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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Hurley


Não, não vamos voltar ao assunto 'Lost' aqui no blog. Essa aí em cima é a bizarra capa do novo álbum do Weezer, propriamente nomeado Hurley. Sim, a capa do próximo lançamento do quarteto estatunidense vai consistir apenas no rosto do ator Jorge Garcia, que interpretava o simpático personagem Hurley no finado seriado. Não há nome da banda, do álbum, ou qualquer interferência gráfica. Apenas o rosto do novo Jacob. Também não se trata de uma piada.

Segundo o vocalista Rivers Cuomo relatou a revista gringa Spinner, ele simplesmente adora a foto do ator, por sua energia. "Como não queríamos fazer um quarto álbum com o nome da banda e como as pessoas iam mesmo chamar de 'disco do Hurley', então decidimos chamar o álbum de Hurley logo. Não tem nada escrito na capa porque queríamos preservar esse rosto magnífico", declarou Cuomo. A imagem da capa é um recorte de uma foto do vocalista com Jorge Gracia em um hotel ou algo parecido.

Mas Rivers deixou claro que não há no álbum nenhuma música que faça referencia a série, que ele nem sequer assistia regularmente. Segundo declarações anteriores, o disco deve ter uma pegada heavy metal, dentro do estilo pop/rock alternativo consagrado do Weezer. Também não é o que aponta o primeiro single de Hurley, um pop rock com batida dançante e teclados em profusão. "Memories" vazou na web logo após a sua estréia oficial (em versão remixada) na rádio 98.7, de Los Angeles, cidade natal do quarteto, que decidiu então liberar logo a versão que estará no disco, que sai nos EUA no dia 14 de setembro, via Epitaph Records.

A troca de uma gravadora major pela gigante independente de Mr, Brett pode ser uma indicação de que o Weezer queria mais liberdade para fazer as bizarrices que dessem na telha, como a engraçada e absurda capa de Hurley deixa claro. Se as músicas forem tão boas quanto as do último lançamento dos caras, Raditude (cuja capa é uma foto de um cachorro voando), o álbum pode se tornar um clássico do universo nerd. Escute a novíssima "Memories" aí em baixo.


terça-feira, 25 de maio de 2010

O fim de Lost (ou a decepção da década)


Cuidado: Contém spoilers, muitos spoilers!

Raramente saio do tema musical aqui no Rock N Cigarettes, mas não posso deixar de falar sobre o final de Lost, que foi ao ar na TV americana no último domingo e será exibido no Brasil na noite de hoje. A série tem sido onipresente na internet nos últimos dias e o episódio final é tratado como as eleições norte-americanas em blogs, sites e até jornais impressos. Para se ter noção da expectativa em torno do episódio de 2h30, houve até transmissão ao vivo e sem legendas com comentários em tempo real de 'especialistas' na página inicial do UOL, o maior portal da internet brasileira.

Além do impacto (inédito?) que a série teve na mídia, acompanho as aventuras dos losties na misteriosa ilha há seis anos e não pude deixar a expectativa e a decepção de lado ao assistir 'The End', capitulo final da saga dos acidentados do vôo Oceanic. Acredito que ao avaliar uma obra cultural ou de entretenimento, é necessário separar dois aspectos: o gosto e a qualidade. Gosto, você já sabe, cada um tem o seu, mas a qualidade pode ser avaliada por critérios e argumentos um pouco mais objetivos. Sobre o final de Lost, não gostei, nem acho que foi bom, qualitativamente falando.

Não gostei por uma razão bem simples. Diferente de muitos fãs por aí, eu não tenho o menor interesse se a Kate terminou a série com Jack ou com Sawyer. Não ligo se o Hurley ficou em paz e também não me emocionei ou chorei ao ver os personagens tendo flashbacks e se reconhecendo no purgatório, limbo, ou que quer que queiram chamar. Há seis anos comecei a assistir um seriado de ficção cientifica, cheio de mistérios sobrenaturais, suspense de deixar arrepiado e questões sobre física, e terminei assistindo uma novela romântica, cafona e melosa, cheia de clichês narrativos e redenções espirituais. Invés de monstros assustadores que ninguém vê, ursos polares em uma ilha tropical e uma escotilha que deixava o mundo exterior de quarentena, vi um bebê nascendo, casais se beijando em câmera lenta e uma luz para o céu, ou algo do tipo. Detestável.

Em relação à qualidade do episódio final, também não acho que ele esteja à altura do restante da série. Muitos têm argumentado em fóruns, blogs e sites por aí que responder a todas as perguntas da série seria impossível e que um final aberto se encaixa muito melhor no estilo de Lost. Discordo. Acho que no que diz respeito à mitologia e questões essenciais, o que vimos não foi um final aberto, foi um não-final. Os roteiristas simplesmente fugiram, escaparam de dar respostas a questões que impulsionaram a trama dos episódios, temporadas e da série como um todo. Isso não é um final aberto. Ao não responderem quase nada, os roteiristas mostraram não serem capazes de amarrar todas as pontas de uma intrincada trama que desenvolveram ao longo de seis anos. Todo o tempo em que criavam mistérios e situações angustiantes, eles estavam tão perdidos quanto os fãs ou os próprios personagens. No meu entendimento, isso caracteriza um final de série ruim. Muito ruim.