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domingo, 3 de fevereiro de 2008

HorrorPops – Kiss Kiss Kill Kill (2008)

O HorrorPops é bastante conhecido por ter em sua formação o baixista do Nekromantix, Nekroman (que aqui toca guitarra), e sua esposa Patricia Day. Apesar do histórico, a banda não se prende aos limites do psychobilly e tem uma sonoridade própria que mistura rockabilly, punk rock, new wave, surf music e até um pouco de ska. Kiss Kiss Kill Kill é o terceiro lançamento dos dinamarqueses e, após um álbum voltado para o punk rock, representa uma volta à diversidade presente no primeiro disco, Hell Yeah!, de 2004.

A vocalista Patricia diz a banda foi formada para possibilitar a experimentação com vários estilos musicais. Fiéis a essa idéia, “Hitchcock Starlet” e “Everything's Everything” são baladas mais pop e mais lentas do que qualquer música que o trio já tenha composto. Já “Missfit” e “Boot to Boot” são energéticas e pisam em território conhecido. “Kiss Kiss Kill Kill” soa bastante new wave e é um dos destaques, junto com “Thelma and Louise” e o single “Heading for the Disco”. O alto número de faixas com andamento mais lento do que o usual para a banda pode causar estranheza aos fãs, mas estas se revelam boas composições quando ouvidas com cuidado.

Além da diversidade e apelo pop de suas músicas, Kiss Kiss Kill Kill é também um disco temático. Uma breve olhada na capa e no nome de canções como “Thelma and Louise”, “Hitchcock Starlet” não deixam dúvidas de que o cinema foi a grande inspiração da vez. Por sorte a banda não tentou escrever o álbum como um roteiro de um filme, contando uma história, o que provavelmente resultaria em algo pretensioso e chato. Nem todas as músicas versam sobre filmes, mas as referencias cinematográficas fazem de Kiss Kiss Kill Kill uma bela obra de cultura pop.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O Psychobilly Pop

O Grande Livro do Psychobilly diz que bandas que misturam punk rock com rockabilly, mas não têm suas letras e proposta visual ligadas a temas como terror ou ficção científica, devem ser chamadas de punkabilly. Já aquelas que adotam tais temáticas, mas tocam punk rock, sem muitas influencias de rockabilly, devem ser chamadas apenas de psycho. Alheias às recomendações do Grande Livro, várias bandas ao redor do mundo, vêm profanamente misturando sabores e popularizando um estilo que era, até pouco tempo atrás, relativamente obscuro até mesmo para o público punk rock. Alguns estudiosos já cunharam um termo para este novo estilo: popabilly. Outros, porém, reclamaram, argumentando que tais bandas nada têm de rockabilly e, portanto, deveriam de chamar psychopop, ou algo do tipo.

O fato é que bandas como Mad Marge and The Stonecutters, The Creepshow e Zombina and The Skeletones jogaram fora vários mandamentos da cartilha e partiram para experimentações com diversas quantidades de punk rock, pop rock, rockabilly e até algumas pitadas de ska. Todas contam com mulheres nos vocais e, aparentemente, vieram no rastro do HorrorPops, que conta com Kim Nekroman, baixista do famoso Nekromantix, na guitarra e sua esposa Patrícia nos vocais e baixo, e estabeleceu as bases desse Psychobilly Pop. Mantendo-se fieis a temas clássicos do estilo e investindo em um visual mezzo zumbi, mezzo 50’s, todos esses grupos são devotos de Cramps, Batmobile e Stray Cats, mas nem sempre essas são as primeiras referencias que vem à mente dos ouvintes.

Por vezes os vocais de Patricia (HorrorPops) e Hellcat (Creepshow) lembram Gwen Stefani, do No Doubt. Os de Mad Marge lembram mais uma Monique Powell (Save Ferris) versão punk rock. Já Zombina poderia ter cantado em várias bandas de pop rock alternativo dos anos 90. Algumas músicas são fieis ao som do psychobilly mais tradicional, outras são puro punk rock, e outras ainda são descaradamente pops. O certo é que o descomprometimento e o bom humor sempre prevalecem. Certamente alguns tradicionalistas irão torcer o nariz, outros irão se levantar de suas covas para jantar um pedaço do cérebro destas belas moças, mas dificilmente irão conter essa invasão pop à terra dos mortos.