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quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crying Lightning

Esse aí em baixo é o novo e esquisito vídeo dos ingleses do Arctic Monkeys para Crying Lightning, o primeiro single do novo álbum dos caras, Humbug. O disco chegará as lojas físicas e virtuais no próximo dia 25 de agosto, mas a música de divulgação já circula pela internet há algum tempo.

Produzida pelo dono do Queens Of The Stone Age, Josh Homme, a faixa pode assustar alguns fãs do quarteto em suas primeiras audições. A produção de Homme não acrescentou mais peso a música dos Monkeys, mas trouxe o lado mais stoner rock, viajadão, da banda estadunidense para o som dos ingleses, evidenciado pelo novo – e horroroso – penteado do vocalista e compositor Alex Turner.

Com uma linha de baixo muito boa e um refrão pegajoso, a faixa vai conquistando os ouvintes aos poucos. A mudança nos vocais de Alex Turner, entretanto, é mais difícil de engolir. Não que ele cante mal em Crying Lightning – muito ao contrario – mas o jeitão meio falado de narrar os contos da noite britânica que marcou os outros dois álbuns dava uma identidade própria aos Monkeys e fazem falta aqui.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Arctic Monkeys no Tim Festival

Aqui começa uma série de resenhas sobre o Tim Festival 2007, que aconteceu no último final de semana no Rio de Janeiro, em São Paulo, Vitória e Curitiba. Nessa primeira parte, falaremos sobre os shows do palco Novo Rock UK, que aconteceram sexta-feira no Rio de Janeiro.

A edição carioca do Tim Festival deste ano teve uma bela estrutura montada na Marina da Glória na beira da Baía de Guanabara. A área comum era voltada para o mar e reproduzia conteiners de portos, coloridos e iluminados, com alguns bares e lojas. Infelizmente, a chuva intermitente fez com que o público tivesse que se refugiar nas áreas cobertas algumas vezes. Dentro da tenda onde aconteceram os shows de Hot Chip e Arctic Monkeys, no entanto, o calor era intenso. A apresentação do Hot Chip começou com um pequeno atraso e botou o público para dançar. Este resenhista, entretanto, não conhece muito de música de robôs e não pode comentar o show com maior profundidade. A banda é composta por cinco tecladistas que eventualmente cantam, tocam guitarra e baixo, mas na maior parte do tempo se limitam a apertar botões que geram batidas repetidas e barulhinhos eletrônicos. O público já era bem grande e pareceu gostar do som dos ingleses, que saíram aplaudidos do palco.

Após alguma enrolação, a grande atração da noite subiu ao palco. O Arctic Monkeys já entrou em cena com o jogo ganho, mas apesar da empolgação do público, o inicio do show foi meio morno, com algumas falhas no som e uma banda que se mostrava excessivamente quieta. Alex Turner, com seu traje nerd, parecia um pouco tímido demais, mas os problemas do som foram rapidamente concertados e o show foi esquentando a partir da execução de “Brianstorm”, ótima música que abre o segundo disco do quarteto. Daí pra frente a tenda pegou fogo, os espectadores pularam, bateram palmas e cantaram junto até as partes instrumentais, mas tiveram alguma dificuldade em entender o inglês do vocalista nas poucas vezes em que ele tentou se comunicar. O calor aparentemente foi contagiando a banda, que melhorou sua performance, mesmo parando para se enxugar no intervalo de cada canção.

A banda manteve o show animado e os maiores destaques foram as execuções de “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, maior hit do grupo, e da ótima “Fake Tales of San Francisco”, emendada com “Balaclava”. O Arctic Monkeys dispensa qualquer elemento cenográfico, e deixa suas boas músicas falarem por si mesmas, lembrando as apresentações de grupos alternativos da década passada. Matt Helders também consegue se destacar. Com sua bateria posicionada meio de lado, entre o vocalista e baixista, o cara bate forte em seu kit e participa do show como poucos bateristas. Após cerca de uma hora e meia de músicas do EP, dos dois álbuns e uma faixa nova, os caras se despediram e foram embora sem bis, sem frescuras, sem encenações. A platéia deixou o local muito suada e com um sorriso no rosto.

Foto por Sidinei Lopes/Folha Imagem

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare (2007)

Como que temendo que seus quinze minutos acabassem, os hypados Arctic Monkeys decidiram lançar Favourite Worst Nightmare apenas um ano após o seu debut Whatever People Say I Am, That's What I'm Not chegar às lojas britânicas. Entretanto, se depender apenas da qualidade da música feita pelo querteto, os tais 15 minutos terão que ser prorrogados. “Brianstorm” abre o disco com uma verdadeira tempestade de barulho. A música, forte, rápida e mais pesada do que qualquer outra dos Monkeys, é a abertura perfeita para Favourite Worst Nightmare. “Teddy Picker” mantém o nível, com sua base repetida e guitarras que revelam influencias de Queens Of The Stone Age.

A partir da terceira música, a mão do produtor James Ford começa a aparecer, dando o tom geral do álbum: guitarras mais limpas, voz e baixo lá em cima, realçado o lado mais funky da banda. Algumas músicas lembram mais o rock dançante do Franz Ferdinand, do que a crueza do Libertines ou as guitarras dos Strokes, criando um disco menos sujo e urgente do que a estréia da banda. Os vocais quase falados de Alex Turner, porém, ainda estão presentes, assim como sua habilidade em escrever boas letras contando histórias do dia-a-dia da juventude britânica, que fazem do vocalista o verdadeiro raconteur de sua geração.

Também se destacam “Flourescent Adolescent”, que conta com ótima melodia, “Only Ones Who Knows”, a balada mais lenta e intimista da discografia da banda, e “505”, que fecha Favourite Worst Nightmare com chave de ouro em um clima muito rock inglês. Provavelmente os fãs mais rockeiros dos Monkeys, que gostam das guitarras sujas e da crueza de Whatever People Say... ficarão um pouco desapontados, mas aqueles que gostam de um rock mais dançante não tem do que reclamar. De forma geral, pode-se dizer que a banda escapou com folga da maldição do segundo disco e parece que vai sobreviver ao hype. Tomara.