quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

The Loved Ones – Distractions (2009)

O primeiro álbum do Loved Ones é marcado por punk rocks energéticos e relativamente acelerados. Já o segundo, abre espaço para pianos e influencias como Bruce Springsteen e folk rock. Neste novo EP, o quarteto da Philadelphia dá segmento a essa evolução musical, para-doxalmente, com algumas gra-vações antigas.

Entre as seis faixas de Distrac-tions estão três covers e uma música própria, todos b-sides do primeiro disco. Apesar de metade das faixas não ser composição do próprio quarteto, as músicas fazem sentido juntas, já que eles regravaram apenas influencias declaradas para o som da banda.

A faixa-título abre o EP com o mesmo feeling do último lançamento dos caras, assim como a faixa seguinte “Last Call”. Ambas são bons punk rocks mais lentos, com pianos e teclados. Já “Spy Diddley”, gravada nas seções de Keep Your Heart, acelera um pouco as coisas e deixa a dúvida de porque não foi incluída no tracklist do disco.

A segunda parte de Distractions é dedicada aos covers. Curiosamente, o compositor menos conhecido do pacote rende a melhor das três faixas. “Lovers Town Revisited”, de Billy Brag, se encaixa muito bem no conjunto de canções da banda. Mas quando o quarteto abre mão de sua formação punk rock, para apostar apenas no clássico “voz e violão” (ou voz e guitarra), o resultado não é tão impressionante. “Coma Girl”, de Joe Strummer, e “Johnny 99”, de Bruce Springsteen, não tem o mesmo impacto das outras 4 faixas, apesar dos vocais seguros de Dave Hause.

No final, Distractions é apenas o que o nome anuncia: uma boa distração que deve agradar os fãs até que saia o próximo trabalho da banda, ainda sem data de lançamento. Mas não é nem de longe tão bom quanto o último lançamento da banda.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Os Melhores de 2008

Para começar bem 2009, vamos às famosas e inescapáveis listas de melhores do ano. Ao invés de selecionar um número pré-determinado de álbuns, decidi escrever sobre aqueles discos que realmente marcaram meu ano musical, aqueles que acho que vão ficar no meu iPod por mais uns verões. Confira os sete escolhidos:

Accelerate é o melhor lançamento do R.E.M. em muitos anos. Com a “gravação mais curta da carreira” do trio estadunidense, quase todas as músicas do disco são construídas em cima de guitarra, baixo e bateria. Em menos de 35 minutos, o grupo dá seu recado e vai embora. E mostra porque é uma das maiores bandas em atividade.

O primeiro trabalho solo do ex-vocalista do Face To Face une a melancolia do título com programações de bateria (quase) dançantes, que levam o álbum para longe de um clima simplesmente depressivo. O destaque vai para as músicas “Incommunicado” e “Bleeding Out”, mas o disco merece ser ouvido cuidadosamente em sua totalidade.

Float foi o primeiro trabalho do Flogging Molly a dar o destaque necessário a cada um dos muitos instrumentos usados pela banda. O resultado é menos pesado, mas revela as ótimas composições de Dave King. Além disso, o álbum é bom do início ao fim. Não há pontos baixos ou músicas a serem puladas. Isso faz de Float um disco a ser lembrado.

Gaslight Anthem – The ‘59 Sound
A capa de The ‘59 Sound já entrega: apesar ser cria da cena punk de New Jersey, o Gaslight Anthem busca inspiração em outros cantos do rock americano, do conterrâneo Bruce Springsteen ao college rock do Replacements. Da mistura, a banda tira músicas memoráveis como “Great Expectations” e a faixa-título. Sem dúvida a melhor surpresa do ano.

The Loved Ones – Build And Burn
Build And Burn sugere uma transição para o quarteto da Philadelphia. O início do álbum é marcado por punk rocks com vocais rasgados como “Pretty Good Year”, que lembram o som de Hot Water Music e Against Me!. Progressivamente vão entrando os pianos e a distorção vai dando lugar a um feeling sulista que tem seu ápice na ótima “Loisiana”.

The Subways – All Or Nothing
O segundo disco do Subways prova que o rock alternativo dos anos 90 não está completamente esquecido. All Or Nothing soa ao mesmo tempo mais pop e mais pesado que o álbum de estréia da banda. Misturando guitar rock, grunge e um pouco de punk rock e britpop, a música do trio é mais suja, energética e ao mesmo tempo pop, que a de qualquer banda britânica da atualidade. 

Agony and Irony pode não ser o melhor trabalho do Trio, mas tem algumas ótimas músicas, como “In Vein” e “Calling All Skeletons”. Com um som mais pop que nos trabalhos anteriores, o disco também mostra que a banda tem qualidade e personalidade suficientes para sobreviver ao envelhecimento e às mudanças de gravadora.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Vendas de CDs cai, mas downloads pagos batem recorde em 2008

O balanço do ano não foi muito positivo para a industria musical estadunidense. A venda total de álbuns – dado que inclui tanto álbuns físicos quanto virtuais – caiu para aproximadamente 428 milhões de unidades, uma queda de 8,5% em relação aos números de 2007. 

Segundo a Nielsen SoundScan, a venda de álbuns físicos caiu de 450 milhões para 362 milhões, afetando todos os gêneros musicais. A artista country Taylor Swift foi quem teve o melhor resultado em 2008, com 4 milhões de álbuns vendidos, seguida por AC/DC, Lil’ Wayne e Coldplay.

Apesar de não compensar a queda livre dos CDs, as venda digitais bateram recorde no ano que passou. Somente a venda dos álbuns virtuais cresceu 32%, chegando a quase 66 milhões de unidades vendidas. Já as faixas digitais avulsas alcançaram a marca de 1,07 bilhão de unidades, um crescimento de 27%.

Apesar da tendencia de queda, algumas gravadoras estão se adequando à nova realidade. A Atlantic Records, maior vendedora de discos nos EUA em 2008, divulgou que no mês de setembro seu lucro com vendas digitais ultrapassou o lucro com vendas de CDs.

Leonardo Werneck

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Tom Gabel – Heart Burns (2008)

O EP Heart Burns é o novo trabalho solo do vocalista e compositor da aclamada banda estadunidense Against Me! Levando em conta as reações dos fãs às inovações sonoras dos últimos discos da banda, parece uma boa idéia Tom Gabel lançar mão de um projeto paralelo para gravar suas composições mais dançantes e pop. O  uso  de  programações de bateria misturadas com guitarras e violões lembra o trabalho solo do ex-vocalista do Face To face, Trever Kieth, mas a voz marcante de Gabel, mesmo que involuntariamente, traz à mente o som do Against Me!

“Anna Is a Stool Pigeon” é o maior destaque e o mais provavel hit do lançamento. Misturando violões, gaita e uma letra de protesto, a faixa também representa bem o trabalho de Tom Gabel. O lado mais folk de Heart Burns é representado por “Harsh Realms” e “Cowards Sing at Night”, que lembram o som do trovador britânico Billy Brag. Minimalistas, ambas confiam nos fortes vocais de Gabel para se destacarem, já que os arranjos se limitam a um violão na primeira, e uma guitarra na segunda.

Já “100 Years of War” é a que mais lembra os primeiros trabalhos de sua banda, e “Random Hearts” é o mais próximo que o compositor já chegou da new wave. A face mais calma do disco é “Conceptual Paths”, que conta com uma bela melodia e palmas de computador ao fundo. Não se pode dizer que esse lançamento seja um masterpiece, mas Heart Burns mostra um pouco do potencial de Tom Gabel como compositor e vocalista e deve agradar aos fãs que não ficarem comparando cada composição com “Reinventing Axl Rose”.

domingo, 2 de novembro de 2008

Alone II: The Home Recordings


No próximo dia 25 de novembro a gravadora Geffen vai lançar o segundo volume das gravações caseiras de Rivers Cuomo, vocalista do Weezer. A incrível foto da capa é mesmo Cuomo, ainda no segundo grau. Do disco, esse blogueiro ouviu apenas "I Want to Take You Home Tonight", que soa bastante com o que o Weezer deveria estar fazendo. Confira abaixo o tracklist do lançamento:

01. "Paper Face"
02. "Thrown It All Away"
03. "Don't Worry Baby" (Beach Boys cover)
04. "The Purification of Water"
05. "I'll Think About You"
06. "Walt Disney"
07. "Oh Jonas"
08. "Please Remember"
09. "Come to My Pod"
10. "The Prettiest Girl in the Whole Wide World"
11. "I Want to Take You Home Tonight"
12. "I Was Scared"
13. "Bad Girl"
14. "My Day Is Coming"
15. "I Don't Wanna Let You Go"
16. "Softies"

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Blackmarket – Blackmarket EP (2008)

O EP de estréia desse quarteto do Arizona (EUA), tem apenas seis faixas, mas mostra uma banda com um potencial enorme. O som dos caras é um indie rock bastante pop, com influencias de Weezer e dos britânicos do Ash e Subways, e conquista o ouvinte de primeira. O single “Sheila”, que aparece tanto em sua versão original quanto na versão para as rádios (absolutamente iguais), tem um ótimo refrão pop que gruda na cabeça e junto com a balada “White Lie”, mostra um pouco da influencia auto declarada de Beatles na composição de melodias grudentas.

“Magic Tricks”, “Drag Addict” e “Bad Call” são mais roqueiras e revelam as boas guitarras de Jason Brindis e do vocalista Daryl Lamont, ainda que a última conte teclados meio desnecessários, um pouco videogame demais. Apesar de marcar a estréia da banda, o EP é muito bem gravado e produzido e mostra que o Blackmarket deve em breve estender o sucesso que já fazem no Japão aos EUA e Europa. Quem sabe até ao Brasil.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Rise Against – Appeal To Reason (2008

Mantendo a regularidade de um lançamento a cada dois anos, os estadudenses do Rise Against estão de volta com seu quinto trabalho, Appeal To Reason. Novamente produzido por Bill Stevenson, também responsável pelo lançamento anterior e pelo fan favourite Revolutions Per Minute, o disco começa muito bem, com duas faixas com a cara do Rise Against, “Collapse (Post-Amerika)” e “Long Forgotten Sons”. O bom single “Re-Education (Through Labor)” aparece em seguida, com um ritmo mais cadenciado, mas com toda a energia que caracteriza a banda.

No entanto, a partir da quarta música, Appeal To Reason pode assustar os fãs. À exceção de “Savior” e “Entertainment”, todas as outras faixas são bastante pop, equilibrando seu lado grudento com os vocais rasgados de Tim McIlrath e, às vezes, letras políticas. Individualmente são músicas boas, mas lado à lado fazem o álbum perder um pouco a energia e a urgência tão características dos outros trabalhos do quarteto. Quando se chega à décima faixa, a balada “Hero Of War”, resta pouco animo para conferir as últimas 3 músicas de Appeal To Reason, que continua decente, mas sem empolgar até o final.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Criticism

A good review doesn't tell you whether you should like or dislike something. It discusses strengths and weaknesses and invites you to make up your own mind based on the information and perspective offered you.

Uma boa resenha não te diz se você deve gostar ou não de algo. Ela discute pontos fortes e fracos e te convida a formar sua própria opinião baseada nas informações e pontos de vista oferecidos a você.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

The Hives em Brasília


Ainda que com um atraso fenomenal, este repórter decidiu escrever uma resenha sobre o show dos suecos do The Hives em Brasília, na última sexta-feira. Antes tarde do que tarde demais.


Com cerca de uma hora de atraso, por volta das 23h o Supergalo, banda brasiliense formada por ex-rockstars locais, subiu o palco dessa edição do Pílulas Porão do Rock para esquentar o público. O Arena já estava bem cheio de fãs da atração principal da noite, devidamente posicionados o mais perto possível do palco. O quarteto tocou seu pop rock sem grandes inovações e com letras típicas de banda iniciante por pouco mais de meia hora. Brasília já revelou grupos melhores.

Segundo relatos, a entrada do Hives foi anunciada no microfone, mas não pode ser ouvida do bar, um pouco distante do palco. O inicio do show do quinteto sueco, portanto, pegou de surpresa um número razoável de pessoas, já que a lógica seria os locais do Móveis Coloniais de Acaju tocarem antes da atração principal. Depois de uma pequena corrida em direção ao palco, o público foi se acomodando. No entanto, à exceção dos fãs mais devotos próximos ao palco, a platéia estava meio fria, demonstrando pouca empolgação e demorando a responder aos comandos e gracinhas do frontman Pelle Almqvist.

O show do Hives é todo coreografado e cada integrante tem sua pose e função no palco. A do vocalista Pelle, mais do que cantar, é bancar o mestre de cerimônias e empolgar o público com sua simpática arrogância teatral. O cara se esforçou bastante, usando todas as 5 palavras em português que tinha aprendido para essa turnê. Alem do clássico “obrigado”, o vocabulário do cara consistia em: “grita aí”, “para”, “senhores e senhores” (impossível saber qual era destinado a que gênero), e um ininteligível “tira o pé do chão”. Engraçado, mas um pouco repetitivo.

Musicalmente, a apresentação foi focada nos dois álbuns mais recentes do quinteto: The Balck and White Album e Tyrannosaurus Hives. No entanto, isso não os impediu de presentear os fãs mais antigos com músicas dos dois primeiros lançamentos, bem distribuídas por todo o show. Do primeiro disco, foi tocada “AKA I-D-I-O-T”. Do segundo, “Main Offender”, “Die, Alright!” e o hit “Hate To Say I Told You So”, já no bis, que foi encerrado com o primeiro single do último lançamento, “Tick Tick Boom”.

Os pontos altos do show foram o novo single “Won’t Be Long”, “Return The Favour”, música muito bem escolhida para o falso encerramento, e os hits, como “Walk Idiot Walk” e as já citadas “Hate To Say I Told You So” e “Tick Tick Boom”. Um pouco ensaiada e teatral demais, a apresentação acaba ofuscando um pouco as próprias músicas, mas nada que estrague o bom show. Talvez melhor que o show em si, tenha sido a oportunidade de assistir uma boa banda internacional da atualidade em Brasília, tão carente de shows do tipo. O Porão do Rock está acertando na produção de shows internacionais em 2008. Tomara que eles continuem vindo.

Ah, sim. Após o show do quinteto sueco, os queridinhos locais do Móveis Coloniais de Acaju encheram o palco para mostrar o último show do seu álbum de estréia, Idem. Boa parte do público já havia deixado o Arena e a parte que ficou parecia mais interessada em encontrar amigos, beber e conversar sobre o show anterior. Por melhores que eles sejam e por maior que seja seu próprio público, o MCA não teria mesmo qualquer chance de se destacar fechando uma noite que na verdade já tinha acabado.

domingo, 31 de agosto de 2008

The Subways em Los Angeles



Localizado na área nobre de West Hollywood, em Los Angeles, o Troubador é uma casa de shows onde cabem cerca de 300 pessoas em frente ao palco. Com um equipamento de som de dar inveja a qualquer venue brasileira, a casa mantém aquele clima intimista de shows underground, sem seguranças ou grades separando o público das bandas. Apesar das muitas bandeirinhas de arco-íris na avenida, o que se via dentro do Troubadour eram roqueiros universitários, alguns adolescentes e poucos adultos comportados, todos convivendo na mais plena harmonia, mantida pelos preços ridiculamente altos do bar. Quando uma long neck de Budweiser custa 6 dólares, quase ninguém segura uma bebida na mão.

Com o maior atraso presenciado por esse repórter em shows nos EUA, a banda de abertura, os ingleses do Spacehog, entrou no palco da casa 4 minutos depois do previsto. Apesar de serem bons músicos, sobra ao quarteto pose e falta consistência musical. Alternando entre glam rock, hard rock tipo Guns N Roses, e até um pouco de grunge, cada música tinha a cara de uma banda diferente e o ponto alto do show foi um bom cover do Faith No More. Um desperdício de talento em meio a tanta pose e falta de direção musical.

Em seguida os estadunidenses do Black Market tomaram suas posições e mostraram um rock muito mais sincero e empolgante do que o do Spacehog, apesar de menos pesado. O quarteto, reduzido a um trio naquela noite, mostrou que os anos 90 continuam vivos e apresentaram um bom repertorio de músicas próprias, que não empolgou muito o público presente, ansioso com a entrada da banda principal. O vocalista Daryl tem uma postura de palco muito parecida com a de Alex Turner, do Arctic Monkeys, e o baterista parece saído diretamente de uma banda alternativa da metade da década passada. O som do Black Market é focado no rock alternativo americano da década passada, com alguma influencia de britpop. Sem grandes inovações, mas muito bom.

Chegou então a hora dos roadies tomarem o palco, com uma eficiência admirável. Poucos minutos depois o Subways tentou fazer uma entrada de impacto a partir de um camarim que fica no segundo andar e cuja saída é uma escada que dá direto no palco. Curioso. Sem enrolação, começaram o show com “Kalifornia”, escolha óbvia, mas muito boa. A baixista Charlotte Cooper e o baterista Josh Morgan tocam bem e são empolgados, mas é o vocalista Billy Lunn que domina o palco e chama o show para si, tentando entreter a platéia desde o início da primeira música. Entre palmas, concursos de gritos e singalongs o rapaz foi aos poucos conquistando o público, que progressivamente ficou mais animado com a apresentação.

Os backing vocals de Charlotte são impressionantemente parecidos com as das gravações, e a interação de palco entre ela e Billy também é muito boa, transmitindo para a platéia toda a empolgação de estar tocando (e ouvindo) rock n roll. Alternando entre músicas de seus dois discos (quase na mesma dose), o Subways fez a clara escolha de privilegiar as faixas mais pesadas e animadas. Das lentas apenas “Mary” foi tocada, ainda assim em uma versão um pouco acelerada, com o público todo cantando junto.

Apesar do espaço pequeno, alguns mais empolgados conseguiram abrir algo próximo a uma roda, onde se podia dançar mais espaçosamente do que em meio ao público blasé. Já no final do show, o energético vocalista Billy Lunn subiu no mezanino e finalmente conseguiu que o público atingisse o mesmo estado de empolgação que a banda. Quando se atirou do segundo andar, no entanto, encontrou apenas o chão. Ninguém na platéia abriu, mas os indies foram incapazes de aparar a queda do cara. Mesmo assim, Billy foi levantado e, sem tanta gravidade, carregado de volta ao palco. Depois de um falso fim de show, o trio voltou para tocar mais 2 músicas, finalizando com o hit “Rock N Roll Queen”. O Subways não entrou com o jogo ganho, mas mostrou competência, profissionalismo, empolgação e um preparo físico de dar inveja. Com isso, conquistou o público bunda-mole norte americano e fez um dos melhores shows que este repórter já assistiu.

sábado, 16 de agosto de 2008

Alkaline Trio em San Diego

foto ilustrativa


O Soma, casa onde o Alkaline Trio se apresentou no último dia 27 de julho na bonita cidade de San Diego, é pouco mais que um galpão que não vende bebidas alcoólicas, mas tem um belo palco e um som muito bom. O local estava bem cheio e pelas contas muito imprecisas desse repórter, cerca de 1500 pessoas (quase todos adolescentes ou universitários) deviam estar presentes para assistir os mais novos astros do pop punk norte-americano.

Mais do que pontualmente, a banda de abertura, a dinamarquesa The Fashion, entrou em ação com alguns minutos de antecedência. Mostrando um pop rock regado com programações e barulhinhos de teclado, o quarteto fez um show animado, apesar da apatia do público que ainda entrava na casa. Claramente, o The Fashion ainda é uma banda inexperiente (principalmente se comparada às bandas que tocariam logo depois), mas mostrou um som e repertório consistentes, e potencial para se tornar um novo Motion City Soundtrack. Com um gostinho de anos 80.

Profissionalíssimos, em seguida subiram ao palco os americanos do American Steel. Com um rock mais adulto e mais condizente com o som da banda principal da noite, o quarteto mostrou experiência desde a rápida passagem de som (que consertou os problemas presentes no show anterior), até a postura de palco que mostra domínio do espaço, passando pelos vocais seguros de Rory Henderson. No entanto, a banda praticamente tocou para ela mesma.

Com pose de banda grande, o Trio demorou bastante para entrar em cena. Após várias checagens e arrumações de palco pelos roadies da banda, o público começou a mostrar sinais de impaciência. No entanto, todo o incomodo da demora desapareceu uma vez que a banda começou a tocar, abrindo o show com "Calling All Skeletons", primeira faixa do novo album dos caras, Agony and Arony. Desse último trabalho foram apresentadas “Do You Wanna Know”, “In Vein”, “I Found Away” e o single “Help Me”, que pode ser ouvido nas rádios rock americanas.

Mas a apresentação dosou de maneira satisfatória musicas de todas as épocas da banda, agradando tanto fãs dessa fase mais mainstream, quanto os que os acompanham a desde o início de carreira. Curiosamente, os caras optaram por não tocar "Stupid Kid", single fan-favorite do álbum From Here To Infirmary. Deste disco tocaram "Private Eye" e "Armagedon", que agitaram o público, como também fez "This Could Be Love" e “Warbrain”. Alternando entre punk rocks e músicas mais lentas, como "Mercy Me" e "Time To Waste", o Trio conseguiu manter o público ligado ao longo de todo o show, cerca de 1 hora e 15 minutos, com direito a falso encerramento para o bis.

A banda mostrou experiência e qualidade na execução das músicas. Ambos os vocalistas seguram bem as partes mais difíceis, mostrando que não precisam de pró-tools. Apesar disso, não demonstram grande empolgação e não se movimentam muito pelo palco. Para sorte deles, nada disso é necessário, já que as composições falam por si mesmas. Isso é especialmente perceptível quando eles voltam ao palco dizendo que esqueceram de tocar uma música e Matt Skiba toca os primeiro acordes de “Radio”, cantada a plenos pulmões pelo público.

O ponto negativo que vale a pena ser comentado é a apatia geral do publico norte americano. A exceção de uma dúzia de empolgados colados na grade e outra dúzia pulando numa roda mais violenta do que é de costume no Brasil, as centenas de fãs se limitam a olhar a banda e balançar levemente a cabeça ou bater o pé. Quando a empolgação toma conta, todos aplaudem e cantam a músicas junto com a banda. Por algum motivo, os punk rockers estadunidenses parecem cachorrinhos adestrados, e não se incomodam com um segurança-macaco plantado no meio da platéia, tampando a visão de outra dúzia de desafortunados que balançam levemente a cabeça. Não é à toa que tantas bandas falam bem do público quando vem tocar no Brasil ou na Argentina.

domingo, 10 de agosto de 2008

De volta

O Rock N Cigarettes continua vivo. Muito em breve estaremos de volta com mais novidades, resenhas e entrevistas. Continuem acessando!

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O Rock N Cigarettes é um blog comunitário sobre o universo Rock N Roll. Se você quiser colaborar, mande um e-mail para rockncigarettes@gmail.com. Boa leitura.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Weezer – Weezer (Red Album) (2008)

Desde seu retorno em 2001, o Weezer deixou de lado a pose e as composições indie e adotou uma postura rock de arena. Nenhum problema, uma vez que o quarteto estava lançando álbuns de qualidade como Weezer (Green Album) e Maladroid. Seguindo a tradição criada pela própria banda, este terceiro disco auto intitulado marca novamente uma mudança de direção no som dos caras. No entanto, parece que o Weezer se perdeu no meio do caminho. A coesão passa longe deste Red Album, que mais parece um amontoado de sobras de estúdio e faz o lançamento anterior dos estadunidenses – Make Believe, de 2005 – parecer um album conceitual.

Logo no início do disco encontram-se duas ótimas faixas que devem (com todo o mérito) bombar nos iPods dos fãs. “Troublemaker” e o primeiro single “Pork & Beans” (acompanhado de um vídeo-clipe fantástico) mostram o Weezer em sua melhor forma, compondo pop rocks aos quais (quase) ninguém resiste. Desnecessário chover no molhado e elogiar a letra da segunda, que dá uma zoada no produtor Timbaland e sua fórmula de sucesso, que pode ser conferida em uns 2423 lançamentos de pop e hip hop este ano. Também logo no início do disco está a épica “The Greatest Man That Ever Lived”. Entre 1584 trocas de ritmo e melodias que vão do metal ao rap, passando por coros, fica difícil saber aonde termina a piada e começa a viagem egocêntrica anunciada pelo título. Desnecessária.

Tão longas quanto “The Greatest Man That Ever Lived” são “The Angel And The One” e “Dreamin'”. A primeira é um bom pop triste que fecha bem o disco. A segunda poderia ser uma boa música se não se perdesse em meio a tantos exageros. Há também 3 faixas compostas e cantadas pelos outros membros da banda. “Thought I Knew”, do guitarrista Brian Bell, é uma boa canção, mas não lembra em nada o rock característico do Weezer. As outras duas são apenas dispensáveis. Mas elas vêm em seqüência, como que pensadas para quebrar em dois e acabar com a unidade do trabalho. O resultado é que com apenas 10 músicas o Weezer consegue transformar o Red Album no pior lançamento de sua estrelada discografia.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Trever Keith - Melancholics Anonymous (2008)

Segundo Trever Keith, ex- vocalista do finado grupo de punk rock Face To Face, Melancholics Anonymous segue de onde Ignorance Is Bliss parou. O cara se refere ao álbum de sua antiga banda que foi um fracasso de vendas e é menosprezado pela maioria dos fãs. Mas Melancholics Anonymous vai muito além do que o álbum de 1999 foi. O primeiro trabalho solo de Keith une a melancolia do título com programações de bateria dançantes, que levam o álbum para longe de um clima simplesmente depressivo. A influencia mais facilmente identificável é o pós punk oitentista (a introdução de “Say Goodbye Again” é totalmente The Cure), mas o trabalho também lembra o som do Garbage em sua mistura de rock e batidas e efeitos eletrônicos.

Apesar das referencias, o disco tem identidade própria e mostra Trever canções tão boas quanto os maiores “hits” do Face To Face. “Cross Your Heart And Hope To Die” abre o disco e é a mais roqueira da 11 faixas. Já “Absolution” é a balada mais calminha (ao lado da faixa-título) e une com habilidade violões e batidas eletrônicas. “Half Asleep” segue a idéia do título e tem um clima etéreo, como um sonho, e a boa “Pushover” é a faixa mais alegre dos 40 minutos de Melancholics Anonymous. Mas as melhores músicas do disco são mesmo “Incommunicado”, que tem a melodia mais legal e grudenta, e “Bleeding Out”, que transcorre em um clima tenso até estourar em um rock energético. Melancholics Anonymous é uma bela surpresa e mostra que Trever não precisa ficar preso a “Disconnected” e outras (boas) músicas do Face To Face que marcaram época.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Música e palavras

A noticia não é nova, mas ainda é digna de nota. A editora virtual Mojo Books trabalha com uma proposta bem interessante: "Se música fosse literatura, que história contaria?". Há quase dois anos no “mercado” a editora já publicou adaptações literárias (contos, na maioria dos casos) de 68 músicas e álbuns de artistas tão diversos quanto Pantera, Mundo Livre S/A, Madonna, Beatles e My Chemical Romance. Desde maio a Mojo também publica adaptações em quadrinhos. O primeiro trabalho em quadrinhos da editora é “Bela Lugosi’s Dead”, da banda gótica inglesa Bauhaus. Todos os livros são gratuitos e em formato PDF e o próximo lançamento será “In Utero”, do Nirvana. Vale a pena conferir.

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O diário Folha de S.Paulo publicou uma nota triste em sua edição do dia 2 de julho:

No Brasil, o equivalente a 77 milhões de pessoas dizem não gostar de ler, segundo a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", divulgada em maio pelo Instituto Pró-Livro. As principais razões para aqueles não-habituados à leitura: lêem muito devagar (17%); não têm paciência para ler (11%); não compreendem o que lêem (7%); não têm concentração para ler (7%). O brasileiro que lê, em média, conclui 4,7 livros e compra 1,2 exemplar a cada ano


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Recomendação do editor do site Zona Punk, Wladmyr Cruz, em seu editorial semanal sempre repleto de vídeos do YouTube: