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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A invasão das ex-bandas em atividade


Na última quarta-feira, Marco Aurélio Canônico postou no blog da Ilustrada (o caderno de cultura da Folha de S. Paulo) uma previsão do setlist que o Smashing Pumpkins deve apresentar no Brasil em novembro, dentro do festival Planeta Terra. O repórter não chuta nada, apenas comenta sobre um show da atual turnê da banda que presenciou na mesma semana em Nova Iorque, e relata que a apresentação é focada no ultimo projeto dos estadunidenses, Teargarde by Kaleidyscope, cujas canções vêm sendo lançadas on-line gradativamente, como vem fazendo os britânicos do Ash em seu A-Z Series. Mais interessante, no entanto, é a comparação que Canônico faz entre os vários shows da banda que já viu. A melhor parte é essa abaixo:

É curioso notar como a postura de Billy Corgan no palco mudou, certamente um reflexo de tudo que aconteceu na sua conturbada vida e carreira até aqui. Se no show de 1996 ele encarnava totalmente o espírito "despite all my rage I'm still just a rat in a cage" (a cabeça raspada como uma mensagem, assim como o zero que ele vestia, uma mistura de raiva e depressão) e personificava cada letra de suas músicas, atualmente ele parece um "tio" careca que acompanha uma banda de jovens admiradores, meio abobalhado, sem foco, talvez tentando fazer a linha "disarm you with a smile" - fala algumas gracinhas sem graça, algumas coisas desconexas, alguns "God bless", pede desculpas aos fãs "old school", diz que é um "marionete" que faz o que platéia mandar... enfim, um personagem bem menos interessante e carismático.

Pode parecer repetitivo para os poucos que acompanham o blog regularmente, mas não me canso de comentar sobre as ex-bandas em atividade. Infelizmente, o Smashing Pumpkins de 2010 parece se encaixar perfeitamente na categoria. Sabidamente, o quarteto de Chicago acabou em 2000, depois de ter lançado seu 5º álbum, o pesado Machina/The Machines of God, já sem a baixista D'arcy Wretzky. Após o fracasso de seu novo projeto, o supergrupo Zwan, que lançou apenas um disco, o vocalista e compositor Billy Corgan decidiu reativar os Pumpkins, sem o guitarrista James Iha ou Melissa Auf Der Maur, ex-baixista do Hole que havia substituído D'arcy. Hoje, nem mesmo o baterista Jimmy Chamberlin está mais na formação da banda, que se tornou um projeto solo de Corgan, tal qual o Guns N Roses do egocêntrico Axl Rose e o Hole da eterna viúva de Kurt Cobain, Curtney Love.

Em 2010, todos são ex-astros que se recusaram a virar uma página de suas vidas e seguir com novos projetos musicais, em grupo ou sozinhos, e se aproveitam de uma marca da qual são donos para chamar um pouco a atenção da mídia e dos fãs das bandas das quais faziam parte há 15 ou 20 anos. O resultado só podem ser discos novos esquecíveis e apresentações ao vivo nostálgicas, que tentam emular a magia de um passado cada vez mais distante. Podem até ser shows bons, apesar do novo material, se sua intenção for apenas celebrar grandes músicas do passado, mas na verdade, se parecem mais com bandas cover de si mesmas (com músicos contratados, que em geral tem a metade da idade do frontman em questão) do que com os grupos relevantes que já foram um dia.

Mais engraçado (ou triste) ainda é o caso do Sublime, ou Sublime with Rome, como tem que ser chamada agora, por força judicial, a banda californiana que mistura punk rock, ska, reggae e rap, e que apresentara no festival SWU em outubro. Se nos casos citados anteriormente, os vocalistas, compositores e donos das bandas resolveram usar o nome famoso de seus ex-grupos para chamar atenção e continuar ganhando dinheiro com shows pelo mundo afora, aqui os integrantes de uma banda conhecida também resolveram voltar a fazer um dinheirinho com as músicas lançadas há 15 anos atrás, mas sem o vocalista, compositor e guitarrista. Bradley Nowell morreu em 1996, meses antes do lançamento do 3º álbum (e maior sucesso comercial) do Sublime, vitima de uma overdose.

Pouco importa se o garoto Rome Ramirez é um vocalista ou compositor talentoso. Ver o Sublime sem Brad Nowell seria como ver, em pleno 2010, um show do Nirvana sem Kurt Cobain, morto há 16 anos. Na verdade, é ainda pior, já que o baterista Bud Gaugh está muito, mas muito longe de ser um Dave Grohl. Para piorar, a manobra caça-níqueis foi questionada na justiça pelos herdeiros do ex-vocalista do Sublime, e o projeto foi proibido de usar o nome da antiga banda em suas apresentações, daí o nome Sublime with Rome. O negócio todo se torna ainda mais absurdo se o leitor se lembrar que após o fim da banda de Los Angeles, Bud Gaugh e o baixista Eric Wilson formaram junto com vários outros maconheiros californianos o bom Long Beach Dub All-Stars, que lançou dois álbuns muito respeitáveis. Mas sem o nome famoso, o sucesso comercial não veio, o dinheiro foi acabando e a exploração da nostalgia dos fãs se tornou a opção mais lucrativa. Pelo menos bandas como Pixies e Pavement têm a coragem de deixar claro que não pretendem lançar material novo e querem apenas tocar seus sucessos por aí. E com a formação original, que realmente criou o material que executará ao vivo, o que também faz uma grande diferença.

terça-feira, 25 de maio de 2010

O fim de Lost (ou a decepção da década)


Cuidado: Contém spoilers, muitos spoilers!

Raramente saio do tema musical aqui no Rock N Cigarettes, mas não posso deixar de falar sobre o final de Lost, que foi ao ar na TV americana no último domingo e será exibido no Brasil na noite de hoje. A série tem sido onipresente na internet nos últimos dias e o episódio final é tratado como as eleições norte-americanas em blogs, sites e até jornais impressos. Para se ter noção da expectativa em torno do episódio de 2h30, houve até transmissão ao vivo e sem legendas com comentários em tempo real de 'especialistas' na página inicial do UOL, o maior portal da internet brasileira.

Além do impacto (inédito?) que a série teve na mídia, acompanho as aventuras dos losties na misteriosa ilha há seis anos e não pude deixar a expectativa e a decepção de lado ao assistir 'The End', capitulo final da saga dos acidentados do vôo Oceanic. Acredito que ao avaliar uma obra cultural ou de entretenimento, é necessário separar dois aspectos: o gosto e a qualidade. Gosto, você já sabe, cada um tem o seu, mas a qualidade pode ser avaliada por critérios e argumentos um pouco mais objetivos. Sobre o final de Lost, não gostei, nem acho que foi bom, qualitativamente falando.

Não gostei por uma razão bem simples. Diferente de muitos fãs por aí, eu não tenho o menor interesse se a Kate terminou a série com Jack ou com Sawyer. Não ligo se o Hurley ficou em paz e também não me emocionei ou chorei ao ver os personagens tendo flashbacks e se reconhecendo no purgatório, limbo, ou que quer que queiram chamar. Há seis anos comecei a assistir um seriado de ficção cientifica, cheio de mistérios sobrenaturais, suspense de deixar arrepiado e questões sobre física, e terminei assistindo uma novela romântica, cafona e melosa, cheia de clichês narrativos e redenções espirituais. Invés de monstros assustadores que ninguém vê, ursos polares em uma ilha tropical e uma escotilha que deixava o mundo exterior de quarentena, vi um bebê nascendo, casais se beijando em câmera lenta e uma luz para o céu, ou algo do tipo. Detestável.

Em relação à qualidade do episódio final, também não acho que ele esteja à altura do restante da série. Muitos têm argumentado em fóruns, blogs e sites por aí que responder a todas as perguntas da série seria impossível e que um final aberto se encaixa muito melhor no estilo de Lost. Discordo. Acho que no que diz respeito à mitologia e questões essenciais, o que vimos não foi um final aberto, foi um não-final. Os roteiristas simplesmente fugiram, escaparam de dar respostas a questões que impulsionaram a trama dos episódios, temporadas e da série como um todo. Isso não é um final aberto. Ao não responderem quase nada, os roteiristas mostraram não serem capazes de amarrar todas as pontas de uma intrincada trama que desenvolveram ao longo de seis anos. Todo o tempo em que criavam mistérios e situações angustiantes, eles estavam tão perdidos quanto os fãs ou os próprios personagens. No meu entendimento, isso caracteriza um final de série ruim. Muito ruim.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Gosto não se discute?

A música é uma arte que pode ser aprendida e cultivada. Se alguém não gosta de determinado gênero musical, é preciso primeiro verificar se ele conhece esse gênero. E para conhecer um gênero de música mais elaborado nem sempre é suficiente ouvi-lo só uma ou duas vezes. Há linguagens musicais com sintaxes complexas que só são compreendidas mediante análise, exatamente como acontece com os textos escritos.

Aliás, existe uma nítida relação entre o hábito de ler com os gêneros mais elaborados de música. Só se tem prazer pela leitura quando se entende o que lê. Da mesma forma, a música também requer um esforço grande por parte do ouvinte, para que se possa entender a linguagem, as mensagens e, a partir daí, aprecia-la.

Sendo assim, os gêneros de música mais elaborados como o jazz e a bossa nova, entre outros, muitas vezes não são apreciados pela maioria de pessoas, simplesmente porque elas não os compreendem. É por isso que a música de Tom Jobim e a de Ray Charles podem não ser apreciadas por quem não teve educação musical ou não viveu em ambiente cultural que favorecesse o contato com esses gêneros.

No entanto, qualquer pessoa que não esteja acostumada a ouvir determinada música popular mais sofisticada, ou até mesmo a música erudita ou clássica, pode descobrir a beleza que há nesses gêneros, bastando para isso algum esforço, paciência, além de procurar se livrar de um certo preconceito comum de quem “não ouviu e não gostou”.

Fazer uso da premissa de que “gosto não se discute” para classificar uma obra musical como ruim é, além de simplista, desconhecer que a música apresenta harmonias, melodias, e várias outras questões técnicas que devem sim ser discutidas e compreendidas antes de serem julgadas.

É difícil alguém ouvir o violão e a voz de João Gilberto com atenção, por diversas vezes e em silêncio, e não gostar do que ouviu. Mas não é impossível. Há quem conheça o trabalho dele e não goste, não se identifique. No entanto, deve-se reconhecer a qualidade e a virtuosidade de seus trabalhos. Também há quem não goste da pessoa de João Gilberto, porque nem sempre é fácil separar o artista de sua obra, mas isto é uma outra história.

O que cabe finalmente destacar é que é possível se educar para a música e que a música é uma arte que deve ser cultivada por todos, com enormes benefícios para os indivíduos e para toda a sociedade. 

Eduardo Beraba Villarim

quinta-feira, 26 de março de 2009

O rock-de-jornalista



Há alguns dias, Marco Aurélio Canônico, jornalista da Folha de S. Paulo, perguntou no Blog da Ilustrada porque até sexta-feira passada os ingressos para os dois shows do Radiohead em SP e no Rio não tinham esgotado. Mais especificamente, ele levantou duas hipóteses: Seria por causa do alto preço dos ingressos, ou seria o Radiohead um fenômeno apenas midiático, mas não de público?

A conversa me lembrou o artigo da MTV americana citado no post abaixo sobre o “rock de jornalista”. Não, eu não acho que o Radiohead seja apenas isso. Na verdade, não acho nem que tenha sido um fracasso de público. 30 mil pessoas vendo uma banda de sonoridade tão “difícil” quanto o Radiohead não é um fracasso em lugar nenhum do mundo.

Mas para o bem da discussão, vamos supor que muitos esperavam uma corrida desesperada pelos ingressos, que se esgotariam em poucos dias. Dessa forma, acho sim que R$ 200 é um preço proibitivo para muita gente. Entendo todas as despesas que os produtores tem para trazer uma banda gringa e montar um show desse porte. Ainda assim, muita gente potencialmente interessada simplesmente não tem R$ 200 para gastar em 2 horas de rock.

Isso dito, no mesmo final de semana o Iron Maiden levou 25 mil pessoas para o estádio Mané Garrincha, aqui em Brasília. Estamos falando de uma região metropolitana de 3 milhões de habitantes, contra os 12 milhões do Rio e os 18 milhões de São Paulo. E os preços também não estavam ajudando os metaleiros ingleses. Pessoalmente, curto mais o Radiohead do que a Dama de Ferro, mas é impossível negar que o segundo tem muito mais público do que o primeiro.

Por que então o Radiohead tem muito mais espaço na mídia do que o Iron Maiden? Porque o chamado indie rock aparece quase diariamente nos cadernos de cultura dos jornais brasileiros e o heavy metal ou o punk rock são relativamente ignorados? E por que o rock, ouvido por uma parcela percentualmente pequena do público brasileiro, tem muito mais espaço na mídia do que a MPB, o samba, o forró, o sertanejo ou o axé?

Obviamente não estou falando de programas televisivos de entretenimento, que estão se lixando para o rock, mas de matérias jornalísticas nos jornais e revistas considerados sérios. Como fã de rock, eu gostaria de ler mais e mais sobre meu estilo musical favorito, mas como jornalista, tenho que questionar se é correto pautar os meios de comunicação segundo nossos gostos pessoais.

Por outro lado, o jornalismo musical sempre foi um fenômeno muito atrelado ao rock n roll, desde os anos 60. Também não estou sugerindo que revistas de rock deixem se dedicar ao estilo e abracem o axé, ou o country, no caso das publicações estadunidenses. Mas se tanta gente lota shows de música sertaneja e forró por todo o país, por que não existem revistas e matérias de jornal dedicadas a esse público? Será que simplesmente não há interesse, ou os jornalistas seriam elitistas? Muitas perguntas para um texto só, não é? Alguém aí acha alguma coisa?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Novidades do Green Day, Rancid e Blink 182


Essa aí em cima é a capa do novo disco do Green Day, 21st Century Brakdown, que será lançado em maio. Confesso que achei a imagem mais ou menos. Aparentemente o álbum é dividido em 3 “atos”: Heroes And Cons, Charlatans And Saints e Horseshoes And Handgrenades, com várias músicas cada. Trata-se, portanto, de outra opera rock, mas ao que tudo indica não tem qualquer conexão com o disco anterior da banda, American Idiot.

A revista estadunidense Alternative Press já havia publicado uma matéria com a banda em dezembro do ano passado. Na ocasião, tiveram a oportunidade de escutar algumas das faixas do disco novo, sobre as quais teceram comentários mais ou menos elogiosos. Procurem os scans por aí, vale a pena. Se o Green Day não se perder em suas próprias pretensões, 21st Century Brakdown tem tudo para ser um dos principais lançamentos do ano, mesmo após tanto tempo longe da mídia.

2009, aliás, parece que vai ser bastante agitado para os fãs de pop-punk-rock-hardcore-e-afins. Sem lançar nada desde 2003, o Rancid está terminando as gravações de seu próximo trabalho, que tem produção de Brett Gurewitz, o famoso guitarrista do Bad Religion e dono da Epitaph Records, gravadora que definiu uma geração do rock underground dos EUA. 

Mr Brett já havia produzido o 2º álbum homônimo da banda, em 2000. Na época o trabalho impressionou por ser o mais sujo e rápido do quarteto. Esse novo disco será o primeiro do Rancid sem o baterista Brett Reed, que deixou a banda há alguns anos e foi substituído por Branden Steineckert, que tocava na banda emo The Used.

A outra novidade que está mexendo com os fãs é a volta do Blink 182. O trio anunciou sua volta no último domingo na emtrega dos prêmios Grammy, que todo mundo sabe do que se trata (o Oscar da indústria musical e blá, blá, blá). A banda prometeu novidades para o próximo verão gringo, o que significa provavelmente uma turnê em junho ou julho. Eles também vão gravar outro disco, mas ninguém sabe se sai ainda esse ano. Pouco provável. Nada como uma tragédia pra unir as pessoas, certo? Geoge W Bush sabe bem como funciona.

Mas mau humor a parte, o disco cria grandes espectativas, após a recepção morna aos trabalhos do Angel And Airwaves de Tom DeLonge, e do +44 de Mark Hoppus e Travis Barker. Para mim, o AVA se encaixa perfeitamente naquela onda que falei do Green Day de se perder nas próprias pretensões. O +44 eu acho um pop-indie-punk bem mais honesto e divertido.

Será também curioso ver se abanda vai voltar ao velho som que os consagrou, ou vai dar continuidade às experimentações do último disco, de 2003. Sinceramente, acho que se eles tentarem repetir Enema Of The State, vão se dar mal. Eles não são mais os mesmo, a década também não. Mas espero algo melhor que o disco homônimo, que é bom, mas chato. Aliás, o excesso de expectativas é a primeira batalha que o trio vai ter que ganhar.

O site da MTV americana tem um ótimo artigo escrito pelo jornalista James Montgomery, que conta que foi um grande fã da banda quando adolescente e que esqueceu dos caras quando entrou para a universidade e virou jornalista. Ele queria ouvir um som mais adulto e mergulhou de cabeça no rock-de-jornalista. Mas a volta do Blink deixou o cara nostálgico e ele não consegue se segurar de tanta empolgação e ansiedade. O nome do artigo é “A reunião do Blink 182 vai mudar o mundo?”. São tempos messiânicos nos EUA, mas confesso que a expectativa com os três lançamentos é grande aqui no Rock N Cigarettes também.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Os Melhores de 2008

Para começar bem 2009, vamos às famosas e inescapáveis listas de melhores do ano. Ao invés de selecionar um número pré-determinado de álbuns, decidi escrever sobre aqueles discos que realmente marcaram meu ano musical, aqueles que acho que vão ficar no meu iPod por mais uns verões. Confira os sete escolhidos:

Accelerate é o melhor lançamento do R.E.M. em muitos anos. Com a “gravação mais curta da carreira” do trio estadunidense, quase todas as músicas do disco são construídas em cima de guitarra, baixo e bateria. Em menos de 35 minutos, o grupo dá seu recado e vai embora. E mostra porque é uma das maiores bandas em atividade.

O primeiro trabalho solo do ex-vocalista do Face To Face une a melancolia do título com programações de bateria (quase) dançantes, que levam o álbum para longe de um clima simplesmente depressivo. O destaque vai para as músicas “Incommunicado” e “Bleeding Out”, mas o disco merece ser ouvido cuidadosamente em sua totalidade.

Float foi o primeiro trabalho do Flogging Molly a dar o destaque necessário a cada um dos muitos instrumentos usados pela banda. O resultado é menos pesado, mas revela as ótimas composições de Dave King. Além disso, o álbum é bom do início ao fim. Não há pontos baixos ou músicas a serem puladas. Isso faz de Float um disco a ser lembrado.

Gaslight Anthem – The ‘59 Sound
A capa de The ‘59 Sound já entrega: apesar ser cria da cena punk de New Jersey, o Gaslight Anthem busca inspiração em outros cantos do rock americano, do conterrâneo Bruce Springsteen ao college rock do Replacements. Da mistura, a banda tira músicas memoráveis como “Great Expectations” e a faixa-título. Sem dúvida a melhor surpresa do ano.

The Loved Ones – Build And Burn
Build And Burn sugere uma transição para o quarteto da Philadelphia. O início do álbum é marcado por punk rocks com vocais rasgados como “Pretty Good Year”, que lembram o som de Hot Water Music e Against Me!. Progressivamente vão entrando os pianos e a distorção vai dando lugar a um feeling sulista que tem seu ápice na ótima “Loisiana”.

The Subways – All Or Nothing
O segundo disco do Subways prova que o rock alternativo dos anos 90 não está completamente esquecido. All Or Nothing soa ao mesmo tempo mais pop e mais pesado que o álbum de estréia da banda. Misturando guitar rock, grunge e um pouco de punk rock e britpop, a música do trio é mais suja, energética e ao mesmo tempo pop, que a de qualquer banda britânica da atualidade. 

Agony and Irony pode não ser o melhor trabalho do Trio, mas tem algumas ótimas músicas, como “In Vein” e “Calling All Skeletons”. Com um som mais pop que nos trabalhos anteriores, o disco também mostra que a banda tem qualidade e personalidade suficientes para sobreviver ao envelhecimento e às mudanças de gravadora.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Retração do mercado de discos atinge pequenos lojistas


Grandes cadeias não sofrem, mas fechamento das pequenas lojas deve continuar em ritmo acelerado

Nos últimos anos a queda na venda de CDs tem sido de cerca de 10% ao ano, segundo estimativas da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). No Brasil não é muito diferente e, mais do que as gravadoras, isso tem afetado os pequenos e médios lojistas do ramo. A rede de discotecas 2001, que já teve 14 lojas na cidade, deve fechar seus dois últimos pontos até o final do ano. “Nos últimos cinco anos fechamos oito lojas. Só esse ano já fechamos quatro”, explica Josenei de Sousa, gerente da loja da 108 norte.

Segundo o gerente, vários fatores são responsáveis pelo declínio do mercado. A música digital, a pirataria e o preço dos CDs são os principais. “O preço de CD é uma coisa irreal, não existe. Isso contribui com a pirataria e com os downloads de internet”, defende. Ainda segundo ele, a queda nas vendas na rede 2001 chegou a quase 70% em 2007 em relação ao pico de vendas alguns anos atrás. Josenei prevê que até o fim de 2009 Brasília não tenha mais nenhuma loja que venda exclusivamente discos. “Só lojas de departamento, como a [Livraria] Cultura e a Fnac”, complementa.

De fato, estas parecem alheias à crise. Fábio Herz, diretor comercial da Livraria Cultura diz que as vendas da cadeia não têm caído. Segundo ele, em 2007 a Cultura apresentou um aumento de 23% em número de CDs vendidos. Os recém fechados números do primeiro trimestre de 2008 são ainda mais generosos: um crescimento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado.

Herz explica a diferença entre sua loja e o mercado em geral. Segundo ele, a rede não investe em grandes lançamentos ou promoções. “A Cultura sempre esteve focada nos produtos de catálogo, temos um bom acervo de jazz, blues e música clássica”, diz. Para o diretor, ainda há espaço para os discos porque o brasileiro não tem o hábito de comprar pela internet e ainda existe o consumidor que gosta de CDs. “Outra coisa importante é o atendimento. CD é commodity, o importante é pegar o cliente pelo coração”, complementa.

Apesar da realidade conflitante, os números demonstram que a crise do mercado fonográfico é uma realidade, e Josenei de Souza atribui grande parte da culpa às gravadoras. “Elas demoraram muito pra cair na real. Se há cinco ou seis anos as gravadoras tivessem tentado baixar os preços, o mercado não teria chegado onde chegou”, defende. O gerente diz ainda que o preço médio dos CDs de cerca de R$ 30 deveria ser reduzido à metade. “Se tivesse um produto de qualidade com preço bom, as pessoas não iam correr para a pirataria”, defende.

Mas talvez o modo de consumir música esteja mudando radicalmente, independente do preço dos CDs. Josenei e Fábio Herz concordam que o público que consome discos atualmente é de alta renda e de meia idade. Existem também aqueles colecionadores, que até hoje compram discos de vinil. “O público geral consome qualquer coisa. Baixa [da internet], compra pirata, depois joga fora”, diz o gerente da 2001.

Fábio Herz diz que culpar a pirataria é simples e que ela é uma realidade em todo o mundo. Segundo ele, a Livraria Cultura não é muito afetada porque produtos piratas estão muito focados em determinados tipos de música. “Ninguém compra a 9ª Sinfonia de Beethoven pirata”, explica. Apesar disso, o diretor concorda que a forma de consumir música está mudando. Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos, o crescimento das vendas de músicas em formato digital –como o mp3- em 2007 foi de 185% em relação a 2006, somando cerca de 8% do faturamento do mercado fonográfico brasileiro.

Provavelmente devido à chamada exclusão digital o mercado brasileiro ainda é pequeno se comparado ao mercado internacional. Segundo a IFPI, o comércio de músicas digitais já é responsável por 15% das vendas da indústria musical de todo mundo, cerca de R$ 5,1 bilhões. Ainda de acordo com as estimativas da IFPI, o “mercado” de downloads considerados ilegais pela industria musical é cerca de 20 vezes maior do que o legal.

A campeã de vendas digitais em 2007 foi a cantora canadense Avril Lavigne, cuja música “Girlfriend” vendeu 7,3 milhões de arquivos. Neste cenário, os artistas estão fazendo apostas diferentes das gravadoras e lojas de discos, que não ganham nada com os downloads ilegais. Devido à possibilidade de se tornarem mundialmente conhecidos e aumentarem seus ganhos em shows e venda de merchandising, muitos artistas não vêem os downloads chamados ilegais com maus olhos. Mais do que isso, bandas internacionais famosas, como Radiohead e REM, estão adotando a estratégia da venda direta via sites próprios.

As estratégias dos lojistas são outras. De acordo com Fábio Herz, a Livraria Cultura está estudando o que fazer no futuro, quando a mídia CD for substituída. “Talvez vender músicas digitais”, diz. Ainda segundo ele, o espaço em loja deve ser substituído por DVDs ou games. A venda em número de unidades de DVDs na Cultura cresceu 86% no primeiro trimestre desse ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação aos games, Herz diz que estão ganhando muita força. “O público adolescente consome muito. Temos que ficar atentos às novidades”.

Já Josenei de Sousa diz que sua loja ainda aposta em encomendas e em um atendimento diferenciado, mas que a única ação especifica tem sido pressionar as gravadoras por preços menores. “Para vender alguma coisa temos que ter um bom preço. Não tem para onde correr, essa é a verdade”, explica. Mas se as pequenas lojas não tem muita perspectiva, o gerente já fez seus planos para o futuro. “Vou correr pra outro lado. Música não faz mais parte dos meus planos. Pretendo trabalhar no departamento pessoal de alguma empresa”, diz.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Independente Futebol Clube

Circuito Fora do Eixo lança portal para expandir e fortalecer a produção musical independente.


No ar desde o início do mês, o portal Fora do Eixo se destina a abastecer produtores, bandas e jornalistas com informações e discussões sobre a produção independente em todo território nacional. Parte de um projeto maior - o Circuito Fora do Eixo - o site obedece à lógica da livre circulação de informação e é gerido por membros dos coletivos que integram o projeto. No entanto, a comunicação externa ainda é fraca.

Fundado em 2005, o Circuito Fora do Eixo é uma associação de produtoras de eventos, bandas, jornalistas e casas de shows, que procura integrar e estimular a produção musical independente principalmente nos estados que se encontram fora do alcance do eixo Rio-São Paulo. “As metas iniciais eram promover ações que estimulassem a circulação de bandas, produtores e jornalistas, bem como estimular o escoamento de produtos culturais”, explica Marielle Ramires, coordenadora de comunicação do Espaço Cubo, um dos coletivos fundadores do projeto.

Além de informar o público geral e os associados, o portal Fora do Eixo tem o objetivo de aumentar a integração dos diversos setores produtivos da industria musical independente em cada estado. Para gerenciar o site, foi criado um conselho gestor e três “núcleos”: marketing, administrativo e de produção de conteúdo, que conta com editores de Web TV, Web Rádio, Fotografia e Redação.

André Kalil, produtor executivo da Torneira Produções Independentes, única representante de Brasília no Circuito, diz que sua empresa é co-responsável pela área de marketing e redação. “Auxiliamos os grupos de edição, enviando pautas à central”, explica. A Torneira lançou recentemente a Web TV Torneira, um canal no site YouTube que, segundo Kalil, fará parte da Web TV Fora do Eixo. “Ali disponibilizaremos vídeos de nossos eventos”.

Apesar de aumentar a troca de informações entre os associados, o portal ainda não cumpre bem a função de informar a imprensa e o público consumidor de cultura. Muito fechado em si próprio, o Circuito reclama, como todos no meio independente, da falta de exposição e espaço na mídia, mas não tem um sistema eficiente de assessoria de imprensa, por exemplo.

Projeto busca novos caminhos

O Circuito Fora do Eixo funciona de forma horizontal, como uma rede de distribuição de informações e produtos, e a representação local é feita pelos associados, que desenvolvem seus próprios projetos, além de participar de iniciativas integradas do projeto. Atualmente, o Circuito tem representação em 18 estados brasileiros, entre eles todos os das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.

Apesar do nome, hoje o projeto também tem representação no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Há muita gente ‘fora do eixo’ no eixo. A questão transpõe a perspectiva geográfica. ‘Fora do eixo’ revela uma condição política”, defende Marielle Ramires. Ainda segundo ela, qualquer coletivo, produtora ou núcleo de produção que se dedique à cultura independente no país pode participar.

Tornar a produção musical independente auto-sustentável é o objetivo final do Fora do Eixo, que tem um sistema próprio de gestão e moeda, os Cards. Essa moeda se insere no conceito de economia solidária defendido pelo projeto, cujo sistema de créditos é baseado na troca de serviços e produtos. “Por meio da troca de serviços e Cards, artistas, produtores e coletivos podem gerir seu trabalho de uma forma que beneficie a todos”, explica André Kalil, da Torneira Produções.

“Bandas hoje consideradas top no circuito independente nacional, como Vanguart e Macaco Bong, começaram suas carreiras trocando apresentações ao vivo por horas no estúdio de ensaio”, exemplifica Ramires, que complementa: “É bem diferente da disputa férrea estabelecida pelo grande mercado, onde quase não há diálogo entre concorrentes”.

Apesar do discurso oficial conter termos como “características socializantes”, “coletivização dos meios de produção” e “alijados pela lógica do grande capital”, o projeto também tem seu lado pragmático. André Kalil diz que estar integrado ao Circuito aumenta a projeção, divulgação e espaço de atuação de sua produtora. Ainda de acordo com ele, é importante Brasília estar representada no Fora do Eixo, pois isso abre espaço para que as bandas locais se apresentem em outros estados, chamando a atenção da mídia independente. “Além disso, o resto do Circuito está de olho no DF”, diz.

Entre outras iniciativas, o Circuito organiza anualmente o Festival Fora do Eixo e o Grito Rock, que este ano aconteceu quase simultaneamente em quase 50 cidades brasileiras, além das edições estrangeiras em Montevidéu e Buenos Aires. Já o Festival Fora do Eixo acontece anualmente em São Paulo, mostrando para a mídia e público paulista as bandas de outras regiões do país.

“Em Brasília o balanço ainda é fraco, mas a nível nacional o Grito [Rock] é muito articulado e forte, contanto com patrocínio de grandes empresas”, explica Kalil. Marielle Ramires também avalia de forma positiva as conquistas do Circuito. “Cada vez há mais agentes produtivos se integrando e investindo força de trabalho na ampliação desta rede”, diz ela.

domingo, 27 de abril de 2008

A “cena” e os “showzinhos”

A cerca de uma semana atrás, postei aqui uma resenha do primeiro dia do Coquetel Anti-tédio, festival organizado pela Ziperona. Infelizmente o evento não encheu muito em nenhuma das 3 datas, apesar de uma escalação variada de bandas que tem se apresentado com freqüência na cidade. Escrevi que era “difícil saber se a falta de público se deve a um encolhimento da cena, a uma superexposição das bandas que tocam na cidade quase todo final de semana, ou a ausência da atração principal da noite, a banda chilena Humana”.

Talvez seja uma soma de tudo isso. É difícil falar de encolhimento de uma cena que sabidamente sofre de um “efeito sanfona”. Ian, guitarrista da banda Ilustra e produtor de shows deixou um extenso comentário no post, que mostra que nem mesmo os próprios produtores e bandas realmente sabem direito onde estão pisando.

Brasília é uma cidade estranha em relação a isso. Não se sabe o que acontece nos shows. Às vezes "lota" e dá a impressão de que a parada está ressurgindo, e às vezes fica tão vazio que despilha de fazer [organizar] qualquer coisa.


Ian também falou sobre as razões da superexposição das bandas:

A superexposição realmente cansa, mas ela existe por diversos fatores. São sempre as mesmas bandas, mas também são os mesmos organizadores. Repito bandas nos shows, a minha sempre. Organizar shows é uma coisa tão cara e trabalhosa, que faço questão de tocar. Ter esse prazer. Entendo que as poucas pessoas que organizam shows preferem não arriscar.

Falta também iniciativa das bandas novas, de organizarem shows e fazerem correrias, para um dia conseguirem "status" e serem convidadas sempre pra tocar, num reconhecimento de seus trabalhos. Minha banda mesmo não brotou de uma árvore. Foi um longo processo, até eu me envolver com shows e com estes shows fazer novos contatos e aparecer na cena.


Não discordo de nada, mas a questão vai além. Acho que a superexposição é natural em uma cena relativamente pequena de uma cidade média. E também tem seu lado positivo, uma vez que se apresentar ao vivo quase todo final de semana ajuda as bandas a evoluírem mais rapidamente. Talvez lineups com bandas de estilos mais diversos pudesse integrar um pouco os apreciadores de diferentes subgêneros e possibilitasse shows maiores. Pode parecer arriscado, mas tem dado certo para o Porão do Rock, nos últimos 10 anos.

Também acho que se soma a tudo isso, o fato de estarmos em uma entressafra de bandas locais “famosas”. Há algum tempo atrás tocavam no mesmo palco bandas iniciantes e conhecidas, como Bois de Gerião, Gramofocas e Móveis Coloniais de Acaju. Infelizmente, hoje nenhuma banda local dura tempo suficiente para lançar 1 ou 2 discos e formar uma base de fãs que vá além dos 200 aficcionados que comparecem toda semana ao Blackout ou ao... Blackout.

O que nos leva ao último ponto. A falta de estrutura. Tem quem ache bom o suficiente, mas os degraus que ousam chamar de palco, o som e iluminação apenas razoáveis da maior parte dos locais afasta parte do público, principalmente aqueles maiores de 20 anos, que preferem escutar rock em casa e ir a um show do Dead Fish a cada 2 anos. Entendo que os custos são altos, que ninguém vive de organizar shows underground e que simplesmente não vale a pena tamanho trabalho e gasto para aparecerem apenas 200 pessoas. Mas não deixa de ser um ciclo vicioso. A quantidade de fãs de punk rock, hardcore, emo, indie rock, e metal de diversos estilos é incomparavelmente maior que a quantidade de freqüentadores de “showzinhos”. Pode não ser nenhuma das citadas nesse texto, mas deve existir alguma razão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O britpop emo


Desde a explosão da onda emo, no início da década, tem sido obrigação de todos os punks, indies, metaleiros e elitistas de respeito odiar toda e qualquer banda emo. Confesso não ser o maior fã do estilo, mas o Panic At The Disco (agora sem a exótica exclamação) nunca me pareceu tão ruim quanto dizem as más línguas. Apesar da super exposição e do ar blasè, o primeiro disco da banda de Las Vegas é bem divertido.

Um ponto de difícil desacordo é o talento da banda para o marketing. Depois de um suspense de primeira, você pode conferir no MTV Overdrive o primeiro vídeo-clipe de Pretty Odd, segundo álbum dos caras. Tenho certeza que os fãs da banda já haviam escutado a música (ou visto o clipe) semanas atrás, mas a surpresa foi boa. “Nine in the Afternoon” é uma boa canção britpop com vocais emo. O ritmo, a melodia, a orquestração e até mesmo o conceito visual do vídeo, tudo te faz cruzar o Atlântico e voltar uns 12 ou 14 anos no tempo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Cinco dólares por vez

Todos concordam que os formatos digitais de música vão substuir em pouco tempo o suporte físico. Também concordam que as gravadoras tentam salvar um modelo falido de venda de discos plásticos, pelos quais cobram preços abusivos. Porém, na rápida transformação em curso na industria musical, alguns assuntos acabam sendo deixados de lado. A necessidade de remuneração dos músicos, por exemplo, é pouco discutida. Muitos argumentam que eles nunca ganham muito dinheiro com a venda de CDs (quase tudo ficava com as gravadoras, distribuidoras e pontos de venda, além do alto percentual gasto em divulgação) e que os shows sempre foram sua maior fonte de sustento.

Pode ser, mas alguns ainda sentem necessidade de dar alguma coisa em troca para seus artistas favoritos. Darren Barefoot diz que sempre se sentiu um pouco mal por baixar tantos discos gratuitamente e achava que suas bandas preferidas mereciam ganhar alguma coisa, mas não queria dar dinheiro para gravadoras que processam fãs de música por aí. Por isso ele descolou o endereço dos artistas e decidiu lhes mandar cartas explicando por que gostava do trabalho deles e cinco dólares em dinheiro, como remuneração. Decidiu ainda estimular as pessoas a fazer o mesmo e para isso criou o Dear Rockers.

Uma mistura de manifesto com o famoso Post Secret, o site ajuda os fãs a achar o endereço de suas bandas favoritas e sugere que mandem para o endereço uma carta, escrita a mão, e cerca de cinco dólares. Não menos importante, também pede aos arrependidos de plantão que tirem uma foto da carta e do dinheiro e enviem para o site, para publicação. O Dear Rockers, portanto, não tem qualquer vinculo com artistas ou gravadoras, nem ganha dinheiro com isso (bom, tem os anúncios do Google), mas funciona como uma rede de fãs que querem contribuir para o sustento (ou enriquecimento) de seus artistas favoritos. Aqui e aqui estão algumas explicações mais detalhadas. Vale a pena conferir, ainda que só pelas cartas engraçadas.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Melhores de 2007

Ano novo é tempo de recomeçar, olhar para frente, fazer planos para o ano que se aproxima. Mas o Rock N Cigarettes é nostálgico e prefere olhar para trás, só para contrariar. Por isso, fizemos nossas listas com os cinco lançamentos mais do caralho do ano que está se encerrando. Os do André estão em ordem, os meus não, mas nada disso importa. Leiam, discordem, nos mande para aquele lugar ou simplesmente nos desejem feliz ano novo, como nós desejamos para nossos 12 fiéis leitores. Se tudo der certo, teremos novas listas para vocês amanhã, se não, até ano que vem.


André

1 - LCD Soundsystem - Sound of Silver
2 - The White Stripes - Icky Thumb
3 - The Battles - Mirrored
4 - Gogol Bordello - Super Taranta!
5 - Diablo Swing Orchestra - The Butcher's Ballroom


Léo Werneck

Idlewild - Make Another World
Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare
MxPx - Secret Weapon
Bad Religion - The New Maps of Hell
NOFX - They've Actually Gotten Worse Live

Atualização

Sim, hoje já é dia 5 de janeiro, mas o festival de listas parece não ter fim. Sem problema, nós adoramos elas. Apesar disso, não vamos ficar parados. Janeiro é um mês devagar, mas esse blog não vai parar. Aguardem.

f.

1 - Andrew Bird - Armchair Apocrypha
2 - Beirut - The Flying Club Cup
3 - The National - Boxer
4 - Wilco - Sky Blue Sky
5 - Jens Lekman - Night Falls Over Kortedala

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Top 5 de verão (parte 3)

Nosso planejamento não previa um terceiro post do Top 5 de verão, mas como o povo pediu (vide o altíssimo numero de comentários), as listas estão de volta para um bis. Falando sério, recebemos uma lista após o fechamento da... “edição”, mas não deixaríamos de dar espaço a nenhum desses roqueiros que gentilmente colaborou com Rock N Cigarettes para deixar seu verão mais divertido. Para adicionar um recheio à lista solitária, meti o bedelho onde não fui chamado e elaborei um top 5 também. Na verdade, tudo isso é só uma desculpa para desejar um feliz natal para nossos (poucos, mas muito fiéis) leitores. Que Papai Noel seja generoso com vocês.


Rodrigo (Sparks)

“Vou fazer uma lista somente com cds recentes. Feliz Natal!”

The Mugwumps - Banana Brain
F.A.N.T.A. - El Chico Con Rayos x En Los Ojos
Ben Weasel - These Ones Are Bitter
The Queers - Munki Brain
Teenage Bottlerocket - Warning Device
“Vai ser lançado no começo do ano que vem. Já tem uma música disponível no MySpace deles (www.myspace.com/teenagebottlerocket)”.


Léo Werneck (Rock N Cigarettes)

GREEN DAY – DOOKIE
“Punk rock ensolarado, energético e divertido. Impossível não ficar feliz ouvindo esse disco”.

MXPX – SECRET WEAPON
“Hardcore melódico e pop punk de primeira. Bom para cantar junto com Mike Herrera, dirigindo perto da praia em uma tarde de sol”.

DANCE HALL CRASHERS – LOCKJAW
“DHC tem um feeling ideal para o verão. Trilha-sonora para boas memórias”

SUBLIME – LIVE – STAND BY YOUR VAN
“Um disco que cheira à praia. A mistura de ska, reggae e punk rock, com pitadas de rap, te dá vontade de sair com o skate, surfar, namorar, pogar e ver o por do sol, tudo ao mesmo tempo”.

CARBONA – COSMICÔMICA
“Diversão é a palavra de ordem aqui. Felicidade Incondicional”.


Atualização

Devido aos desgastes causados pelos anos prestando contas ao underground brasiliense, algumas pessoas são mais lentas do que outras para elaborar listas e ainda confundem músicas com discos. Não tem importância, nós postamos assim mesmo. Brincadeiras à parte, em plena quarta-feira os Top 5 de verão continuam chegando e o Rock N Cigarettes fica muito honrado com a boa vontade de todos que nos deram atenção e fizeram nosso fim de ano mais feliz. Quem não fica feliz com listas das 5 mais? Esses são os sons que vão agitar o verão da Bianca, vocalista do Pulso. Qual será a trilha-sonora das suas férias?


Bianca (Pulso; gravadora Prótons)

FISHBONE - LYIN' ASS BITCH
“Música mais feliz do mundo, a letra nem tanto (ou nada). Banda estranha e boa pra caralho”.

LOS FABUOSOS CADILLACS –YO TE AVISÉ OU REVOLUTION ROCK
“Esse disco, Vasos Vacios, é todo feliz. Essas 2 músicas em especial, e “Yo No Me Sentaria Em Tu Mesa”, são clássicos do verão”.

MIGHTY MIGHTY BOSSTONES - WHERE'D YOU GO?
“Clássico. Banda mais foda do ska, show foda e letras fodas”.

DEAD KENNEDYS - FORWARD TO DEATH
“Tentei manter a alegria, mas nada mais necessário para o verão que o anti-verão, não é mesmo? “I don't need your way of life, I can't stand your attitudes, I don't need this fucking world, this world brings me down…” Poderia ser “Drug me” ou várias do Dead Kennedys”.

THE FEITOS – GENTE FEIOSA
“A canção de verão mais recente que me chamou a atenção. “Gente como eu não deveria ir a praia, é um insulto para quem todo dia malha, e que está a fim de se exibir, gente como eu não deveria ir...””.


Feliz natal!
Por Boss Matsumoto e Léo Werneck

domingo, 23 de dezembro de 2007

Top 5 de verão (parte 2)

Quando perguntados sobre a trilha-sonora do verão que se aproxima, alguns dos entrevistados espontaneamente optaram por falar um pouco sobre suas escolhas. Nessa segunda parte do Top 5 de verão, o Rock N Cigarettes dará voz a esses roqueiros que querem se expressar. Esses são os sons que cada um deles vai ouvir na cabeça quando se lembrarem do ano que está chegando. E aí, qual será a sua trilha-sonora para esse verão?


Bruno Formiga (Opera Volt)

Sepultura - Roots
Bad Religion - Against the Grain
Strike Anywhere - Dead FM
Pink Floyd - The Wall
Beach Boys - The Best of Summer

“Vou te dizer o que eu estou ouvindo agora, ok? Com certeza vai ser o que eu vou estar ouvindo no verão também. Bem eclético, né?”.


Raoni (Siltu)

Sublime - 40 oz. to Freedom
Noção de Nada - Sem Gelo
Jimmy Eat World - Chase This Light
Novos Baianos - Novos Baianos F.C
Nofx - They´ve Actually Gotten Worse Live (ou qualquer um do NOFX)

“Com esses aí, tu tem música para todos os tipos de situação. Sério mesmo, boto fé que algumas até criam certos tipo de situação! (risos)”


Ricardo Drago [aka Kako] (Dalaranjaaocaos)

Dead Fish - Sirva-se
Garage Fuzz - Relax in Your Favorite Chair
Killing Chainsaw - Slim Fast Formula
Muzzarelas - Jumentor
Safari Hamburguers - Good Times

“Essa é mais ou menos a lista de quem começou esse nosso rock brasileiro, pelo menos o que a gente vive ouvindo. Um pouquinho disso e a molecada vai ficar bem servida”.


Bruno Ramon (Strike Call)

“Eu não botei os mais inesquecíveis, não. Botei mais um esquema de músicas empolgantes, mais para o verão mesmo. É lógico que coisas clássicas ficaram faltando, e essa lista quase queimou meus miolos, mas esses aí são bons”.

THE RAMONES - IT'S ALIVE
“Perfeito, com a introdução maravilhosa de “Rockaway Beach””.

THE MISFITS - WALK AMONG US
“Perfeito também, entra rasgando com “20 eyes””.

AC/DC – LIVE
“Disco pedreiro, entrando com “Thunderstruck”, aquecendo o público. Dá para sentir a empolgação tomando conta”.

MOTORHEAD – ORGASMATRON
“Disco sinistro, entra rasgando com “Deaf Forever”. Maravilhoso!”

DISFEAR - MISANTHROPIC GENERATION
“Rock mais pesado, entrando com um murro na cara com a música “Powerload”. Aconselho todo mundo a escutar essa musica”.


Matheus (The Bombers)

GILBY CLARKE - GILBY CLARKE
“Uma puta coletânea dos sons do cara, para quem gosta de Rock n Roll sem modismos e rótulos. Lembra Stones e tem um quê de Punk Rock”.

THE FRATELLIS- COSTELLO MUSIC
“De todas as bandas indie, rock, disco, sei lá o que, essa é a mais Rock n Roll e inspirada. Esse CD realmente é repleto de bons sons”.

VÁRIOS ARTISTAS - DEAD BAND´S PARTY - TRIBUTE TO OINGO BOINGO
“Um tributo ao Oingo Boingo, uma banda muito influente e muito injustiçada da década de 80. Bandas como Reel Big Fish, The Matches e Zebrahead regravam vários hits dessa banda. Diversão garantida ou seu download de volta”.

SUBLIME- 40 OZ TO FREEDOM
“Primeiro disco do Sublime. Infinitamente melhor do que aquele de "Santeria". Esse é pra ouvir na praia com bastante cerveja, areia e garotas de fio dental”.

VÁRIOS ARTISTAS - BRATS ON THE BEATS
“Ramones para Crianças. Muita guitarra, clássicos do Ramones cantados por várias figuras do punk rock americano e com criancinhas cantando em coro os refrões. E é bom pra caralho”.


César (Dissonicos)

Tem de ficar claro que é somente a lista do verão, e não o meu top 5 real, ok? A idéia de fazer um Top 5 de verão é sensacional! Vou para Floripa e já penso na minha trilha-sonora desde outubro. Várias bandas ficaram de fora [da lista], como o Dropkick Murphys, Flogging Molly, Street Dogs, Lagwagon, Johnny Cash, Millencolin, Bad Religion, Goldfinger, Hepcat, Specials, Westbound Train, Garage Fuzz e Ramones (lógico). Todavia, elas estarão lá comigo porque o iPod vai junto (risos). Chega de enrolar! Vamos à lista:

NOFX - THEY'VE ACTUALLY GOTTEN WORSE LIVE
“Eles se superaram! A idéia de lançar um ao vivo sem clássicos, maquiagem e com novas versões das músicas é sensacional. Dá para ouvir todos os erros, desafinadas e problemas técnicos que eles tiveram. Sem falar nas piadas, que estão sensacionais. Ninguém escapou! De AFI a My Chemical Romance, todo mundo foi zoado! (risos)”

BEACH BOYS - PET SOUNDS
“Um clássico! Não tenho muito o que falar sobre esse disco, né? Essencial.

LONG BEACH DUB ALL STARS - WONDERS OF THE WORLD
“Banda dos ex-integrantes do Sublime. Não sei se é nova, mas o disco é recente. Aliás, eles só têm dois discos e esse é o último. Vale a pena conferir. Na praia e com uma cerveja, o disco desce bem melhor”.

RADIODREAD - EASY STAR ALL STARS
“Músicas do Radiohead em versão dub. E sim, ficaram boas pra caralho! Se você não gostar de Radiohead, baixe o outro disco: A Dub Side of the Moon. E sim, eu gosto de dub”.

TIM ARMSTRONG - A POET'S LIFE
“Ah, não preciso falar nada sobre esse disco do Tim Armstrong!”


Ainda não acabou. Até amanhã.
Por Boss Matsumoto e Léo Werneck

sábado, 22 de dezembro de 2007

Top 5 de verão (parte 1)

Todos os momentos importantes na vida têm uma trilha-sonora, e não haveria de ser diferente com as férias. Para comemorar o verão 2008, o Rock N Cigarettes pediu que personalidades da cena roqueira underground fizessem listas com os cinco melhores discos para escutar na praia, na montanha, na fazenda, ou aonde quer que você vá aproveitar as férias de janeiro. Esses são os sons que cada um deles vai ouvir na cabeça quando se lembrarem do ano que está chegando. E aí, qual será a sua trilha-sonora para esse verão?


Luciano (Firstations)

Bad Religion - New Maps of Hell
Reel Big Fish - Monkeys for Nothin' and the Chimps for Free
Tim Armstrong – A Poet's Life
Mad Caddies - Keep it Going
The Bombers - Democracia Chinesa


Pedro: (Sem Fim; Promessa)

Jorge Ben Jor – Ao Vivo MTV
Pennywise - Straight Ahead
Muse - Absolution
Natiruts - Natiruts Reggae Power
Incubus - Make Yourself


Dudu: (Sem Fim)

The Clash - London Calling
Blink 182 - The Mark, Tom, Travis Show
Noção de Nada - Sem Gelo
Incubus - Morning View
Silverchair - Young Modern


Bruno: (Lesto!)

Paura - Reverse the Flow
Pennywise - Pennywise
Bandanos - We Crush Your Mind With the Trash Inside
Dead Fish - Um homem só
Metallica - Escute toda a sua coleção!


Rafael (Colina)

Guns and Roses - Apetite for Destruction
Iron Maiden - Powerslave
Pink Floyd - Another Brick in The Wall
Extreme - III Sides to Every Story
Rush - Moving Pictures


Rodrigo Freitas [aka Porco] (Magaivers)

Ozzy Osbourne - Black Rain
Ramones - Pleasant Dreams
The Queers - Munki Brain
John Frusciante - Shadows Collide With People
Bob Marley – Exodus


Kelton (Portenho Records)

Barneys - Oppressed Feelings
White Frogs & Pinboys - Split A-Side
Nick Cave and The Bad Seeds - The First Born is Dead
Morrissey - That's How People Grow Up (CD Single)
Nitrominds - Verge of Collapse


Amanhã tem mais.
Por Boss Matsumoto e Léo Werneck