido (e falecido), Tim Yohannan. O terceiro lado do disco é o do pop punk pelo qual o trio já era conhecido, que é representado por boas faixas como "Nice Guys Finish Last", "The Grouch", "All The Time", "Jinx" e "Reject". Nenhum fã dos discos anteriores pode reclamar. E o quarto lado é aquele da inovação, de uma banda tentando coisas novas. "Hitchin' a Ride" introduz ritmos de marching bands ao som pesado de guitarra e resulta em uma atmosfera de cabaret punk sensacional. "Redundant" aposta em uma estrutura repetitiva para dar apoio aos versos sobre a rotina maçante da vida. "Scattered" e "Worry Rock" contam com melodias sessentistas inspiradas nos Kinks. "Uptight" é calma e tensa até virar punk no refrão e emendar um solo de guitarra. E "Walking Alone" é folk rock com direito à gaita. Todas muito boas, exceto a circense "King for a Day", uma brincadeira sobre crossdressing que resulta em uma música irritante e meio ridícula. Não se pode ganhar todas. 16 ótimas músicas, algumas punk rock e outras não, são mais do que suficiente para garantir lugar na lista.
Hot Water Music - Caution (2002)
Baixo e bateria segurando a casa em pé, duas guitarras tocando linhas melódicas muitas vezes diferentes uma da outra. Por cima, Um vocal rouco e outro vocal ainda mais rouco, cantando melodias que quebram versos pela metade e que se sobrepõe ao instrumental imprevisível. Os truezões vão dizer que Caution é uma versão diluída e comercial do que a banda tinha feito até ali na sua carreira, mas eu acho que diminuir um pouco o caos post hardcore e focar em estruturas e arranjos um pouco mais convencionais tornou a banda ainda mais interessante e produziu um álbum quase perfeito, em que os dois compositores se complementam e entregam um som pesado e cheio de letras e refrões memoráveis. Até ali, ninguém esperava que a banda produzisse hits, mas "Remedy", "Trusty Chords" e "Wayfarer" são exatamente isso. "Alright For Now" dá mais espaço para o baixo brilhar e também merece ser mencionada entre as melhores do disco.
Inocentes - Pânico em SP (1986, 2011)
A discografia de bandas brasileiras é geralmente muito confusa, com muitas regravações de músicas e mais discos ao vivo e compilações do que álbuns de estúdio com inéditas. Os Inocentes elevam isso à 10ª potencia, com as mesmas musicas regravadas umas 57 vezes, um disco de estreia censurado inteiramente pela ditadura e que só saiu muitos anos depois, um album que só saiu em K7 e só foi editado em CD muito tempo depois, e esse Pânico em SP, que tem 3 versões diferentes: a primeira é um EP com 6 musicas lançado em 1986 e por alguma razão chamado de mini-LP, a segunda é uma reedição de 2011 que traz mais 6 faixas que não parecem ter sido gravadas juntas, apesar de serem ótimas, e a terceira é a reedição de 2021 com as 6 musicas "originais" e mais 2 faixas ao vivo. Eu escolho ouvir a reedição de 2011, com 12 faixas. Quanto mais músicas boas, melhor! Os destaques são a faixa-título, "Expresso Oriente" e "Ele Disse Não", clássicos dos Inocentes, que são de longe a melhor banda punk brasileira dos anos 80
Less Than Jake - Hello Rockview (1998)
Ska punk? Pop Punk com sopros? Funciona do mesmo jeito. Eu falei muito de energia nessa lista e, bom, ninguém tem um som com mais energia que o quinteto da Flórida. É realmente difícil ficar parado ouvindo esse álbum, eu já tentei incontáveis vezes. O destaque aqui fica para as várias dinâmicas e interseções entre os dois vocais do grupo e para a relação de amor e ódio com a sua cidade pequena, a vontade de sair fora, mas o orgulho de ter ficado para contar as histórias dos tipos esquisitos e dos punks divertidos e deprimentes do lugar. Minhas preferidas são "History of a Boring Town", "All my Friends are Metalheads" e a punk "Help Save the Youth of America from Exploding".
The Living End - The Living End (1998)
O álbum de estreia do trio australiano se equilibra entre o punk rock e o rockabilly que tinha sido a principal influencia da banda nos EPs que antecederam esse LP. Também é marcante aqui como a banda soa um pouco mais antiga do que em lançamentos posteriores. Esse álbum homônimo poderia ter sido lançado em 77 e isso é bom! Diferencia a banda de zilhões de outras da virada do milênio e dá espaço para brilharem tanto a guitarra do vocalista Chris Cheney quanto o contrabaixo de Scott Owen, que dá um show ao vivo, até mesmo se equilibrando em cima do instrumento enquanto toca. E mesmo em músicas mais punk como a faixa de abertura "Prisoner of Society", há solos no melhor estilo anos cinquenta convivendo em harmonia com gang vocals e um ritmo incessante. É até difícil destacar as melhores músicas porque o disco é sensacional do inicio ao fim. "Trapped" tem que ser lembrada por incorporar um ska lento com sopros ao punkabilly sem soar fora de lugar. "All Torn Down" também brinca com ska nos versos enquanto a letra denuncia a destruição da história da cidade pela especulação imobiliária e sua ânsia de derrubar tudo que é antigo. Certamente é um tema original e inesperado para um disco punk funciona. Do lado mais punk, minhas preferidas são "Second Solution", "West End Riot" e "Have They Forgotten". Para fechar o disco, nada melhor que uma inesperada faixa instrumental chamada "Closing In". Chef's kiss!
The Mighty Mighty Bosstones - Let's Face It (1997)
Ao lado do Operation Ivy, os Bosstones foram os responsáveis por trazer o som do ska da Jamaica e da Inglaterra para os EUA e misturar o gênero com punk rock e o hardcore estadunidenses do fim dos anos 80, bem diferente daquela mescla britânica dos anos 70. Apesar de estar na labuta desde 1988 e ter boas músicas por uma década, o grupo de Boston nunca tinha feito um album memorável até Let's Face It. Sim, é menos hardcore que os primeiros, tem uma produção mais mainstream, mas é a melhor coleção de músicas que a banda já produziu. O mega hit "The Impression That I Get" é bom demais, apesar de ter cansado um pouco todo mundo. Outras músicas no disco também misturam rock e ska de forma a fazer seus pés quererem se mexer e seu corpo começar a skank sozinho, como as duas primeiras faixas, "Noise Brigade" e "Rascal King". Já a faixa-título é mais lenta e tem uma letra interessante contra a discriminação racial, de gênero ou de qualquer outro tipo. Ainda mais lentas e focadas no ska e até no dub são "Royal Oil" e "Another Drinkin' Song". A segunda metade do album tem mais do skacore pelo qual o grupo ficou conhecido. O destaque para mim é "Nevermind Me" que mistura mais estilos e muda de ritmo várias vezes. Ou seja, tem para todo mundo e marcou época, sendo um dos responsáveis pela explosão da 3ª onda do ska no mundo todo. Merecidamente, na minha opinião
Millencolin - Pennybridge Pioneers (2000)
Nos anos 90, o som do skatepunk californiano viajou o mundo e encontrou um sofá para passar a noite na Suécia e na Burning Heart records. A melhor banda dessa cena foi o MIllencolin. Pennybridge Pioneers foi um disco de transição para a banda, que estava fazendo uma longa migração de um som super rápido, com um tanto de ska e humor, para algo um pouco mais lento, mais garageiro e mais sério tanto na sonoridade quanto nas ideias. No meio desse caminho eles fizeram um disco maravilhoso, que marcou o período e o subgênero tanto quanto os melhores álbuns de bandas estadunidenses. A produção de Brett Gurewitz, dono da Epitaph Records e compositor/ guitarrista do Bad Religion, ajuda a dar um acabamento às músicas que faz elas se encaixarem perfeitamente no tracklist de qualquer Punk'O'Rama. Para ajudar a firmar o álbum no zeitgeist daquela cena, "No Cigar", a música que abre o disco, se tornou um clássico absoluto no jogo de videogame Tony Hawk's Pro Skater, ele mesmo um grande sucesso. Ou seja, ouvir os pioneiros de Örebro é ser transportado para a virada do milênio por pouco mais de meia hora. E depois apertar o repeat do discman.
MXPX – Slowly Going the Way of the Buffalo (1998)
Primeiro disco da banda por uma major, curiosamente tem uma gravação mais seca que o anterior, Life in General, o que dá um impressão de que o som é mais punk do que pop. Acho que isso trabalha a favor da banda, contrabalanceando um pouco toda a sacarose das melodias que grudam na sua cabeça. Uma coleção de 16 músicas tão perfeitas para o estilo que é incrível que o disco não tenha estourado comercialmente. "I'm Ok You're Ok", "Party, My House, Be There" e "What's Mine Is Yours" poderiam facilmente ter tocado nas rádios e em trilhas sonoras de filmes de high school. E isso é um elogio. São pop mas ainda tem uma pegada punk rock energética e empolgante. Já "Under Lock and Key", "Tomorrow's Another Day", "Cold and All Alone", "Invitation To Understand" e "Set The record Straight" são um pouco mais rápidas e skate punk. Todas excelentes. A banda também se dá bem em faixas mais hardcore como "First vs Tact", "The Downfall of the Western Civilization" e "Inches From Life". Para fechar, uma música instrumental com ares de trilha-sonora de filme de espionagem e ação. O único porém são as letras um pouquinho mais clichês e com uma ou duas menções religiosas que eu preferia que não estivessem lá, mas que não estragam a experiencia de escutar o melhor album da banda.
New Found Glory - New Found Glory (2000)
Como eu disse lá atrás, goste-se ou não, com o tempo, o punk rock virou um guarda-chuvas para vários estilos que derivaram do som original de 77. O NFG faz parte do lado mais pop desses estilos e foi parte essencial da explosão pop punk que aconteceu após o lançamento de Enema Of The State, do Blink 182, em 1999. O segundo disco da banda estadunidense trás melodias pop açucaradas pareadas a instrumentais com influencias de Descendents e do hardcore de Nova Iorque, tudo polido e envelopado para tocar em filmes de comédia adolescentes. Falando assim, aprece ruim, mas não é. É um som intrinsecamente jovem, feito para ouvir com a sua punk rock girl e andar de skate em tardes ensolaradas. Se esse não é o espírito do rock n roll dos anos 50 que os Ramones e tantos outras bandas queriam retomar, eu não sei o que é.
NOFX - Pump Up The Valium (2000)
Esse não é um dos albums mais lembrados da banda californiana, mas, para mim, só fica atrás do clássico Punk in Drublic. Para começar, o disco soa bem demais. A produção alcançou um som cheio, em que se escuta cada instrumento claramente e os graves tem mais presença do que na maioria das outras gravações do quarteto. Os solos de guitarra do El Hefe soam ótimos e empolgantes. Só uma das 14 músicas é pulável, a joke song "My Vagina" nem faz rir nem empolga sonoramente. Todas as outras 13 faixas são ótimas, incluindo a introdução. "Dinosaurs Will Die" é um clássico profético, uma das melhores musicas da banda. "Theme From a NOFX Album" é uma polka/punk rock divertida e empolgante, além de uma das melhores musicas de encerramento de um disco que eu já ouvi. A letra é uma bela homenagem aos próprios membros da banda e aos amigos/profissionais que trabalham com eles. Outras favoritas são "What's The Matter With Parents Today", Clams Have Feelings Too", "Pharmacist's Daughter" e "Bottles To The Ground". Mais consistente e bem acabado que o napoletano.
Nothington - Borrowed Time (2011)
O que diferencia o Nothington em meio à onda de bandas de pop punk com vocal rouco e letras para adultos que surgiu no final dos anos 2000 e inicio dos anos 2010 e ficou conhecido com orgcore é a capacidade de criar melodias que simplesmente não saem da cabeça, algo geralmente associado ao ramonescore, o subgênero do punk rock mais focado nas melodias bubblegum dos anos 50 e 60. Mesmo que não se saiba nenhuma letras, os refrões de músicas como "Captive Audience", 'Where I Cant Be Found","The Escapist" e "Ordinary Lives" são tão cantáveis que você sai por aí cantarolando sem nem perceber. Sugiro fortemente ouvir esse album umas duas vezes e ver se também tem esse efeito sobre você.
Offspring - Ignition (1992)
Se os Ramones contavam até 4 para começar a tocar suas canções, o Offspring emenda um palavrão 5 vezes logo antes de "Session", a primeira faixa do seu segundo disco. É um ótima música, empolgante, com um bom refrão e uma bateria quase robótica marcando o ritmo acelerado. Mas Ignition não é só skate punk. Ele marca a transição da banda de um som muito influenciado por TSOL, Agent Orange e Dead Kennedys em seu primeiro trabalho, para o som rápido mas pop que adotariam no seu terceiro disco, o mega sucesso Smash. E isso é bom. Abre espaço para faixas rápidas como "Get It Right" e "Burn It Up" conviverem com outras mais midtempo, com mudanças de ritmo e guitarras mais inventivas como "Kick Him When He's Down". Mas os destaques são a punk "LAPD", que denuncia a violência policial no contexto do assassinato de Rodney King e os protestos que se seguiram, e a lenta e atmosférica "Dirty Magic", com um riff de guitarra que lembra The Cure e um refrão marcante. Além disso, algumas das letras chamam atenção pelo seu humor negro e facetious, algo que era bem comum no disco anterior e que vai sumindo ao longo da carreira da banda.
Operation Ivy - Energy (1989)
Dá para dizer que a 3ª onda do ska, o ska punk estadunidense, começa em 1989, com o lançamento do primeiro disco dos Mighty Mighty Bosstones e do único LP do Operation Ivy. Mas se os Bostoness demorariam quase uma década para gravar um grande album, o Op Ivy chegou com um chute na porta e logo em seguida implodiu. No curto período em que existiu deixou alguns singles, um EP e um LP urgente e original, que acordou a cena californiana para a mistura de punk com uma versão acelerada do ska jamaicano e do 2 Tone inglês. A banda também ganhou um status cult após o Rancid, formado por dois membros do Operation Ivy (o vocalista e guitarrista Tim Armstrong e o baixista Matt Freeman), fazer sucesso no meio dos anos 90. Mas no Op Ivy, o principal compositor era o vocalista Jesse Michaels. Minhas músicas preferidas do disco são "Sound System", "The Crown", "Unity", "Artificial Life" e "Big City". Em termos de produção e gravação, Energy está do lado mais punk e independente, com um som cru e cheio de arestas deixadas sem aparar, que adiciona uma sensação de estar presente em um show da banda no Gilman Street.
Pennywise - Straight Ahead (1999)
17 exemplos perfeitos do hardcore melódico e skate punk californianos em um só disco. Não dá para ficar melhor. Em 1999, o Pennywise já tinha lançado 5 álbuns e já tinham alguns hits underground, mas ainda não tinham produzido um conjunto de músicas tão bom quanto Straight Ahead. O inicio do disco é matador, com várias faixas energéticas, rápidas e melódicas. Destaque para "Victim of Reality", uma das minhas preferidas desde que escutei pela primeira vez. O ritmo quase não desacelera até o final. A exceção é a única faixa mais pop, "Aliens", que é muito boa e tem lugar garantido nas apresentações ao vivo do quarteto até hoje. Outros destaques são "Can't Believe It", "Straight Ahead", "Cant Take Anymore" e "Badge of Pride". As letras são políticas. Denunciam a ganância dos poderosos e a violência urbana. E defendem a capacidade de cada um de decidir viver como bem entende, o orgulho de ser um outsider, e a necessidade de união no hardcore. São simples, diretas e sinceras. Tudo que se espera de uma banda do estilo.
Ramones - Leave Home (1977)
Todos os 4 primeiros são ótimos, mas todos também são bem parecidos e até se misturam um pouco na minha cabeça. Eu culpo o It's Alive, melhor disco ao vivo do mundo exatamente por compilar as melhores músicas dos primeiros 4 discos dos Ramones. O primeirão tem a pior produção, e isso atrapalha um pouco. É para ser simples e sujinho, mas não precisava exagerar. Já o segundo, Leave Home, trás uma produção melhor e mais diversidade das composições (dentro dos parâmetros ramônicos), sem deixar de entregar o minimalismo, a energia e as melodias inspiradas. E o tracklist é impecável, sem nenhum skip. "You're Gonna Kill That Girl", "Commando", "Swallow My Pride", e "Suzy is a Headbanger" são as minhas preferidas. As duas baladas, "I remember You" e "Oh Oh, I love Her So", também são ótimas.
Ramones - Mondo Bizarro (1992)
Vou cometer heresia aqui e dizer que esse é o disco dos Ramones com mais músicas que eu adoro. Eu sei, eu sei, não é legal gostar dessa final da banda, o Dee Dee já não está lá, apesar de ter composto várias das músicas. Mas é o que é. Mondo Bizarro não tem nenhuma música ruim, tem talvez uma música mais ou menos, "Anxiety". Todas as outras são ótimas. "Censorshit" é uma das poucas musicas políticas da banda, denunciando a perseguição de Tiper Gore à indústria musical e tudo que não fosse 100% kid friendly em mais um momento macartista da história americana. "Poison Heart" é a música em que o ex-baixista e compositor Dee Dee fala de forma mais sincera sobre si mesmo. Um clássico e um quase hit comercial. As duas músicas cantadas por CJ, "Main Man" e "Strength To Endure", soam modernas e se encaixam perfeitamente. "It's Gonna Be Alright" é uma daquelas faixas que esquenta o coração dos fãs. A experimentação vampiresca de "Take it as it Comes" funciona bem e entrega algo diferente, com órgãos típicos de filmes de terror e de garage rock. "I Won't Let It Happen" é uma boa balada sessentista daquelas que Joey tanto gostava, e "Cabbies On Crack" é pesada e engraçada, além de ter rendido um videoclipe impagável. Para fechar, "Touring" é uma regravação que dá um acabamento mas punk rock à faixa que sofria sob a produção cafona do álbum "Pleasant Dreams". Discasso subestimado.
Rancid - Rancid (2000)
O quinto album da banda é o mais rápido e pesado da discografia deles. Muito hardcore old school e street punk, quase nenhum ska. Mas mesmo com esse foco e uma produção que amplia essa atmosfera sujona do disco, muitas das músicas tem os refrões e apelo pop que fizeram de ...And Out Come the Wolves um sucesso enorme. Isso é importante porque dá variedade ao álbum, impedindo que ele fique repetitivo. O disco não tem skips, mas minhas favoritas são "Poison", "Not to Regret", "Axiom" e "Black Derby Jacket". Alguns acham 22 músicas um exagero, mas eu acho que as músicas curtas se encaixam e o ritmo flui bem. É uma estratégia que também funciona em Let's Go (1994) e Life Wont Wait (1998), outros dois belos lançamentos que por pouco não aparecem nessa lista.
Red City Radio - Titles (2013)
O estilo que ficou conhecido como orgcore já estava bem estabelecido quando o Red City Radio despontou no underground estadunidense, mas poucas vezes o "pop punk com vocal rouco e letras para adultos" teve um exemplo tão perfeito quanto no segundo lançamento do quarteto de Oklahoma City. Com dois vocalistas e compositores, o tracklist é diverso e as músicas de cada um dos dois tem funcionam bem juntas, mas têm claras diferenças de estilo. Influencias de hard rock também são importantes, com solos empolgantes e pausas em meio ao momentos mais pesados que raramente são são vistas no pop punk tradicional. Minhas preferidas são "Two Notes Shy of an Octave", "The Silence Between" e "Show Me on the Doll Where the Music Touched You".
The Rezillos – (Can't Stand) The Rezillos (1978)
Outra banda britânica que operava no espaço entre o punk rock e a new wave, os Rezillos produziram o disco mais divertido da primeira geração punk. Com um vocalista masculino e uma feminina, a banda de Edimburgo conseguiu criar uma dinâmica que a diferencia de tantas outras do período, com ambos contribuindo de forma versátil tanto para o lado mais pop quanto para o lado mais rock n roll do álbum. O hit comercial foi "Top Of the Pops", mas essa é uma das faixas menos interessantes do disco, que merece ser ouvido por inteiro e mais lembrado.
Rise Against - Siren Song Of The Counter Culture (2004)
"State Of The Union" abre o terceiro álbum da banda estadunidense com peso e velocidade. É um hardcore com breakdowns, gang vocals e gritos roucos do vocalista Tim McIlrath, que funciona como um cartão de visitas. Mas o disco não é todo tão agressivo assim. Seu trunfo é exatamente a variedade de sons e temas. Críticas ao status quo socioeconômico, à guerra e à crise climática se misturam com canções pessoais sobre memórias, términos, e autorrealização. "Life less Frightening" é um exemplo desse outro lado do álbum, com um som mais radiofônico. É boa, mas para mim os destaques são "The First Drop", um skate punk com refrão melódico e backing vocals ainda mais melódicos contrabalanceando as letras de protesto; "Give It All", o primeiro single lançado, com um refrão perfeito para cantar junto a plenos pulmões e um videoclipe empolgante; e "To Them This Streets Belong", um chamado para protestar nas ruas pelos seus ideais. A única música pulável é a acústica "Swing Life Away". Cafona e desnecessária.
Stiff Little Fingers - Inflammable Material (1979)
Cantar sobre política na Irlanda do Norte durante a época dos Troubles não era para qualquer um, o risco à sua vida era real. Fazer isso sem se alinhar a nenhuma das duas facções, era ainda mais desafiador. Mas esse grupo de Belfast fez exatamente isso. Mais importante que tudo isso, fez um disco urgente, com músicas inesquecíveis, cuja qualidade brilha mesmo por trás de uma produção excessivamente tosca. "Alternative Ulster", "Suspect Device" e "Wasted Life" são hinos punk e se juntam a outras faixas pacifistas, antirracistas e de denuncia social, de qualidade um pouco irregular, mas sempre interessantes de alguma forma.
Sum 41 - All Killer, No Filler (2001)
Outro representante do lado mais pop do grande guarda chuvas de estilos que é o punk rock, o Sum 41 traz o diferencial de mesclar um pouco de metal (e de rap, just for fun) no pop punk adolescente típico do inicio do milênio. Mas isso seria só um gimmick se a banda não tivesse músicas de qualidade para sustentar os riffs e solos metaleiros em meio às letras adolescentes e aos refrões para cantar junto. Tudo isso transforma a banda canadense na mais pesada do subgênero sem deixar de fazer os punks velhos torcerem o nariz, o que é parte do apelo. Alguns poderiam preferir o segundo album da banda, Does This Look Infected, por ser mais pesado, mas sem esse álbum de estreia um pouco mais pop, mas bom do inicio ao fim e cheio de hits, a banda não teria colocado uma horda de adolescentes para curtir punk rock e seus subgêneros.
The Undertones - The Undertones (1979)
Ouvindo com frieza, esse disco de estreia do quarteto norte-irlandês é mais new wave do que punk rock, mas um álbum que conta com o hino adolescente "Teenage Kicks" não pode ser ignorado. Talvez seja um exagero chamar de pop punk, mas mesmo quando prevalecem os teclados e as harmonias vocais do pop sessentista, as 16 faixas são sempre empolgantes e dançantes, com um ritmo acelerado e as guitarras no comando. Além da maravilhosa "Teenage Kicks", destacam-se "Male Model", "I Gotta Getta" e "Get Over You".
The Vibrators - Pure Mania (1977)
Rock n roll, punk rock e new wave se misturam no álbum de estreia da banda londrina. O hit "Baby Baby" é uma balada meio melosa e sem graça, em que só o solo de guitarra se salva. As duas melhores músicas, "Into the Future..." e "Bad Time", abrem e fecham o disco, respectivamente. No meio do caminho, "London Girls" e "Whips and Furs" se destacam.
Wire - Pink Flag (1977)
21 faixas em 35 minutos de punk rock, post-punk e rock alternativo. Pink Flag é o primeiro em vários sentidos e influenciou o rock inglês das 3 décadas seguintes mais do que qualquer outro LP. Não é o disco mais agressivo, sujo, veloz ou punk dessa lista (apesar de também ter momentos assim), mas acerta em cheio no minimalismo e na coragem de não alongar as músicas mais do que elas pedem para se conformar ao padrão, uma decisão que, junto com a discografia dos Ramones, serviu de lição para bandas tão diferentes quanto Husker Dü, Guided By Voices, Rancid e Joyce Manor.
Zander - Brasa (2010)
Hardcore melódico, midwestern emo, punk 'n' roll e até um pouco de MPB. Tudo misturado em um LP de estreia que segue o caminho já apontado pelos dois EP anteriores e pelas bandas anteriores de Gabriel Zander, como Deluxe Trio e Noção de Nada. Mas Brasa soa como o resultado final de toda essa caminhada sonora de quase duas décadas. Aqui a personalidade do compositor parece totalmente formada e capturada em 11 faixas que devem ser referencia para todo mundo que quer fazer música pesada em português. "Auto Falantes", "Motim", "Meia Noite" e "Humaitá" são as minhas sugestões para ouvir caso você não tenha meio hora. Caso tenha, faça um favor a sim mesmo e escute o disco inteiro.
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