segunda-feira, 21 de junho de 2010

Entrevista com a banda brasiliense Hellena



Criado em 2005, o Hellena tem ficado conhecido pelo profissionalismo em uma cena, em grande parte, ainda amadora. Com um show marcado para esse mês e outro para o mês de agosto (abrindo para os paulistanos do Glória), o quinteto pretende continuar conquistando fãs de música pesada com sua mistura de metal e post-hardcore.

As principais influencias de Gui (vocal), Rique (vocal e guitarra), Vitoka (guitarra), Tomás (baixo), e Thiago (bateria) são bandas recentes como Killswitch Engage, As I lay Dying e August Burns Red, mas semelhanças com grupos clássicos como Slayer e Metallica também podem ser escutadas no som do Hellena.

Confira abaixo a entrevista exclusiva para o Rock N Cigarettes feita por e-mail pelo sempre bem humorado Boss Matsumoto e ouça a banda aqui.


Esta banda muito louca em que vocês tocam surgiu para ser um projeto paralelo ou sempre esteve em primeiro lugar?

Gui e Vitoka: Na nossa visão sempre esteve em primeiro lugar.

Tomás, Rique e Thiago: Começou como projeto paralelo.

Como foi o processo de mudança de integrantes desde o começo da banda? Vocês acham que isso influenciou muito nas músicas?

GV: A mudança de integrantes foi necessária para conseguirmos uma melhor conveniência na banda.

TRT: E as mudanças ajudaram a determinar o nosso estilo atual.

Hoje é mais complicado conciliar estudos, família, namoradas e trabalho do que quando a banda foi formada?

GV: Hoje nós aprendemos a trabalhar juntos, trabalhar os horários e priorizar a banda. E com a entrada dos novos integrantes isso foi bem mais fácil.

TRT: Mas ainda assim acontecem imprevistos e, de vez em quando, acontece um desencontro.

Gui, qual é a melhor forma de aquecer a voz antes dos shows (Tu grita demais, rapá!)?

Gui: Primeiramente, obrigado pelo elogio. Há uns anos atrás conheci umas técnicas que alguns vocalistas que tenho como inspiração utilizam. Tenho seguido elas e isso tem me feito muito bem.

Thiago, quais são suas maiores inspirações?

Thiago: Matt Greiner, Aaron Gillespie, Quentim Tarantino, Mike Ambrose, George A. Romero, Jake Massuco, Tim Burton, Gandhi, Carter Beauford e Rajon Rondo.

Victor, e os assédios das fãs? Como controlá-las?

Vitoka: O assédio das fãs não é muito freqüente, mas quando acontece, todas(os) são tratados com respeito e consideração.

Tomás, como foi interagir musicalmente com esses roqueiros quando você chegou à banda?

Tomás: Conhecer um dos guitarristas, o Vitoka, ajudou na interação inicial e tudo fluiu muito bem. Temos as mesmas influencias e todos na banda respeitam as criações e opiniões dos outros. Me senti a vontade bem rápido na banda.

Rique, sei que você tem 2 bandas. Existe alguma outra? Se tivesse espaço para mais uma, como ela seria?

Rique: Somente 2 bandas, e já ta bom. Se tivesse espaço, seria alguma coisa que não se parecesse com nada que eu faço. Algo acústico ou bem pop.

Uma amiga viu o show de vocês pela primeira vez este ano. Ela ficou impressionada com o som da banda e com vocês, tanto pela desenvoltura como pelo visual que ela achou “irado”. Como vocês acham que é a impressão das pessoas que vêem vocês pela primeira vez?

GV: Inicialmente, as pessoas que nos encontram não acreditam que a gente toca um som pesado, mas nós nos preocupamos bastante com o nosso som, além do visual e presença de palco.

TRT: Mas o foco é sempre fazermos o que gostamos, entretendo o nosso público.

E o futuro da banda em Brasília?

GV: Nós tivemos um crescimento considerável no último ano, mas ainda queremos fazer mais e ajudar bastante a "cena" de Brasília.

TRT: Olhando para o futuro em Brasília, encontramos um mercado limitado e pensamos em algo mais amplo para a banda...

Algum recado final?

Agradecemos a oportunidade e parabenizamos vocês pela iniciativa.

A nossa agenda esta disponível no Fotolog e, em breve, nosso novo single poderá ser ouvido no MySpace.

PS: O Vitoka é muito mais que um rostinho bonito. É um guitarrista excelente!

sábado, 19 de junho de 2010

State of Love and Trust

Na última quarta-feira, os estadunidenses do The Gaslight Anthem compareceram ao programa do comediante Jimmy Fallon, na NBC. A apresentação contou com um cover de "State of Love and Trust", famoso lado B do Pearl Jam e favorita deste blogueiro. O (bom) resultado você confere abaixo:


A manhã vai ao ar uma entrevista exclusiva com a banda candanga Hellena realizada por nosso colaborador Boss Matsumoto. Aguardem.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O fim de Lost (ou a decepção da década)


Cuidado: Contém spoilers, muitos spoilers!

Raramente saio do tema musical aqui no Rock N Cigarettes, mas não posso deixar de falar sobre o final de Lost, que foi ao ar na TV americana no último domingo e será exibido no Brasil na noite de hoje. A série tem sido onipresente na internet nos últimos dias e o episódio final é tratado como as eleições norte-americanas em blogs, sites e até jornais impressos. Para se ter noção da expectativa em torno do episódio de 2h30, houve até transmissão ao vivo e sem legendas com comentários em tempo real de 'especialistas' na página inicial do UOL, o maior portal da internet brasileira.

Além do impacto (inédito?) que a série teve na mídia, acompanho as aventuras dos losties na misteriosa ilha há seis anos e não pude deixar a expectativa e a decepção de lado ao assistir 'The End', capitulo final da saga dos acidentados do vôo Oceanic. Acredito que ao avaliar uma obra cultural ou de entretenimento, é necessário separar dois aspectos: o gosto e a qualidade. Gosto, você já sabe, cada um tem o seu, mas a qualidade pode ser avaliada por critérios e argumentos um pouco mais objetivos. Sobre o final de Lost, não gostei, nem acho que foi bom, qualitativamente falando.

Não gostei por uma razão bem simples. Diferente de muitos fãs por aí, eu não tenho o menor interesse se a Kate terminou a série com Jack ou com Sawyer. Não ligo se o Hurley ficou em paz e também não me emocionei ou chorei ao ver os personagens tendo flashbacks e se reconhecendo no purgatório, limbo, ou que quer que queiram chamar. Há seis anos comecei a assistir um seriado de ficção cientifica, cheio de mistérios sobrenaturais, suspense de deixar arrepiado e questões sobre física, e terminei assistindo uma novela romântica, cafona e melosa, cheia de clichês narrativos e redenções espirituais. Invés de monstros assustadores que ninguém vê, ursos polares em uma ilha tropical e uma escotilha que deixava o mundo exterior de quarentena, vi um bebê nascendo, casais se beijando em câmera lenta e uma luz para o céu, ou algo do tipo. Detestável.

Em relação à qualidade do episódio final, também não acho que ele esteja à altura do restante da série. Muitos têm argumentado em fóruns, blogs e sites por aí que responder a todas as perguntas da série seria impossível e que um final aberto se encaixa muito melhor no estilo de Lost. Discordo. Acho que no que diz respeito à mitologia e questões essenciais, o que vimos não foi um final aberto, foi um não-final. Os roteiristas simplesmente fugiram, escaparam de dar respostas a questões que impulsionaram a trama dos episódios, temporadas e da série como um todo. Isso não é um final aberto. Ao não responderem quase nada, os roteiristas mostraram não serem capazes de amarrar todas as pontas de uma intrincada trama que desenvolveram ao longo de seis anos. Todo o tempo em que criavam mistérios e situações angustiantes, eles estavam tão perdidos quanto os fãs ou os próprios personagens. No meu entendimento, isso caracteriza um final de série ruim. Muito ruim.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O que é 'punk' para você?


A vinda do Green Day ao Brasil tem criado algumas discussões sobre o estado do punk. Nessa semana foi a vez de Luciana Tofollo, colunista do mega-site de cultura pop Omelete expressar suas opiniões sobre o stutus (pop) punk da banda californiana. Como bom apreciador de discussões musicais que não chegam a lugar algum, esse blogueiro fez questão de discordar da autora através dos comentários do site. Como achei a coisa toda interessante, reproduzo abaixo alguns dos melhores argumentos da conversa. Em azul, as considerações da Luciana e em preto, as minhas:

O Green Day vem pra cá. E tem pessoas nutrindo uma baita expectativa por isso. Eu nunca entendi fãs de Green Day. Pra mim sempre foi tão claro que a banda é de uma pobreza gritante e que, se fez sucesso, foi só por uma questão de oportunismo, que é complicado tentar compreender.

Dookie, do qual saíram “Basket Case”, “Welcome to Paradise”, “She” e “When I Come Around”, foi lançado em 1994, mesmo ano em que Kurt Cobain cometeu suicídio, o grunge, naturalmente, dava seus suspiros finais, e toda a leva anterior de excelentes bandas como Faith No More, Red Hot Chili Peppers e Jane´s Addiction lançavam seus álbuns mais fracos.

Então eu entendo que, em um vácuo desses, tenha sobrado uma brecha para o Green Day. Fazendo um paralelo com a música atual: quando tudo está mais do que diluído e que Justin Bieber, a família Restart e os artistas oriundos de reality shows tomam conta das paradas, não tem escapatória... corre pro Green Day. Entendo. O que não dá para entender de forma alguma é chamar o som redondinho dos caras de punk. “Ah, mas eles têm atitude punk”. Cadê? No musical da Broadway? Gostem de Green Day, ok, mas pelo amor de Joey Ramone, deixem a palavra "punk" longe de uma frase que tenha o nome do trio.

Ficar discutindo se os caras do green day são punks e se o som deles é punk rock é pura perda de tempo. Já era uma discussão besta em 1994. O fato é que acho a banda muito boa. Billie joe é um puta compositor de canções pop, que continuam excelentes mesmo quando tocadas ao piano (como fez o Weezer) ou com arranjos bluegrass.

Os dois primeiros álbuns da banda foram lançados originalmente pela Lookout Records, gravadora independente da bay area de San Francisco, que também revelou outros bons artistas de pop punk, como the Queers, Groovie Gouhlies e The Muffs. Assim como o Rancid e o Operation Ivy, o Green Day começou a carreira tocando no clube 924 Gilman, o CBGB's da bay area, que é gerido coletivamente sem fins lucrativos e onde só tocam artistas independentes, muitos ligados ao punk rock.

Por último, a banda realmente se insere na cena californiana de retomada do punk/hardcore [como havia sido citado em outros comentários da webpage], mas foi a única que conseguiu ir muito além disso e se reinventar musicalmente a cada disco, se mantendo relevante por mais de 15 anos, ao contrário de grandes nomes punk como Dead Kennedys e Sex Pistols, que duraram pouco e só têm um disco relevante...

Dependendo do ponto de vista, qualquer discussão é perda de tempo. Mas se a gente não questionar a dita “verdade”, não saímos do lugar. Eu ainda acho que qualquer discussão, mesmo que não chegue a um consenso, serve pra iluminar a cabeça da gente, ver sob outras perspectivas que não a nossa usual. Quanto ao Green Day, já falei o que penso. Quanto ao DK e aos Sex Pistols terem só um disco relevante, primeiro: não é verdade. Segundo: pra você ver o que um punk real pode causar.

Só para esclarecer meu ponto: Sou totalmente favorável a discussões (bem argumentadas) mesmo que elas não levem a nenhuma conclusão. Só acho que discutir quem é ou não punk é um beco sem saída, já que cada um tem uma noção diferente do que é punk. Primeiro seria necessário separar punk enquanto movimento, da música a ele associada, o punk rock. os Ramones são os inventores do som punk rock, mas nunca se alinharam ao movimento punk (inglês?) no que diz respeito ao discurso (tinham muitas letras de amor, humorísticas e non-sense) ou à vestimenta, por exemplo.

Dentre as bandas punks inglesas (a turma de 77), alguns tinham atitude e visão niilista (Sex Pistols), outros se aproximaram do socialismo (The Clash e Stiff Little Fingers) e outros simplesmente cantavam sobre amor e sexo (Buzzcocks), sem falar dos anarquistas. Quem aí é punk? Não me atrevo a dizer. Só sei que eram todos 'punk rockers', que atingindo ou não reconhecimento da mídia e do público, faziam um tipo de música urgente, que expressava as idéias e sentimentos dos jovens da época. Todos também começaram 'fazendo eles mesmos', em um circuito musical underground.

Parece bastante com a história do Green Day, não é? Cuja música em uma primeira fase lembrava bastante Ramones, Buzzcocks, Stiff Little Fingers e Husker Dü. Após 20 anos, os horizontes musicais da banda se alargaram e foram muito além, assim como fez o The Clash a partir do clássico 'London Calling'. Punks? Punk rockers? Jello Biafra é mais punk do que Joe Strummer (líder do The Clash, filho de diplomata, que adorava reggae, rockabilly e compositor do hit pop 'Should I Stay Or Should I Go')? Menos radicalismo, por favor. Não vamos ser a policia do punk, que define quem deve ou não ser considerado punk 'de verdade'.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Green Day em Brasília



A Mondo Entretenimento e o site oficial do Green Day confirmaram nessa segunda-feira as datas da turnê brasileira do trio estadunidense e, surpreendentemente, a capital está na lista de cidades contempladas. Dia 17 de outubro a banda se apresentará aos candangos em local ainda a ser definido. Antes, tocam em Porto Alegre e no Rio de Janeiro. Depois partem para São Paulo, Lima (Peru), e San Jose (Costa Rica). Como de costume, os locais das apresentações no Rio e em SP já estão definidos, assim como os preços dos ingressos e locais de venda. Em Brasília e Porto Alegre o mistério deve continuar por mais algum tempo.

Confesso ficar desconfiado quando começa a se falar sobre Brasília ter entrado de vez no circuito de shows internacionais. Verdade que a grande quantidade de shows dos últimos meses indica uma mudança de status da capital, mas tendo a pensar que se trata apenas de uma onda passageira, dado o pequeno número de produtores locais profissionais, a inexistência de casas de show realmente apropriadas e até o contingente populacional de nossa cidade, se comparada à Rio ou São Paulo. No entanto, a confirmação de uma apresentação com o peso do Green Day para daqui a tantos meses pode ser indicio do contrário. Tomara.

De qualquer forma, esse blogueiro é presença garantida no evento, seja qual for o (com certeza caríssimo) preço das entradas e o local improvisado para o show. Também torço para que a produção se mire na apresentação dos escoceses do Franz Ferdinand e evite a separação de público entre ricos e pobres, mortais e pessoas-muito-importantes, que nada tem a ver com o espírito do rock n roll e com a história do trio pop punk da Califórnia. Como antigo fã da banda, também torço para que o show seja uma retrospectiva da longa carreira do Green Day, em vez de focado no último álbum dos caras. Tanto pelo fato de nunca terem tocado em Brasília (e não darem as caras no Brasil desde 1998), quanto por minha preferência pelo som que o grupo fazia nos anos 90.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

domingo, 4 de abril de 2010

Tim Barry e os punks caipiras


A banda punk estadunidense Avail pode nunca ter oficialmente acabado, mas o compositor Tim Barry definitivamente seguiu em frente, e nos últimos anos tem se dedicado integralmente a seu projeto solo, cujo primeiro trabalho data de 2004. Assim como seus colegas Greg Grafin (Bad Religion), Nikola Sarcevic (Millencolin) e Chuck Ragan (Hot Water Music), Barry investe no gênero que se convencionou chamar de “americana”. Trata-se de uma mistura de folk e country com pitadas de blues, rock e qualquer outro ritmo originário dos campos dos EUA rural. Muito em razão de sua voz, o trabalho do vocalista do Avail lembra bastante o do ex-membro do Hot Water Music, como se pode conferir no player abaixo, disponibilizado pela gravadora do cara, a Suburban Home, em razão do lançamento de 28th & Stonewall, sexto álbum solo de Barry. Bem distante do som de sua banda, mas bastante interessante.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Gaslight Anthem e Stone Temple Pilots lançam músicas novas na web


Os estadunidenses do Gaslight Anthem liberaram ontem a música-título do seu próximo álbum, American Slang, que tem lançamento previsto para o dia 15 de junho. A faixa será a primeira das 10 músicas do disco, e segue o mesmo clima do lançamento anterior dos caras, The ’59 Sound, de 2008 (listado como um dos melhores do ano por esse blog). Se American Slang, o disco, foi citado como um dos lançamentos mais esperados de 2010 pela Rolling Stone gringa, "American Slang", a música, só reforça a expectativa dos fãs do quarteto de New Jersey. Escute aqui a música.

O dia de ontem marcou também a volta do Stone Temple Pilots. Visto por muitos como uma mera cópia das bandas grunge de Seattle, o quarteto californiano teve vários (ótimos) hits nos longínquos anos 90 e pode nunca ter lançado um álbum clássico que ficará para a história do rock, mas é dona de um dos melhores Best Of da coleção deste blogueiro.

A faixa que pode ser ouvida no site da banda é “Between The Lines”, que abrirá o novo álbum da banda, auto-intitulado, o primeiro lançamento desde Shangri-La Dee Da, de 2001. O som é bem pesado e lembra bastante músicas da melhor fase da banda, ainda na primeira metade da década retrasada. O mais ousado, porém, é Scott Weiland cantar um verso como “we used to take drugs”. Vamos ver se a fase junkie está mesmo no passado do vocalista, que rivaliza apenas com Pete Doherty em número de rehabs e prisões por porte de drogas.

terça-feira, 23 de março de 2010

Against Me! – White Crosses (2010)

Se você, leitor do blog, é um dos admiradores da fase acústica do Against Me!, e ficou chocado com os últimos lançamentos da banda americana, não chegue perto de White Crosses, novo álbum dos caras. Nos últimos anos, o quarteto da Florida parece ter se auto-designado uma missão: assustar os fãs mais antigos disco após disco. Primeiro os caras emularam Bob Dylan e eletrificaram seu folk-punk. O passo seguinte foi assinar com uma grande gravadora, jogando para o alto a história anarquista de Tom Gabel. Agora a banda se entrega ao pop rock, deixando um pouco de lado até os tradicionais gritos roucos do vocalista.

Mas se você ainda está lendo esse texto, há chances que também venha a escutar o álbum mais de uma vez, e passada a surpresa, fica mais fácil avaliar as qualidades e defeitos de White Crosses, que está longe de ser um disco ruim. "White Crosses", a música, abre o álbum e dá o tom: não há dúvidas que se trata do som do Against Me!, mas a primeira referencia que vem a cabeça é “Borne On The FM Waves”, do disco anterior, New Wave. Não há aqui a voz doce de Tegan Quin, mas é tudo bastante radio-friendly.

“I Was a Teenage Anarchist” mantém o pique pop e provoca ainda mais os fãs com sua letra, na qual Gabel se lembra de sua fase de adolescente anarquista, como se ela fizesse parte de um longínquo passado. O tom é confessional, mas a critica ao radicalismo e à mentalidade fechada do movimento lembra o desencanto do NOFX com a esquerda cantada em “The Marxist Brothers”. Se Gabel diz que a revolução era uma mentira, Fat Mike já havia dito, com o humor ácido pelo qual é conhecido, que a revolução se resumiria a um podcast.

Após tamanho rompimento com o passado, o quarteto está livre para experimentar o que bem entender em termos musicais, e assim faz ao longo das oito faixas restantes de White Crosses. “Because Of The Shame” tem teclados em abundancia, assim como “We're Breaking Up”, que como o nome sugere, é uma balada sobre o fim de um relacionamento. Ainda mais lenta e pop é “Ache With Me”, que conta com um arranjo de cordas ao fundo e soa quase brega. Já “High Pressure Low” é relativamente dançante e surpreende com seu baixo roubado de New Order. Apenas a curta e boa “Rapid Decompression” lembra o punk rock de outrora, deixando um gostinho de quero mais nos antigos admiradores da banda.

Se a atitude punk consiste em não dar a mínima para o que críticos e até mesmo fãs vão dizer, e fazer apenas ao que lhe interessa, não há dúvidas de que Tom Gabel é um punk de verdade. Mas também é verdade que o som de sua banda se afasta cada vez mais do punk rock, para o bem ou para o mal. Com White Crosses, o vocalista se mostra um excelente compositor de rock, que não se prende a subgêneros ou ao seu próprio passado, mas pode deixar uma montanha de órfãos de um tipo de som original que colocou o Against Me! no mapa musical e redeu trabalhos memoráveis ao longo da década que se encerra.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Alkaline Trio - This Addiction (2010)

This Addiction marca a estréia do Alkaline Trio em sua própria gravadora, a Heart and Skull Records (cujo nome é uma clara alusão ao logo da banda), mas a escalada até uma major e a volta ao meio independente não tiveram uma grande influencia na evolução do som dos americanos, que vem mudando de forma gradual ao longo dos anos. Desde Crimson (2005), a banda tem flertado com o rock gótico e o pop sem nunca deixar de lado o punk rock que conquistou tantos fãs no início de sua carreira. O novo álbum é apenas mais um capítulo desse processo.

A novidade fica por conta de uma volta à simplicidade de outrora, em oposição à produção excessiva dos últimos dois discos. A maior parte das músicas de This Addiction foi gravada com poucos instrumentos e sem muitos efeitos de estúdio, mas isso não significa que essas canções sejam mais pesadas que as de Agony & Irony (2008) nem tão rápidas e sujas quanto àquelas de Goddamnit (1998). Após tantos anos na estrada, o Trio não teve medo de lançar uma coleção de músicas que, apesar do instrumental roqueiro, são essencialmente pop, ainda que não na concepção radiofônica do termo.

As duas faixas mais empolgantes do lançamento são justamente as que abrem This Addiction, a faixa-título e "Dine, Dine My Darling", trocadilho espirituoso para o punk rock direto do baixista Dan Andriano, que mantém o pique e o refrão chiclete da canção anterior. "The American Scream" e "Piss And Vinegar" seguem a mesma linha e, espalhadas pelas 11 faixas do álbum, não deixam o ritmo diminuir muito. Entre as músicas mais lentas estão as boas "Dead On The Floor", "Off The Map" e "Fine", que fecha o álbum. Já "Dorothy" poderia estar em Crimson com seu clima meio dark, mas cheia de guitarras.

Ainda que não seja um álbum fora das fronteiras já conhecidas pelos fãs da banda, This Addiction também guarda suas surpresas. "Lead Poisoning" conta com trompetes muito bem colocados e integrados ao instrumental pop rock que conduz a canção, e "Eating Me Alive" vai além do terreno experimentado por "I Found a Way" no disco anterior e abusa de teclados e batidas dançantes, fazendo do Alkaline Trio uma espécie de Killers do inferno. Da mesma forma que em Agony & Irony, as letras de Matt Skiba e Dan Andriano estão um pouco menos afiadas e assustadoras, mais o temas continuam os mesmos. Se há algum ponto realmente negativo no disco é a sua curta duração, o que também pode ser considerado um elogio.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Wood & Stock

Sem grande novidade: O clássico festival de Woodstock ficou quarentão no último final de semana. Todas as TVs, revistas e sites da web lembraram o mundo sobre o festival de música e artes, pai de todos os grandes festivais de verão do hemisfério norte. Woodstock, que aconteceu entre 15 e 17 de agosto de 1969, em uma fazenda em Bethel, no estado de Nova York, foi o evento definitivo da cultura hippie e deu origem a um famoso documentário e a duas continuações, em 1994 e em 1999.

Para quem não se lembra, esse último foi aquele que terminou em uma bela confusão com fogueiras gigantes decorando a noite enquanto os Red Hot Chilli Peppers mandavam... “Fire”, de Jimmy Hendrix. Em outros tempos, o momento ficaria para história, mas a beira do novo milênio, o incidente causou o cancelamento do projeto comemorativo qüinqüenal.

Isso tudo vocês já sabem, mas o que a maioria dos veículos esqueceu é que o filme da Ang Lee que conta a história do festival vai estrear muito em breve, no próximo dia 28 de agosto. Nos EUA, é claro. Em terras brasileiras só no ano que vem, em 15 de janeiro, quando todo mundo já tiver baixado o troço e visto 12 vezes com os amigos, possivelmente fumando um baseado.

De qualquer forma, o trailer (esse aí em baixo) de Taking Woodstock (esse é o nome) é muito bom e promete duas horas bem divertidas. O filme conta a história de Woodstock pelos olhos de Elliot Tiber, uma garoto de 20 e poucos anos, que quando escuta falar da impossibilidade da realização do festival e uma área próxima, convida o evento a se instalar na fazenda dos pais, cujo motel está a beira da falência. 3 semanas depois, meio milhão de hippies estão acampados no quintal da família, fazendo história. Assiste aí:


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crying Lightning

Esse aí em baixo é o novo e esquisito vídeo dos ingleses do Arctic Monkeys para Crying Lightning, o primeiro single do novo álbum dos caras, Humbug. O disco chegará as lojas físicas e virtuais no próximo dia 25 de agosto, mas a música de divulgação já circula pela internet há algum tempo.

Produzida pelo dono do Queens Of The Stone Age, Josh Homme, a faixa pode assustar alguns fãs do quarteto em suas primeiras audições. A produção de Homme não acrescentou mais peso a música dos Monkeys, mas trouxe o lado mais stoner rock, viajadão, da banda estadunidense para o som dos ingleses, evidenciado pelo novo – e horroroso – penteado do vocalista e compositor Alex Turner.

Com uma linha de baixo muito boa e um refrão pegajoso, a faixa vai conquistando os ouvintes aos poucos. A mudança nos vocais de Alex Turner, entretanto, é mais difícil de engolir. Não que ele cante mal em Crying Lightning – muito ao contrario – mas o jeitão meio falado de narrar os contos da noite britânica que marcou os outros dois álbuns dava uma identidade própria aos Monkeys e fazem falta aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Spinnerette – Spinnerette (2009)

As fotos, as entrevistas e o EP que antecederam o lançamento do primeiro álbum do Spinnerette já avisavam aos fãs da vocalista e compositora Brody Dale que não esperassem por um novo trabalho do Distillers com outro nome, mas ainda assim o disco auto-intitulado pode surpreender alguns. Spinnerette começa com as batidas dançantes de “Ghetto Love”, também presente no EP de mesmo nome lançado no final de 2008.

As referencias mais óbvias são o rock eletrônico do Garbage e o stoner rock do Queens Of The Stone Age, do marido da vocalista. Em maior ou menor doses, essas são influencias presentes em todo trabalho, que também não deixa de lembrar um pouco o Distillers, em razão principalmente da voz marcante de Brody. As músicas em que isso fica mais evidente são “All Babes Are Wolves” e “Rebellious Palpitations”.

Já “The Walking Dead “ lembra muito Garbage e “Geeking” tem um feeling de Joan Jett, apesar de todos os efeitos que enchem o disco do início ao fim. Aparentemente, a banda esteve mesmo determinada durante o longo processo de produção do trabalho a experimentar bastante com distorções, batidas eletrônicas teclados e backing vocals.

É exatamente isso que unifica músicas tão diversas e possibilita a convivência de faixas pesadas e soturnas como “Cupid”, “A Spectral Suspension” e a assustadora “Distorting A Code”, com canções mais alegres e dançantes como oitentista “Baptized By Fire” e “Sex Bomb”, que lembra Sleater-Kinney e Elastica. Mas a melhor faixa do disco é “Driving Song”, um stoner rock com baixo sujo, ao mesmo tempo pop e roqueira.

Essa união de subgeneros é o que parece definir o Spinnerette, que além de Brody, conta com Tony Bevilacqua (guitarrista da última formação dos Distillers) e quem quer que esteja com eles no momento da gravação ou turnê. Talvez também por isso, Spinnerette é mais uma bela colcha de retalhos de diversas influencias do que algo realmente original. Também não é tão viciante quanto o Distillers era, mas não deixa de ser um álbum divertido e capaz de animar algumas festas de rock por aí.

Coasters and frisbees

Tony Aiex, do blog Tenho mais discos que amigos! fez um post legal sobre o novo álbum do NOFX, esse resenhado aí em baixo. Lá ele detalha com várias fotos todo o conceito-piada-auto-depreciativa dos porta-copos (coasters) e frisbees que permeia o lançamento do CD (Coaster) e do LP (Frisbee) da banda. E tem ainda uma promoção legal que vai sortear um CD extra exclusivo e numerado, além de um podcast falando sobre o lance todo. Vale a pena conferir, só não vale colocar o prêmio em baixo de um copo de bebida.