A cerca de uma semana atrás, postei aqui uma resenha do primeiro dia do Coquetel Anti-tédio, festival organizado pela Ziperona. Infelizmente o evento não encheu muito em nenhuma das 3 datas, apesar de uma escalação variada de bandas que tem se apresentado com freqüência na cidade. Escrevi que era “difícil saber se a falta de público se deve a um encolhimento da cena, a uma superexposição das bandas que tocam na cidade quase todo final de semana, ou a ausência da atração principal da noite, a banda chilena Humana”.
Talvez seja uma soma de tudo isso. É difícil falar de encolhimento de uma cena que sabidamente sofre de um “efeito sanfona”. Ian, guitarrista da banda Ilustra e produtor de shows deixou um extenso comentário no post, que mostra que nem mesmo os próprios produtores e bandas realmente sabem direito onde estão pisando.
Ian também falou sobre as razões da superexposição das bandas:
Não discordo de nada, mas a questão vai além. Acho que a superexposição é natural em uma cena relativamente pequena de uma cidade média. E também tem seu lado positivo, uma vez que se apresentar ao vivo quase todo final de semana ajuda as bandas a evoluírem mais rapidamente. Talvez lineups com bandas de estilos mais diversos pudesse integrar um pouco os apreciadores de diferentes subgêneros e possibilitasse shows maiores. Pode parecer arriscado, mas tem dado certo para o Porão do Rock, nos últimos 10 anos.
Também acho que se soma a tudo isso, o fato de estarmos em uma entressafra de bandas locais “famosas”. Há algum tempo atrás tocavam no mesmo palco bandas iniciantes e conhecidas, como Bois de Gerião, Gramofocas e Móveis Coloniais de Acaju. Infelizmente, hoje nenhuma banda local dura tempo suficiente para lançar 1 ou 2 discos e formar uma base de fãs que vá além dos 200 aficcionados que comparecem toda semana ao Blackout ou ao... Blackout.
O que nos leva ao último ponto. A falta de estrutura. Tem quem ache bom o suficiente, mas os degraus que ousam chamar de palco, o som e iluminação apenas razoáveis da maior parte dos locais afasta parte do público, principalmente aqueles maiores de 20 anos, que preferem escutar rock em casa e ir a um show do Dead Fish a cada 2 anos. Entendo que os custos são altos, que ninguém vive de organizar shows underground e que simplesmente não vale a pena tamanho trabalho e gasto para aparecerem apenas 200 pessoas. Mas não deixa de ser um ciclo vicioso. A quantidade de fãs de punk rock, hardcore, emo, indie rock, e metal de diversos estilos é incomparavelmente maior que a quantidade de freqüentadores de “showzinhos”. Pode não ser nenhuma das citadas nesse texto, mas deve existir alguma razão.
Talvez seja uma soma de tudo isso. É difícil falar de encolhimento de uma cena que sabidamente sofre de um “efeito sanfona”. Ian, guitarrista da banda Ilustra e produtor de shows deixou um extenso comentário no post, que mostra que nem mesmo os próprios produtores e bandas realmente sabem direito onde estão pisando.
Brasília é uma cidade estranha em relação a isso. Não se sabe o que acontece nos shows. Às vezes "lota" e dá a impressão de que a parada está ressurgindo, e às vezes fica tão vazio que despilha de fazer [organizar] qualquer coisa.
Ian também falou sobre as razões da superexposição das bandas:
A superexposição realmente cansa, mas ela existe por diversos fatores. São sempre as mesmas bandas, mas também são os mesmos organizadores. Repito bandas nos shows, a minha sempre. Organizar shows é uma coisa tão cara e trabalhosa, que faço questão de tocar. Ter esse prazer. Entendo que as poucas pessoas que organizam shows preferem não arriscar.
Falta também iniciativa das bandas novas, de organizarem shows e fazerem correrias, para um dia conseguirem "status" e serem convidadas sempre pra tocar, num reconhecimento de seus trabalhos. Minha banda mesmo não brotou de uma árvore. Foi um longo processo, até eu me envolver com shows e com estes shows fazer novos contatos e aparecer na cena.
Não discordo de nada, mas a questão vai além. Acho que a superexposição é natural em uma cena relativamente pequena de uma cidade média. E também tem seu lado positivo, uma vez que se apresentar ao vivo quase todo final de semana ajuda as bandas a evoluírem mais rapidamente. Talvez lineups com bandas de estilos mais diversos pudesse integrar um pouco os apreciadores de diferentes subgêneros e possibilitasse shows maiores. Pode parecer arriscado, mas tem dado certo para o Porão do Rock, nos últimos 10 anos.
Também acho que se soma a tudo isso, o fato de estarmos em uma entressafra de bandas locais “famosas”. Há algum tempo atrás tocavam no mesmo palco bandas iniciantes e conhecidas, como Bois de Gerião, Gramofocas e Móveis Coloniais de Acaju. Infelizmente, hoje nenhuma banda local dura tempo suficiente para lançar 1 ou 2 discos e formar uma base de fãs que vá além dos 200 aficcionados que comparecem toda semana ao Blackout ou ao... Blackout.
O que nos leva ao último ponto. A falta de estrutura. Tem quem ache bom o suficiente, mas os degraus que ousam chamar de palco, o som e iluminação apenas razoáveis da maior parte dos locais afasta parte do público, principalmente aqueles maiores de 20 anos, que preferem escutar rock em casa e ir a um show do Dead Fish a cada 2 anos. Entendo que os custos são altos, que ninguém vive de organizar shows underground e que simplesmente não vale a pena tamanho trabalho e gasto para aparecerem apenas 200 pessoas. Mas não deixa de ser um ciclo vicioso. A quantidade de fãs de punk rock, hardcore, emo, indie rock, e metal de diversos estilos é incomparavelmente maior que a quantidade de freqüentadores de “showzinhos”. Pode não ser nenhuma das citadas nesse texto, mas deve existir alguma razão.


