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terça-feira, 23 de março de 2010

Against Me! – White Crosses (2010)

Se você, leitor do blog, é um dos admiradores da fase acústica do Against Me!, e ficou chocado com os últimos lançamentos da banda americana, não chegue perto de White Crosses, novo álbum dos caras. Nos últimos anos, o quarteto da Florida parece ter se auto-designado uma missão: assustar os fãs mais antigos disco após disco. Primeiro os caras emularam Bob Dylan e eletrificaram seu folk-punk. O passo seguinte foi assinar com uma grande gravadora, jogando para o alto a história anarquista de Tom Gabel. Agora a banda se entrega ao pop rock, deixando um pouco de lado até os tradicionais gritos roucos do vocalista.

Mas se você ainda está lendo esse texto, há chances que também venha a escutar o álbum mais de uma vez, e passada a surpresa, fica mais fácil avaliar as qualidades e defeitos de White Crosses, que está longe de ser um disco ruim. "White Crosses", a música, abre o álbum e dá o tom: não há dúvidas que se trata do som do Against Me!, mas a primeira referencia que vem a cabeça é “Borne On The FM Waves”, do disco anterior, New Wave. Não há aqui a voz doce de Tegan Quin, mas é tudo bastante radio-friendly.

“I Was a Teenage Anarchist” mantém o pique pop e provoca ainda mais os fãs com sua letra, na qual Gabel se lembra de sua fase de adolescente anarquista, como se ela fizesse parte de um longínquo passado. O tom é confessional, mas a critica ao radicalismo e à mentalidade fechada do movimento lembra o desencanto do NOFX com a esquerda cantada em “The Marxist Brothers”. Se Gabel diz que a revolução era uma mentira, Fat Mike já havia dito, com o humor ácido pelo qual é conhecido, que a revolução se resumiria a um podcast.

Após tamanho rompimento com o passado, o quarteto está livre para experimentar o que bem entender em termos musicais, e assim faz ao longo das oito faixas restantes de White Crosses. “Because Of The Shame” tem teclados em abundancia, assim como “We're Breaking Up”, que como o nome sugere, é uma balada sobre o fim de um relacionamento. Ainda mais lenta e pop é “Ache With Me”, que conta com um arranjo de cordas ao fundo e soa quase brega. Já “High Pressure Low” é relativamente dançante e surpreende com seu baixo roubado de New Order. Apenas a curta e boa “Rapid Decompression” lembra o punk rock de outrora, deixando um gostinho de quero mais nos antigos admiradores da banda.

Se a atitude punk consiste em não dar a mínima para o que críticos e até mesmo fãs vão dizer, e fazer apenas ao que lhe interessa, não há dúvidas de que Tom Gabel é um punk de verdade. Mas também é verdade que o som de sua banda se afasta cada vez mais do punk rock, para o bem ou para o mal. Com White Crosses, o vocalista se mostra um excelente compositor de rock, que não se prende a subgêneros ou ao seu próprio passado, mas pode deixar uma montanha de órfãos de um tipo de som original que colocou o Against Me! no mapa musical e redeu trabalhos memoráveis ao longo da década que se encerra.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tom Gabel – Heart Burns (2008)

O EP Heart Burns é o novo trabalho solo do vocalista e compositor da aclamada banda estadunidense Against Me! Levando em conta as reações dos fãs às inovações sonoras dos últimos discos da banda, parece uma boa idéia Tom Gabel lançar mão de um projeto paralelo para gravar suas composições mais dançantes e pop. O  uso  de  programações de bateria misturadas com guitarras e violões lembra o trabalho solo do ex-vocalista do Face To face, Trever Kieth, mas a voz marcante de Gabel, mesmo que involuntariamente, traz à mente o som do Against Me!

“Anna Is a Stool Pigeon” é o maior destaque e o mais provavel hit do lançamento. Misturando violões, gaita e uma letra de protesto, a faixa também representa bem o trabalho de Tom Gabel. O lado mais folk de Heart Burns é representado por “Harsh Realms” e “Cowards Sing at Night”, que lembram o som do trovador britânico Billy Brag. Minimalistas, ambas confiam nos fortes vocais de Gabel para se destacarem, já que os arranjos se limitam a um violão na primeira, e uma guitarra na segunda.

Já “100 Years of War” é a que mais lembra os primeiros trabalhos de sua banda, e “Random Hearts” é o mais próximo que o compositor já chegou da new wave. A face mais calma do disco é “Conceptual Paths”, que conta com uma bela melodia e palmas de computador ao fundo. Não se pode dizer que esse lançamento seja um masterpiece, mas Heart Burns mostra um pouco do potencial de Tom Gabel como compositor e vocalista e deve agradar aos fãs que não ficarem comparando cada composição com “Reinventing Axl Rose”.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Multimídia


Cada vez mais a internet vem sendo invadida por streamings de áudio e vídeo. Há muito se foi o tempo em que os fãs esperavam ansiosos pela estréia do clipe da sua banda favorita na MTV, ou ligavam o rádio na Cultura FM de Brasília para ouvir na integra o novo álbum do Smashing Pumpkins. Com MySpace e You Tube quem precisa da mídia tradicional? Correndo o sério risco de soar so last week, vamos às dicas do dia.

A banda californiana No Use For A Name postou em sua página oficial do MySpace “Biggest Lie”, tirada de The Feel Good Record Of The Year, que sairá em CD em Abril. A música é um hardcore veloz como há vários anos o NUFAN não produzia. Os fãs do hardcore melódico californiano, típico da década passada, devem adorar. Também vale reparar na foto dos caras em frente ao Cristo Redentor. Curioso.

Já o MySpace do Against Me traz “Gypsy Panther”, b-side do último disco do quarteto New Wave, lançado ano passado. A música é boa, mas não surpreende, seguindo a linha de todas as outras músicas do último trabalho da banda. Já o AKAs está de volta após quase 5 anos sem lançamentos. É possível ouvir "Dead Flowers Forever" no MySpace do quinteto estadunidense. A primeira faixa revelada de Everybody Make Some Noise é bem boa apesar de um tanto mais pop do que os hits do álbum anterior. O disco chegará às lojas gringas dia 18 desse mês.

O MySpaceTV também está cheio de novidades esta semana. A reencarnação do já citado Smashing Pumpkins lançou o clipe da chatíssima “Superchrist”. Não fosse suficiente a música ser entediante (apesar de bem pesada), o clipe também é bem fraco. Os abóboras amassadas deviam ter continuado mortos. A boa novidade fica por conta de “Detox”, o novo (e bom) clipe dos suecos do Millencolin.

“Brand New Game”, primeira faixa de Machine 15 divulgada pela banda já era pop, mas “Detox” vai além e parece criada para as rádios. Com um piano fazendo fundo por boa parte da faixa e uma melodia chiclete, a música surpreende. É fato que a banda sempre lança álbuns diferentes uns dos outros, e “Detox” atiça ainda mais a curiosidade dos fãs por Machine 15, que será lançado no final do mês.