sábado, 31 de maio de 2008

Sweet Fanny Adams - Fanny, You’re No Fun (2008)

Sweet Fanny Adams é uma antiga expressão da língua inglesa usada principalmente por marinheiros e que quer dizer “absolutamente nada”. A história ensina que Fanny Adams era uma menina inglesa de 8 anos que foi brutamente assassinada e esquartejada em 1867. A música dessa banda recifense, no entanto, é bem menos macabra, apesar das letras sobre ódio e matança. O som do quarteto está bem inserido no indie rock dos anos 2000, que dá uma bela olhada para trás, principalmente para o dançante rock inglês dos anos 80. Mas dois detalhes destacam a música do SFA. Primeiro, a banda não tem medo de soar rockeira. As guitarras são mais distorcidas e sujas do é comum no rock pós Strokes e Libertines. Em “C’mon Girl”, chega até a lembrar Queens of the Stone Age. O Segundo são os vocais de Leonardo Gesteira, que canta em um inglês claro e bem pronunciado. O vocalista tem também o hábito de aloooongar as sííílaaabas, como faz John McCrea, vocalista do Cake, o que se encaixa bem nas composições da banda. Fanny, You’re No Fun, é o segundo EP dos caras e tem quatro músicas. Não existe aqui um hit, uma faixa que se destaque, mas as quatro mostram que a banda consegue manter a qualidade e coesão por mais do que apenas alguns minutos, algo que falta a muitas bandas desses tempos de mp3, inclusive aos hypes ingleses e norte-americanos. Outro ponto positivo é que a banda vem de Pernambuco, mas não tem nada de manguebeat. Não tem como não simpatizar com o SFA.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Gainesville, Florida

Curiosa a capa do novo álbum do Less Than Jake, essa aí do lado. Bem diferente das capas dos discos anteriores da banda da Florida, essa traz uma leveza que parece marcar também o som do disco, a julgar pela primeira faixa liberada GNV FLA, “Does The Lion City Still Roar?”. Depois de muitos anos de pop punk com poucos sopros, finalmente os caras voltaram ao ska. A música não é simplesmente uma volta às raízes, mas dá passos a frente ao mesmo tempo em que olha para trás. É bem capaz que agrade os fãs novos e antigos da banda, agora totalmente independe, lançando GNV FLA pelo seu próprio selo, Sleep It Off Records. Tomara que o álbum seja tão bom quanto a música.

Falando em músicas novas, o final de semana foi cheio delas. Os australianos do Living End soltaram a primeira faixa de seu quinto álbum de estúdio, White Noise, previsto para 5 de julho. “How Do We Know” é esquisita. Tem um feeling típico da banda, mas deixa passar longe as influencias punk rock e rockabilly do início de carreira e adota guitarras totalmente setentistas. A introdução anuncia algo composto por Jack White, e o miolo da música tem um clima meio hard rock, com algumas orquestrações no refrão. O Living End sempre lançou discos diferentes uns dos outros, mas mesmo levando isso em conta, “How Do We Know” é estranha. Difícil saber o que esperar de White Noise.

Os veteranos britânicos do Wire também lançaram um preview do seu próximo trabalho, Object 47: a música “One Of Us”. Famosos por seu primeiro disco, Pink Flag, de 1977 e pela cópia descarada das guitarras de “Three Girl Rhumba” que o Elastica usou em seu maior hit “Conection”, o Wire lança álbuns raramente e tem pouca atenção da mídia, talvez por ficarem em um limbo entre o punk rock, a new wave e o indie rock. “One Of Us” não deve mudar isso. Não é uma música ruim, mas não tem nada marcante, que a destaque das centenas de faixas que ouvimos por semana na internet. Deve valer mais a pena tirar a poeira de Pink Flag mesmo.

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Aí em baixo estão dois vídeos bem diferentes. O primeiro é “Biggest Lie”, faixa que abre o último disco dos californianos do No Use For a Name. Um bom clipe para uma das melhores músicas do quarteto nos últimos anos. Em baixo dele está o controverso clipe de “Stress”, da dupla francesa de eletrônica Justice. A música é comum, mas o vídeo não. É chocante e polemico e essa parece ter sido a intenção ao mostrar um dia na vida de garotos arruaceiros dos subúrbios de Paris. Sim, aqueles garotos pobres, filhos de imigrantes, que queimaram milhares de carros e fizeram a maior revolta popular da Europa ocidental nas ultimas décadas. Não sei ao certo qual é a mensagem do clipe (ou se existe uma), mas desconfio que a raiva e a violência sem razão concreta ou especifica seja o sentem essas pessoas e o que o vídeo quis passar. Só o fato do governo francês ter censurado a exibição do clipe em TV aberta já vale os seis minutos.




domingo, 25 de maio de 2008

Notícias Rock


Essa aí em cima é capa de Cómo te Llama?, segundo disco solo do guitarrista do Strokes, Albert Hammond Jr. Confesso não conhecer muito do trabalho do rapaz, mas o primeiro single do álbum, “GfC”, é bem legal e pode ser ouvido aqui.

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Os ingleses do Subways também lançaram música nova. “Girls and Boys” é a primeira faixa do segundo disco do trio, All or Nothing, a cair na web. A música segue o estilo do primeiro disco da banda, Young for Eternity, cheia de guitarras distorcidas. O mais interessante da faixa é a alternância de vocais entre o guitarrista Billy Lunn e sua namorada, a baixista Charlotte Cooper. “Girls and Boys” pode ser baixada gratuitamente aqui.

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O vídeo de “Porks and Beans”, primeiro single do quinto disco do Weezer está se espalhando rapidamente pelo web. Não é à toa. O clipe é uma homenagem aos maiores fenômenos do Youtube e à geração internet como um todo, além de ser muito engraçado. Se o Red Album for tão bom quanto essa música e seu clipe teremos um novo clássico da banda.


quinta-feira, 22 de maio de 2008

Notícias Rock


Os californianos do Offspring, em parceria como YouTube, estão promovendo um concurso para o lançamento do vídeo de “Hammerhead”, primeiro single de Rise and Fall, Rage and Grace. Infelizmente, só podem participar da promoção fãs residentes nos EUA. De qualquer forma, é possível conferir os vídeos postados pelos fãs aqui. Falando em Offspring, há alguns dias o quarteto divulgou a capa de Rise and Fall, Rage and Grace. A arte vai no mesmo rumo de alguns CDs anteriores como Americana e Conspiracy of One. Pode ser só supertição, mas não são os melhores trabalhos da banda.

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Nem só de YouTube vive o rock. O MySpace também está bombando com os novos sons da loiríssima Lily Allen e do Beck. Allen postou em sua página versões demo de "I Don't Know" e "I Could Say". Ambas farão parte do sucessor de Alright, Still, ainda sem nome e data de lançamento. Já a página de Beck trás a chata (e curta) "Chemtrails", que também estará no próximo trabalho do americano.

Os superstars ingleses do Oasis também anunciaram novidades. O novo álbum da banda deve ser lançado em setembro, mas ainda não foi divulgado o nome, data precisa, ou qualquer outra informação. Pelo visto eles não gostam tanto de novidades tecnológicas como Beck ou Lily Allen.

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In other news, esta meio bizarra, os fãs da banda estadunidense My Chemical Romance estão organizando uma passeata em Londres para protestar contra “os meios de comunicação que vêm denegrindo a imagem da banda”. A passeata irá do Hyde Park até o escritório do Daily Mail, jornal inglês que vem associando o suicídio de Hannah Bond, emo britânica de 13 anos, ao suposto “culto Suicida” promovido pela banda.

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A semana que está acabando foi gentil com os fãs de vídeo-clipes. Aí em baixo, você pode assistir “The Western World”, do último álbum dos punk rockers do Pennywise, e "Dig My Own Grave", do New Found Glory, retirado do EP Tip of the Iceberg / Takin’ It Ova!.

O primeiro é uma superprodução meio clichê, mas bem legal, para dar suporte a uma das músicas mais memoráveis que o Pennywise lançou nessa década. O segundo é engraçado, com o bom humor típico do pop punk pelo qual o New Found Glory é conhecido.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Retração do mercado de discos atinge pequenos lojistas


Grandes cadeias não sofrem, mas fechamento das pequenas lojas deve continuar em ritmo acelerado

Nos últimos anos a queda na venda de CDs tem sido de cerca de 10% ao ano, segundo estimativas da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). No Brasil não é muito diferente e, mais do que as gravadoras, isso tem afetado os pequenos e médios lojistas do ramo. A rede de discotecas 2001, que já teve 14 lojas na cidade, deve fechar seus dois últimos pontos até o final do ano. “Nos últimos cinco anos fechamos oito lojas. Só esse ano já fechamos quatro”, explica Josenei de Sousa, gerente da loja da 108 norte.

Segundo o gerente, vários fatores são responsáveis pelo declínio do mercado. A música digital, a pirataria e o preço dos CDs são os principais. “O preço de CD é uma coisa irreal, não existe. Isso contribui com a pirataria e com os downloads de internet”, defende. Ainda segundo ele, a queda nas vendas na rede 2001 chegou a quase 70% em 2007 em relação ao pico de vendas alguns anos atrás. Josenei prevê que até o fim de 2009 Brasília não tenha mais nenhuma loja que venda exclusivamente discos. “Só lojas de departamento, como a [Livraria] Cultura e a Fnac”, complementa.

De fato, estas parecem alheias à crise. Fábio Herz, diretor comercial da Livraria Cultura diz que as vendas da cadeia não têm caído. Segundo ele, em 2007 a Cultura apresentou um aumento de 23% em número de CDs vendidos. Os recém fechados números do primeiro trimestre de 2008 são ainda mais generosos: um crescimento de 52% em relação ao mesmo período do ano passado.

Herz explica a diferença entre sua loja e o mercado em geral. Segundo ele, a rede não investe em grandes lançamentos ou promoções. “A Cultura sempre esteve focada nos produtos de catálogo, temos um bom acervo de jazz, blues e música clássica”, diz. Para o diretor, ainda há espaço para os discos porque o brasileiro não tem o hábito de comprar pela internet e ainda existe o consumidor que gosta de CDs. “Outra coisa importante é o atendimento. CD é commodity, o importante é pegar o cliente pelo coração”, complementa.

Apesar da realidade conflitante, os números demonstram que a crise do mercado fonográfico é uma realidade, e Josenei de Souza atribui grande parte da culpa às gravadoras. “Elas demoraram muito pra cair na real. Se há cinco ou seis anos as gravadoras tivessem tentado baixar os preços, o mercado não teria chegado onde chegou”, defende. O gerente diz ainda que o preço médio dos CDs de cerca de R$ 30 deveria ser reduzido à metade. “Se tivesse um produto de qualidade com preço bom, as pessoas não iam correr para a pirataria”, defende.

Mas talvez o modo de consumir música esteja mudando radicalmente, independente do preço dos CDs. Josenei e Fábio Herz concordam que o público que consome discos atualmente é de alta renda e de meia idade. Existem também aqueles colecionadores, que até hoje compram discos de vinil. “O público geral consome qualquer coisa. Baixa [da internet], compra pirata, depois joga fora”, diz o gerente da 2001.

Fábio Herz diz que culpar a pirataria é simples e que ela é uma realidade em todo o mundo. Segundo ele, a Livraria Cultura não é muito afetada porque produtos piratas estão muito focados em determinados tipos de música. “Ninguém compra a 9ª Sinfonia de Beethoven pirata”, explica. Apesar disso, o diretor concorda que a forma de consumir música está mudando. Segundo dados da Associação Brasileira de Produtores de Discos, o crescimento das vendas de músicas em formato digital –como o mp3- em 2007 foi de 185% em relação a 2006, somando cerca de 8% do faturamento do mercado fonográfico brasileiro.

Provavelmente devido à chamada exclusão digital o mercado brasileiro ainda é pequeno se comparado ao mercado internacional. Segundo a IFPI, o comércio de músicas digitais já é responsável por 15% das vendas da indústria musical de todo mundo, cerca de R$ 5,1 bilhões. Ainda de acordo com as estimativas da IFPI, o “mercado” de downloads considerados ilegais pela industria musical é cerca de 20 vezes maior do que o legal.

A campeã de vendas digitais em 2007 foi a cantora canadense Avril Lavigne, cuja música “Girlfriend” vendeu 7,3 milhões de arquivos. Neste cenário, os artistas estão fazendo apostas diferentes das gravadoras e lojas de discos, que não ganham nada com os downloads ilegais. Devido à possibilidade de se tornarem mundialmente conhecidos e aumentarem seus ganhos em shows e venda de merchandising, muitos artistas não vêem os downloads chamados ilegais com maus olhos. Mais do que isso, bandas internacionais famosas, como Radiohead e REM, estão adotando a estratégia da venda direta via sites próprios.

As estratégias dos lojistas são outras. De acordo com Fábio Herz, a Livraria Cultura está estudando o que fazer no futuro, quando a mídia CD for substituída. “Talvez vender músicas digitais”, diz. Ainda segundo ele, o espaço em loja deve ser substituído por DVDs ou games. A venda em número de unidades de DVDs na Cultura cresceu 86% no primeiro trimestre desse ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Em relação aos games, Herz diz que estão ganhando muita força. “O público adolescente consome muito. Temos que ficar atentos às novidades”.

Já Josenei de Sousa diz que sua loja ainda aposta em encomendas e em um atendimento diferenciado, mas que a única ação especifica tem sido pressionar as gravadoras por preços menores. “Para vender alguma coisa temos que ter um bom preço. Não tem para onde correr, essa é a verdade”, explica. Mas se as pequenas lojas não tem muita perspectiva, o gerente já fez seus planos para o futuro. “Vou correr pra outro lado. Música não faz mais parte dos meus planos. Pretendo trabalhar no departamento pessoal de alguma empresa”, diz.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Anti-Flag - The Bright Lights Of America (2008)

The Bright Lights Of America é o segundo álbum dos punk rockers do Anti-Flag pela major RCA. Se o lançamento anterior, For Blood And Empire, era uma continuação natural do trabalho dos estadunidenses, aqui a influência mainstream começa a aparecer de verdade, não no processo de composição, mas na produção do álbum. Esse é o maior defeito de The Bright Lights Of America: ele é produzido demais.

Pianos, teclados, sopros, arranjos de cordas, corais de crianças e efeitos como eco, sinos, explosões e trovões simplesmente não combinam com o punk rock do quarteto e quase ofuscam as boas composições. Isso fica evidente em “Shadow Of The Dead”, “The Ink And The Quill (Be Afraid)” e em “Good And Ready”, tão empolgante que sobrevive à sinos, efeitos eletrônicos, um arranjo de cordas e às crianças pentelhas, tudo em menos de 4 minutos de música.

Apesar de todo o exagero, o Anti-Flag vem progressivamente se tornando uma banda melhor, mais completa e menos repetitiva, e as boas composições salvam The Bright Lights Of America do fracasso. As duas músicas que abrem o disco, a já citada “Good And Ready” e “The Bright Lights Of America” são muito boas e se equilibram bem entre o punk rock que fez a fama da banda e o pop punk para o qual estão se encaminhando.

Do lado das músicas que trazem algo novo ao som do quarteto, “Go West” surpreende com uma gaita bem encaixada, apesar de ser uma música um pouco repetitiva. E do lado daquelas que não trazem nada de novo, o destaque é a porrada “Spit In The Face”, que conta com um ótimo solo metaleiro e é surpreendentemente longa para sua velocidade. No final das contas o punk rock sobreviveu à superprodução e o Anti-Flag criou um bom álbum, recheado de temas políticos, para apresentar a seus fãs.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Hammerhead

Os punk rockers do Offspring postaram em seu (novo) site oficial a música “Hammerhead”, que estará no próximo disco dos caras, “Rise And Fall, Rage And Grace”. A faixa pode ser ouvida em streaming ou baixada após registro. O mp3 é de alta qualidade e DRM free. A música, no entanto, não trás grandes novidades. É apenas uma faixa como muitas outras da banda, o que deve agradar aos fãs, mas pode decepcionar aqueles que esperavam algo mais do Offspring após mais de 4 anos de silencio. De qualquer forma vale a pena escutar, nem que seja para ouvir a segunda parte da canção, com instrumental composto por Kurt Cobain.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Independente Futebol Clube

Circuito Fora do Eixo lança portal para expandir e fortalecer a produção musical independente.


No ar desde o início do mês, o portal Fora do Eixo se destina a abastecer produtores, bandas e jornalistas com informações e discussões sobre a produção independente em todo território nacional. Parte de um projeto maior - o Circuito Fora do Eixo - o site obedece à lógica da livre circulação de informação e é gerido por membros dos coletivos que integram o projeto. No entanto, a comunicação externa ainda é fraca.

Fundado em 2005, o Circuito Fora do Eixo é uma associação de produtoras de eventos, bandas, jornalistas e casas de shows, que procura integrar e estimular a produção musical independente principalmente nos estados que se encontram fora do alcance do eixo Rio-São Paulo. “As metas iniciais eram promover ações que estimulassem a circulação de bandas, produtores e jornalistas, bem como estimular o escoamento de produtos culturais”, explica Marielle Ramires, coordenadora de comunicação do Espaço Cubo, um dos coletivos fundadores do projeto.

Além de informar o público geral e os associados, o portal Fora do Eixo tem o objetivo de aumentar a integração dos diversos setores produtivos da industria musical independente em cada estado. Para gerenciar o site, foi criado um conselho gestor e três “núcleos”: marketing, administrativo e de produção de conteúdo, que conta com editores de Web TV, Web Rádio, Fotografia e Redação.

André Kalil, produtor executivo da Torneira Produções Independentes, única representante de Brasília no Circuito, diz que sua empresa é co-responsável pela área de marketing e redação. “Auxiliamos os grupos de edição, enviando pautas à central”, explica. A Torneira lançou recentemente a Web TV Torneira, um canal no site YouTube que, segundo Kalil, fará parte da Web TV Fora do Eixo. “Ali disponibilizaremos vídeos de nossos eventos”.

Apesar de aumentar a troca de informações entre os associados, o portal ainda não cumpre bem a função de informar a imprensa e o público consumidor de cultura. Muito fechado em si próprio, o Circuito reclama, como todos no meio independente, da falta de exposição e espaço na mídia, mas não tem um sistema eficiente de assessoria de imprensa, por exemplo.

Projeto busca novos caminhos

O Circuito Fora do Eixo funciona de forma horizontal, como uma rede de distribuição de informações e produtos, e a representação local é feita pelos associados, que desenvolvem seus próprios projetos, além de participar de iniciativas integradas do projeto. Atualmente, o Circuito tem representação em 18 estados brasileiros, entre eles todos os das regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.

Apesar do nome, hoje o projeto também tem representação no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Há muita gente ‘fora do eixo’ no eixo. A questão transpõe a perspectiva geográfica. ‘Fora do eixo’ revela uma condição política”, defende Marielle Ramires. Ainda segundo ela, qualquer coletivo, produtora ou núcleo de produção que se dedique à cultura independente no país pode participar.

Tornar a produção musical independente auto-sustentável é o objetivo final do Fora do Eixo, que tem um sistema próprio de gestão e moeda, os Cards. Essa moeda se insere no conceito de economia solidária defendido pelo projeto, cujo sistema de créditos é baseado na troca de serviços e produtos. “Por meio da troca de serviços e Cards, artistas, produtores e coletivos podem gerir seu trabalho de uma forma que beneficie a todos”, explica André Kalil, da Torneira Produções.

“Bandas hoje consideradas top no circuito independente nacional, como Vanguart e Macaco Bong, começaram suas carreiras trocando apresentações ao vivo por horas no estúdio de ensaio”, exemplifica Ramires, que complementa: “É bem diferente da disputa férrea estabelecida pelo grande mercado, onde quase não há diálogo entre concorrentes”.

Apesar do discurso oficial conter termos como “características socializantes”, “coletivização dos meios de produção” e “alijados pela lógica do grande capital”, o projeto também tem seu lado pragmático. André Kalil diz que estar integrado ao Circuito aumenta a projeção, divulgação e espaço de atuação de sua produtora. Ainda de acordo com ele, é importante Brasília estar representada no Fora do Eixo, pois isso abre espaço para que as bandas locais se apresentem em outros estados, chamando a atenção da mídia independente. “Além disso, o resto do Circuito está de olho no DF”, diz.

Entre outras iniciativas, o Circuito organiza anualmente o Festival Fora do Eixo e o Grito Rock, que este ano aconteceu quase simultaneamente em quase 50 cidades brasileiras, além das edições estrangeiras em Montevidéu e Buenos Aires. Já o Festival Fora do Eixo acontece anualmente em São Paulo, mostrando para a mídia e público paulista as bandas de outras regiões do país.

“Em Brasília o balanço ainda é fraco, mas a nível nacional o Grito [Rock] é muito articulado e forte, contanto com patrocínio de grandes empresas”, explica Kalil. Marielle Ramires também avalia de forma positiva as conquistas do Circuito. “Cada vez há mais agentes produtivos se integrando e investindo força de trabalho na ampliação desta rede”, diz ela.

domingo, 27 de abril de 2008

A “cena” e os “showzinhos”

A cerca de uma semana atrás, postei aqui uma resenha do primeiro dia do Coquetel Anti-tédio, festival organizado pela Ziperona. Infelizmente o evento não encheu muito em nenhuma das 3 datas, apesar de uma escalação variada de bandas que tem se apresentado com freqüência na cidade. Escrevi que era “difícil saber se a falta de público se deve a um encolhimento da cena, a uma superexposição das bandas que tocam na cidade quase todo final de semana, ou a ausência da atração principal da noite, a banda chilena Humana”.

Talvez seja uma soma de tudo isso. É difícil falar de encolhimento de uma cena que sabidamente sofre de um “efeito sanfona”. Ian, guitarrista da banda Ilustra e produtor de shows deixou um extenso comentário no post, que mostra que nem mesmo os próprios produtores e bandas realmente sabem direito onde estão pisando.

Brasília é uma cidade estranha em relação a isso. Não se sabe o que acontece nos shows. Às vezes "lota" e dá a impressão de que a parada está ressurgindo, e às vezes fica tão vazio que despilha de fazer [organizar] qualquer coisa.


Ian também falou sobre as razões da superexposição das bandas:

A superexposição realmente cansa, mas ela existe por diversos fatores. São sempre as mesmas bandas, mas também são os mesmos organizadores. Repito bandas nos shows, a minha sempre. Organizar shows é uma coisa tão cara e trabalhosa, que faço questão de tocar. Ter esse prazer. Entendo que as poucas pessoas que organizam shows preferem não arriscar.

Falta também iniciativa das bandas novas, de organizarem shows e fazerem correrias, para um dia conseguirem "status" e serem convidadas sempre pra tocar, num reconhecimento de seus trabalhos. Minha banda mesmo não brotou de uma árvore. Foi um longo processo, até eu me envolver com shows e com estes shows fazer novos contatos e aparecer na cena.


Não discordo de nada, mas a questão vai além. Acho que a superexposição é natural em uma cena relativamente pequena de uma cidade média. E também tem seu lado positivo, uma vez que se apresentar ao vivo quase todo final de semana ajuda as bandas a evoluírem mais rapidamente. Talvez lineups com bandas de estilos mais diversos pudesse integrar um pouco os apreciadores de diferentes subgêneros e possibilitasse shows maiores. Pode parecer arriscado, mas tem dado certo para o Porão do Rock, nos últimos 10 anos.

Também acho que se soma a tudo isso, o fato de estarmos em uma entressafra de bandas locais “famosas”. Há algum tempo atrás tocavam no mesmo palco bandas iniciantes e conhecidas, como Bois de Gerião, Gramofocas e Móveis Coloniais de Acaju. Infelizmente, hoje nenhuma banda local dura tempo suficiente para lançar 1 ou 2 discos e formar uma base de fãs que vá além dos 200 aficcionados que comparecem toda semana ao Blackout ou ao... Blackout.

O que nos leva ao último ponto. A falta de estrutura. Tem quem ache bom o suficiente, mas os degraus que ousam chamar de palco, o som e iluminação apenas razoáveis da maior parte dos locais afasta parte do público, principalmente aqueles maiores de 20 anos, que preferem escutar rock em casa e ir a um show do Dead Fish a cada 2 anos. Entendo que os custos são altos, que ninguém vive de organizar shows underground e que simplesmente não vale a pena tamanho trabalho e gasto para aparecerem apenas 200 pessoas. Mas não deixa de ser um ciclo vicioso. A quantidade de fãs de punk rock, hardcore, emo, indie rock, e metal de diversos estilos é incomparavelmente maior que a quantidade de freqüentadores de “showzinhos”. Pode não ser nenhuma das citadas nesse texto, mas deve existir alguma razão.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Coquetel Anti-tédio – dia 3

Resenha do 3º dia do Coquetel Anti-Tédio no Blackout Bar, porque no 2º dia nenhum membro da equipe Rock N Cigarettes esteve presente no evento.

Domingo-feira. Já era noite e haviam algumas pessoas no Blackout Bar, não tantas quanto deveriam. Por mais que a segunda-feira fosse um feriado, o dia que passa Faustão estava com cara de uma noite pós Banheira-do-Gugu. Pelo o que eu ouvi de 3 pessoas, muita gente gostaria de ter visto a banda de abertura The Droogies.

A segunda atração da noite foi o Rainha Vermelha, que pareceu agradar muitos transeuntes. Rodrigo e André seguraram muito bem os vocais. Banda entrosada e redonda. A próxima banda, a goiana Atomic Winter, chamou a atenção de pessoas que chegaram, se posicionaram e de lá não mais saíram. O vocalista tem um vocal bem diferente das outras bandas do dia, alternando entre uma espécie de berro tipo Slayer e Garage Fuzz, como eles mesmos falaram. Os guitarristas eram tímidos e suas distorções poderiam ter um pouco mais de punch. Já a cozinha preparou todos os pratos na hora certa.

A segunda atração goiana da noite, a Critical Strike, mostrou uma apresentação mais comportada e um pouco mais experiente que a de seus conterrâneos. Eles mostraram um vocal mais sujo que na apresentação do Colégio Sênior algumas semanas atrás, talvez devido ao equipamento utilizado ou à onda de gripe que percorreu o centro-oeste, mas que soou legal.

Em seguida, a banda Promessa chamou vários curiosos para a frente do palco, que durante o show deram alguns passos para trás, e ao final, novos passos para frente. Durante a apresentação mostraram danças do siri e um cover do Rufio, que segundo eles não foi ensaiado. O vocalista podia olhar um pouco mais para o público, mas talvez cantar de costas e de lado para a platéia fosse uma questão de estilo. O Baixista Gabriel estava possuído pelo demônio, destacando-se bem mais que os outros 4.

O ADI, Amigos do Ivolanda, possui uma força magnética que arrastou boa parte do público para frente do palco. Entendi o porquê. Banda animada, músicas boas, dançantes, redondas e românticas. O baterista Thales estava concentrado até o talo. Sinto que o vocalista está desenvolvendo seu próprio estilo de cantar, deixando para trás os murmúrios breacos. E para finalizar a bela noite de shows se apresentou a banda Falante, de São Paulo. Os 4 integrantes se mostraram bem à vontade no palco, se comunicando razoavelmente com o público brasiliense e tocando músicas que agradaram muita gente, inclusive o Ed, dono do som.

Após o show, o público parecia cansado, mas pouco disposto a voltar para suas casas. Acredito que esse festival organizado pelo Ziperona deixou um gostinho de quero mais. Segundo o bombeiro de amarelo, não ocorreu nada de grave. Apenas alguns bebuns de primeira viagem beberam em excesso de estômago vazio e acabaram chamando colegas como Hugo e o Raul. Estes não foram bem-vindos.

Por Boss Matsumoto

domingo, 20 de abril de 2008

Coquetel Anti-tédio – dia 1

O primeiro dia do Coquetel Anti-tédio levou um público pequeno ao Blackout Bar. Difícil saber se a falta de público se deve a um encolhimento da cena, a uma super exposição das bandas que tocam na cidade quase todo final de semana, ou a ausência da atração principal da noite, a banda chilena Humana. Após a boa estréia do Maltz, que mistura punk rock e música celta, na linha de Dropkick Murphys e Flogging Molly, e uma longa troca de palco, o Ravenna mostrou seu screamo / post-hardcore (ou qualquer que seja o rótulo de preferência) aos presentes. Apesar de tocarem bem e fazerem uma apresentação agitada, fica a sensação de que a banda ainda precisa encontrar uma identidade própria, que os diferencie mais das várias bandas que fazem o mesmo tipo de som.

Dando continuidade a alternância de estilos, o Perfecto tocou seu hardcore melódico para um público que parece cada vez menos apreciar o gênero. Apesar do vocal um pouco fraco e do som embolado (comum no Blackout), o quarteto se saiu bem. Não tão bem quanto a banda seguinte, Ilustra. Sempre profissionais, o sexteto screamo estava desfalcado de seu mais destacado vocalista, Júlio. Felizmente para a banda, os amigos ajudaram, se revezando nos vocais gritados. O improviso resultou em show divertido e surpreendentemente bom.

Com a ausência do Humana ficou a cargo do Cárdia e seu hardcore fechar a noite. A banda toca bem, mas não pareceu muito empolgada com a própria apresentação. É verdade que o pequeno público presente não deu ao show ares de Warped Tour ou coisa parecida. A cerveja ingerida por este resenhista também prejudicou um pouco a observação da última apresentação da noite. Shame on me. Resta torcer para que o bom trabalho da produtora Ziperona seja melhor recompensado nos outros 2 dias de shows.

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Uma semana antes do Coquetel Anti-tédio aconteceu no mesmo Blackout a versão brasiliense da seletiva do Zona Punk e Vans Apostam, que teve como vencedores o PDG. Como sempre acontece nessas ocasiões em que o voto popular escolhe a banda vencedora, aqueles que conseguem levar um número maior de amigos ao show ganham. Não é algo que desmereça o trabalho de qualquer uma das bandas que se apresentou na noite, mas a votação poderia ser feita na entrada, já que ninguém (incluindo esse blogueiro) assiste as apresentações para depois se decidir pela banda que mais gostou.

De qualquer forma, todos os grupos visivelmente se esforçaram para fazer uma apresentação que chamasse atenção dos presentes. Em meio ao som quase sempre mais ou menos, o Sem Fim se destacou, fazendo a única apresentação em que era possível ouvir bem o som de cada instrumento em ação. Frente à postura quase shoegazer dos outros integrantes, coube ao baixista Gabriel e ao baterista Dudu agitarem o show. Este último, aliás, fez um ótimo trabalho com as baquetas. O outro destaque foi o Under Atlantic, que fez um show muito animado, tocando seu pop punk / hardcore melódico, com direito a cover de No Use For a Name. Viva os anos 90.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Entrevista com a banda Stratum


O Stratum foi formado em 2001 por Daniel (baixo/voz), Vítor (guitarra) e João Guilherme (bateria). Com a entrada de Marcus (guitarra), a banda tomou a forma que tem até hoje. O quarteto diz ter criado a banda para “não apenas escutar, mas também fazer rock”, e toca um som na linha de grupos como Millencolin, MxPx, Dead Fish e Aditive. Confira abaixo a entrevista com o guitarrista Marcus, o Marcão da Boléia.


Então, que porra é Stratum?
Foi a única das opções de nome que a gente achou que soava bem! (só não sei onde estávamos com a cabeça!) Depois de tanto tempo a gente se acostumou com o nome! (risos)

Faz quanto tempo que vocês tocam?
Como um trio (Daniel, João e Vitor), desde 2001. Em 2002, Marcão da Boléia entrou na segunda guitarra e consideramos esse o primeiro ano de banda. Então já se vão 6 anos tocando juntos!

Qual era a idéia inicial da banda e a atual? Mudou muita coisa? Por que?
Bom, quando a gente começou o legal era estar envolvido com música, tocar o que a gente gostava de escutar, e não simplesmente ver os outros tocando. Até que a coisa foi crescendo e tomando uma proporção diferente. Hoje não somos mais os mesmos moleques inexperientes. Aprendemos um pouco sobre tudo o que envolve o cenário musical e tentamos botar o que aprendemos em prática!

O que vocês fazem da vida?
Bom, além da banda e aulas de música, o Daniel, é servidor público e faz graduação em Computação na Unb. O Marcus faz Ciência da computação e faz cursos de áudio. O Vitor faz Administração na Unb e trabalha com administração. O João trancou a faculdade de computação e estuda para concurso.

Os shows renderam muita mulher?
Bom, nos shows especificamente não. Somos todos ogros. (risos) Mas de vez em quando o Daniel se arrisca a fazer umas músicas pra alguma menina. Isso já rendeu alguns namoros e várias discussões de relacionamento! (risos)

E os shows fora de Brasília?
Cara, nos aventuramos no nordeste brasileiro em dezembro de 2004, mais especificamente no estado de Pernambuco, fazendo um show no interior e outro em Recife. Embora a banda ache que os shows não renderam muita coisa, é divertido poder lembrar das historias que passamos. E que venham mais shows fora!

Quais são as melhores bandas na sua opinião?
Cada um escuta coisas muito diferentes. Mas não pode faltar o velho e (ainda) bom Millencolin.

Marcão, fala mais sobre esse seu esquema de gravar coisas na sua casa.
Meu pai tocava bateria e eu sempre fui fascinado pelo instrumento. Sempre quis ter uma em casa. Mas como moro em apartamento, seria quase impossível. Com isso, tive que escolher um outro instrumento. E foi a guitarra. Comecei a tocar com 14 anos, mas sempre tive muita dificuldade em compor. Eu precisava de uma bateria para me guiar. E com isso, conheci o ultra mega maravilhoso Ezdrummer.

Ezdrummer é um plugin VST que permite criar sua própria bateria. Foi a minha salvação. Faço a linha de bateria e começo a compor em cima. Gravo as guitarras e os baixos com o toneport e depois entrego pro Daniel fazer a letra e a melodia de voz. Tem sido uma mão na roda pra gente. E com isso, percebi que a qualidade da gravação era realmente surpreendente. Comprei mais alguns equipamentos e comecei a gravar como forma de aprendizado. Hoje, faço um curso de áudio no [estúdio] Órbis com o Marcos Paulo e se tudo der certo, começo a trabalhar lá.

O que vocês estão achando dos shows de hoje em dia? Os de antigamente eram melhores?
Cara, é muito importante evitar a superexposição de bandas. E também é muito importante ter autenticidade, porque senão cai na mesmice. O que a gente vê hoje são shows sempre com as mesmas bandas e sempre com o mesmo estilo. O que faz com que os shows hoje em dia sejam meio desinteressantes. Por isso eu acho que os de antigamente eram melhores, pois pelo menos pareciam ser mais diversificados.

Escolha um integrante da banda para falar mal.
(risos) O Vitor. Só não é unânime porque ele vai escolher outro que não ele mesmo pra isso! Até hoje a gente não sabe como um menino do QI dele conseguiu passar na Unb além de tocar guitarra e agitar no show ao mesmo tempo e sem errar. (risos) É muita besteira dita por uma pessoa só em pouquíssimo espaço de tempo! Só convivendo!

Agora falem bem do mesmo.
Vitão é um moleque esforçado demais. E competente! Tem sempre boas idéias de arranjos e melodias, além de ter o dom pra administração de negócios. E na banda ele é o campeão das gatas! (risos)

Se vocês ganhassem 5.000 reais para investir na banda, o que vocês fariam?
Com certeza investiríamos na finalização da montagem do nosso próprio estúdio. Rumo à profissionalização!


Por Régis Matsumoto, com colaboração de Léo Werneck

www.fotolog.com/bandastratum
www.youtube.com/bandastratum
www.orkut.com/Community.aspx?cmm=563175
www.tramavirtual.com.br/stratum
www.myspace.com/bandastratum

quarta-feira, 9 de abril de 2008

ALK3 e Half-FX

A banda estadunidense Alkaline Trio divulgou ontem o nome e tracklist do seu próximo álbum, o primeiro pela major Epic Records. Agony and Irony será lançado em 1º de julho e terá apenas 10 faixas. Veja abaixo:

01 - Calling All Skeletons
02 - Help Me
03 - In Vein
04 - Over And Out
05 - I Found Away
06 - Live Young, Die Fast
07 - Four Four Four Four
08 - Lost And Rendered
09 - Ruin It
10 - Into The Night

A música de trabalho do álbum é “Help Me”, que já pode ser ouvida no MySpace dos caras. Uma boa música pop, na mesma veia do último disco, Crimson, e com letra menos depressiva do que o habitual para a banda. Há alguns dias o trio postou por 12 horas “In Vein” em seu MySpace, essa sim capaz de empolgar os fãs. Com uma introdução que lembra The Clash e um refrão típico das músicas da banda, a faixa cantada pelo baixista Dan Andriano deve acabar se tornando o hit de Agony and Irony para o público já familiarizado com o som dos caras.

***

Também vale a pena conferir o vídeo que a revista estadunidense Alternative Press postou em seu site do show do NOFX no enorme festival South By Southwest, que acontece todo ano em Austin, no estado do Texas. Esse ano o NOFX, sob a alcunha de Half-FX, decidiu tocar nada menos que 56 músicas, todas pela metade. A idéia é estranha e o resultado muito divertido. Para entrar na brincadeira a AP postou apenas metade do show dos californianos. Muito bom.

terça-feira, 8 de abril de 2008

REM – Accelerate (2008)

Muito se falou sobre o novo álbum do REM, Accelerate, ser uma volta da banda a sua sonoridade mais roqueira dos anos 80. Outros trataram o lançamento como uma estratégia bem pensada para reconquistar os antigos fãs. Deve ser verdade. Com quase 30 anos de carreira, o trio não tem nada de inocente e dificilmente teria gravado um disco tão enxuto e roqueiro se não fosse a recepção fria de fãs e crítica a Around The Sun, de 2004. Ao mesmo tempo, nada disso tem a menor importância, porque Accelerate é o melhor lançamento do trio estadunidense em muitos anos. Em menos de 35 minutos, a banda dá seu recado e vai embora. E mostra porque é uma das maiores bandas em atividade.

Naquela que foi definida pela própria banda como “a gravação mais curta de nossas vidas”, o produtor Garret “Jacknife” Lee conseguiu capturar toda a energia das apresentações ao vivo da banda nas 11 faixas do lançamento. Lee já produziu vários grupos do chamado novo rock, mas se mostrou o produtor certo para o REM após ajudar o U2 a voltar ao planeta Terra em How to Dismantle an Atomic Bomb. Quase todas as músicas de Accelerate são construídas em cima de guitarra, baixo e bateria, e pianos e teclados só ganham destaque na 5ª faixa, “Houston”.

A diferença para os discos anteriores é perceptível desde o momento em que a guitarra de Peter Buck abre o disco na boa “Living Well Is The Best Revenge”. Faixas como “Man-Sized Wreath”, “Horse To Water” e o single “Supernatural Superserious”, mantém o pique, trazendo de volta os clássicos backing vocals do baixista Mike Mills. Por mais roqueiro que o álbum seja, algumas baladas estão presentes, como em todos os lançamentos da banda. E são tão boas quanto as músicas mais animadas. “Mr. Richards” e “Until The Day Is Done”, são as melhores e deixam o caminho livre para o peso da ótima e despretensiosa música de encerramento, “I'm Gonna Dj”. Michael Stripe deixa o recado para todos: Ele vai discotecar no fim do mundo. “Yeah!”

terça-feira, 1 de abril de 2008

Anti-Flag + NUFAN

Hoje chegam as lojas norte americanas as versões físicas de “The Bright Lights of America” e “The Feel Good Record of the Year”, novos lançamentos do Anti-Flag e No Use For a Name, respectivamente. Um sinal dos tempos é o fato de que ambas as bandas postaram os álbuns inteiros em suas páginas do MySpace.

O No Use For a Name já havia liberado para audição a faixa de abertura “Biggest Lie”, um hadcore melódico veloz como a algum tempo a banda não fazia. “The Feel Good Record of the Year” não segue exclusivamente essa sonoridade, mas atira em várias direções já exploradas na discografia dos californianos. Após uma primeira audição apressada, a impressão que fica é muito boa.

Já os punk rockers do Anti-Flag haviam liberado 3 faixas de “The Bright Lights of America”, todas ótimas. Entretanto, o restante do álbum soa um pouco sem direção. Aparentemente a banda tentou buscar novos caminhos para seu som, mas se perderam no percurso. Pode também se tratar de um disco um pouco diferente dos anteriores, que revele seu valor aos poucos, após algumas audições. Veremos.