quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Tragam a luz para Liam Gallagher


A nova banda de Liam Gallagher, o Beady eye, lançou ontem sua primeira música, "Bring The Light". Como Liam havia prometido, trata-se de um rock dançante com muitas referencias à sonoridade das décadas de 50 e 60. A proposta pode parecer interessante em um primeiro momento, emulando Jerry Lee Lewis e o começo dos Beatles (obviamente), mas a verdade é que a faixa soa meio genérica. A produção, propositalmente "crua", também não ajuda muito e a impressão que fica é que Liam está cantando dentro de uma garrafa. Não é realmente ruim, mas esperava-se muito mais de 4/5 do Oasis, uma vez que todos os membros da última formação da mega-banda inglesa escolheram participar do novo projeto, deixando Noel Gallagher sozinho em seu trabalho pós Oasis.

"Bring The Light" pode ser conferida abaixo e no site dos caras é possível baixar gratuitamente a faixa, que também será lançada em formato físico numa edição limitada de 4.000 exemplares em vinil no dia 22 de novembro. O disco também terá uma B-Side chamada “Sons of the Stage”, cover da banda World of Twist. O que vocês acharam?

domingo, 7 de novembro de 2010

Marky Ramone Blitzkrieg no Arena Futebol Clube

A noite da última sexta-feira foi marcada para muitos roqueiros brasilienses pela passagem de mais um revival dos grandes Ramones pela capital federal. O Marky Ramone Blitzkrieg conta com o ex-baterista dos pioneiros do punk rock, com Michale Graves, vocalista de uma das formações do Misfits e com dois argentinos desconhecidos substituindo outros dois membros pouco conhecidos no baixo e na guitarra. Pode parecer uma grande enganação, mas inegavelmente rendeu uma hora e meia de muita diversão para os fãs dos Ramones (e do Misfits), da mesma forma que a apresentação de CJ Ramone ano passado no mesmo Arena Futebol Clube.

Do alto de seus 54 anos, Marky continua com a cabeleira impecavelmente preta e mandando bem com as baquetas. O cara toca quase sem pausas durante cerca de uma hora e nos intervalos entre o setlist principal e os dois bis vem aos microfones para agradecer e apresentar Michale Graves. E apesar do nome do projeto, é o ex-vocalista dos Misfits que se comporta como a estrela da apresentação. Comandando a festa, Graves canta, dá seus pulinhos característicos e tem até um momento sozinho no palco. Os músicos argentinos apenas cumprem seu papel de coadjuvantes e tocam de forma competente os instrumentais ramônicos. Poderia ser qualquer um no lugar dos deles que não haveria diferença, mas também não prejudicam.

A apresentação, que teve início após os shows das bandas locais Gonorants e The Squintz, começou com a clássica "Rockaway Beach" e seguiu lembrando bastante o melhor registro ao vivo dos Ramones, It's Alive, de 1979. Os fãs dançaram, pularam e cantaram junto hinos do punk rock como “Teenage Lobotomy”, “Psycho Therapy”, “Sheena Is A Punk Rocker”, “Havana Affair”, “Beat On The Brat”, “53rd And 3rd”, “Judy Is a Punk”, “Rock N Roll Radio”, “Now I Wanna Sniff Some Glue”, “Poison Heart”, “I Believe In Miracles”, “KKK Took My Baby Away”, “I Wanna Be Sedated”, “Pet Sematary”, “Today Your Love, Tomorrow The World” e “Pinhead”, todos tocados quase sem pausas além da clássica contagem: "1234"!

Após cerca de uma hora a banda se retirou do palco apenas para ouvir o público gritar novamente "Hey Ho, Let's Go!". Na volta, o vocalista Michale Graves subiu sozinho ao palco carregando apenas um violão para executar três faixas dos Misfits, como já vinha fazendo nos outros shows da turnê brasileira. Apesar dos gritos pedindo sons da banda de horror punk, apenas uma minoria na platéia sabia cantar junto “Descending Angels”, “Scream” e “Saturday Night”. Momento emocionante para os fãs da banda e de descanso para aqueles que não os conhecem bem. Em seguida, o restante da banda-tributo volta ao palco para executar uma versão elétrica da ótima "Dig Up Her Bones", hit maior da fase em que Graves esteve a frente dos Misfits e "When We Were Angels", primeira faixa própria do Blitzkrieg, composta pelo vocalista.

A banda saiu mais uma vez do palco, mas todos sabiam que o show ainda não havia terminado, não sem a execução do hino maior dos Ramones. Rapidamente os quatro subiram de volta e tocaram “What A Wonderful World”, na boa versão do disco solo de Joey Ramone e obviamente “Blitzkrieg Bop”, para encerrar a noite. Após uma hora e meia, os fãs que encheram o Arena estavam satisfeitos e com sorrisos no rosto.

Por outro lado, não se pode dizer que não houve falhas no evento. Para começar, o público da noite foi visivelmente menor que o da apresentação de CJ Ramone, apesar de ainda ter marcado presença em bom número. Já Michale Graves parecia empolgado, mas não deixou de reclamar do som do local, já que quase ficou surdo com as interferências do microfone e não pode se aproximar do público e da beira do palco sob o risco de tomar choques. O vocalista também se mostrou incomodado com a dificuldade da mesa de som em equalizar o violão na parte acústica da apresentação. Nada, no entanto, que tenha estragado a ótima celebração ramônica com a banda cover de luxo do Marky. Na saída, fãs comentavam que para a homenagem ser perfeita era só tirar os dois argentinos e colocar CJ e o produtor Daniel Ray no baixo e na guitarra. Difícil discordar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

The Crowd at a Rock Show


A webcomic Subnormality é publicada virtualmente pela Virus Comix desde 2007. A HQ não tem personagens fixos e muitas vezes nem mesmo pode ser classificada como quadrinhos, mas como charge. De qualquer forma, deparei-me com a imagem acima, que me leva a conclusão de que shows undergroud de rock são muito parecidos em qualquer lugar do globo. Claro que há cenas muito mais estruturadas que outras, mas que fã de rock alternativo não se identifica com o cenário e os personagens acima? A charge, disponível apenas em inglês, pode ser ampliada para melhor leitura. É só clicar na imagem.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Germs of Perfection: A Tribute To Bad Religion (2010)

Como título do álbum deixa claro, Germs of Perfection é um tributo ao aniversário de 30 anos da essencial banda de hardcore californiana Bad Religion organizado pelo MySpace em parceria com a revista musical Spin. Mas apesar dos nomes de respeito na organização e nas faixas desse álbum virtual, parece que faltou um conceito mais fechado e um direcionamento artístico um pouco mais definido. Por definição, tributos rendem discos variados, uma vez que contam com vários artistas, mas Germs Of Perfection sofre ainda mais com esse problema ao não definir se será composto por regravações acústicas ou elétricas, de artistas do universo punk/hardcore ou distantes desses estilos. Para piorar, a organização das faixas quase que divide o álbum em dois ao deixar os artistas indies separados dos punk rockers. Dependendo da versão do álbum virtual que você tenha baixado, um grupo vem antes do outro, deixando tudo ainda mais estranho.

Apesar da falta de qualquer unidade e do trabalho pouco cuidadoso de listagem das faixas, a grande maioria dos artistas convidados se saiu muito bem, seja reinventando completamente as músicas escolhidas ou mantendo a estrutura, mas dando um tempero próprio à timbragem dos instrumentos e à voz. Os folk-countries William Elliott Whitmore e Frank Turner se aproximam do trabalho solo do vocalista do Bad Religion, Greg Graffin, ao dar um tratamento rústico de voz e violão a "Don't Pray On Me" e "My Poor Friend Me", faixas pouco conhecidas da banda. Switchfoot, Ted Leo e a dupla canadense Tegan e Sara também optaram por versões calminhas de faixas agressivas e antigas como "Suffer" e "Against The Grain", mas com um acabamento mais... romântico. É interessante perceber como a calmaria das faixas ressalta as ótimas melodias das composições originais e as acadêmicas letras de Graffin.

Do outro lado da moeda, o Polar Bear Club fez a versão mais próxima da faixa original de todo o tributo. Não fosse a voz rouca de Jimmy Stadt, seria dificil perceber a diferença dessa "Better Off Dead" para aquela encontrada no álbum Stranger Than Fiction. O texano Riverboat Gamblers vez um bom cover sujo e energético para "Heaven Is Falling", assim como o Cobra Skulls, que deu um toque rockabilly para "Give You Nothing", que conta com uma participação imperceptivel de Fat Mike, do NOFX. Já o Cheap Girls executou "Kerosene" com um tempero de rock clássico e o dinamarquês New Politics colocou com sucesso sua experimentação sonora a favor do clássico "Generator", que conta até com uma passagem reggae. A decepção do álbum fica por conta da versão atrapalhada da antiga "Pity", de 1982, pelo experiente Guttermouth. Nem sempre velocidade se traduz em energia e a impressão que fica é que o quarteto não levou muito a sério a proposta de releitura do álbum. Mas eles não levam nem mesmo a própria música a sério, então era algo a se esperar. No final, fica a sensação de um bom tributo, mas que prometia - e poderia ter entregado - muito mais.

domingo, 24 de outubro de 2010

Ace of Spades em um bar francês

Em sua nova campanha publicitária, a cervejaria francesa Kronenbourg 1664 criou o slogan "slow the pace", uma versão liquida da campanha slow food, para que os consumidores pudessem apreciar calmamente o sabor da lager. O comercial para TV levou os ingleses do Motörhead para um bar francês de atmosfera tranqüila, onde eles puderam executar seu hit "Ace Of Spades" em ritmo reduzido à metade, enquanto idosos locais jogavam cartas e bebiam sua cerveja. O resultado foi um blues de respeito com a sempre marcante voz de Lemmy, que pode ser conferido aí em baixo. Para ganhar entradas para shows da banda na Europa e itens autografados sugira músicas para o Top 10 de melhores versões lentas para músicas rápidas no Twitter da campanha. Agora é só torcer para que a música seja lançada na internet sem cortes e barulhos de fundo.

domingo, 17 de outubro de 2010

Face To Face retorna com música e disco novos


Depois de oito anos de silêncio, os estadunidenses do Face To Face estão de volta com um novo álbum, chamado Laugh Now, Laugh Later. A banda, que havia entrado em hiato no meio da década, não lançava um disco de inéditas desde How To Ruin Everything, de 2002. Infelizmente, o trabalho só verá a luz do dia em janeiro do próximo ano, por meio da gravadora do vocalista Trever Keith, a Antagonist Records. Mas para saciar a curiosidade dos fãs, o quarteto liberou o primeiro single do disco para audição e download gratuito em seu site oficial. A faixa se chama “Should Anything Go Wrong” e pode ser ouvida no player abaixo.

Trata-se de um punk rock melódico acelerado que segue a mesma linha do restante do trabalho da banda e deve agradar bastante quem gosta dos caras, apesar de não ter um refrão tão memorável quanto o dos clássicos do quarteto. Vale lembrar também que toda a arte do disco foi concebida pelo tatuador Corey Miller, famoso por sua participação no reality show LA Ink, comandado pela famosa tatuadora Kat Von D. Corey também imprimiu o mesmo conceito visual nas costas do vocalista Trever Keith, na última temporada da série, que no Brasil vai ao ar pelo canal pago Liv.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Entrevista com a banda candanga Deceivers


Com quase 20 anos de estrada, a banda brasiliense Deceivers tem três álbuns na bagagem, o mais recente deles chama-se Paralytic, e foi lançado este ano. Nosso colaborador Boss Matsumoto conversou com o vocalista Gregório, único membro original da banda, por onde já passaram 25 músicos. Saiba mais sobre o disco novo, Porão do Rock, a experiência nos EUA e muitos outros assuntos na entrevista abaixo.


Boss Matsumoto: Complete a frase: "Desde 1992..."
Gregório: As coisas mudaram muito. O mundo, a música, as pessoas. Acho que eu também mudei muito... mas o rock continua e resiste a trancos e barrancos.

BM: Quantas vezes você já pensou em desistir da banda?
Gregório: Algumas vezes em que a coisa saia muito do âmbito da diversão, e se tornava um tormento. Mas só os fortes sobrevivem e por isso que estou a uns 18 anos na banda, e hoje é um “dever cívico” mantê-la! (risos)

BM: Qual é a pior parte de uma mudança de um membro da banda? Tem que esperar o rapaz pegar o feeling das músicas?
Gregório: Isso mesmo! Esperar a coisa ficar natural. Passar as músicas também é um saco! Esses dias fizemos um balanço e pasmem: Já passaram mais de 25 pessoas pela banda!

BM: Me fale um pouco sobre essa formação atual.
Gregório: Estamos mais maduros que nunca, sabemos onde queremos e podemos chegar. Diversão e prazer na frente. Obrigações? Só com nossa qualidade e integridade como banda!

BM: Tocar no Porão do Rock deu alguma resposta pra vocês? Qual foi a melhor show que vocês tocaram no festival?
Gregório: O Porão sempre foi uma dor de cabeça para a banda... Prepara-se um grande show, um lançamento e pimba! Eles fazem dar errado! Nesses anos de participação por lá, chegamos à conclusão que a produção não se importa muito com as bandas daqui. Esse ano, fomos mais uma vez desrespeitados, tendo nosso som cortado com uns 15 minutos de show. Uma palhaçada com o público e com a banda... Um grande desrespeito.

BM: A tentativa de morar nos Estados Unidos sempre esteve nos planos da banda? Ou foi uma oportunidade que surgiu e vocês agarraram? Quanto tempo demorou para tomarem a decisão?
Gregório: A idéia de ir pra fora sempre esteve nos planos da banda. Sabíamos da grande dificuldade de “profissionalizar” nossa banda aqui no país. Conseguimos um contrato com um manager de lá e fomos na cara e na coragem mesmo... Desde que começamos a gravar com a banda sabíamos que o mercado que dava alguma chance para nós estava fora do Brasil, o que é uma pena... Fizemos um grande trabalho por lá, de divulgação mesmo. A experiência ficará para toda nossa vida também!

BM: Tentariam de novo?
Gregório: Não mais do mesmo jeito... Envelhecemos, temos família, mulher, filhos... Hoje em dia temos a ambição de fazer nosso som chegar ao máximo de pessoas via internet, e começar a armar uma tour por essas terras estrangeiras e desconhecidas. Tudo mudou muito de nossa época pra cá, hoje a internet consegue nos “levar” a essa gente diferente do mundo afora!

BM: Qual foi a parte mais difícil de morar no exterior para tentar o sucesso da banda?
Gregório: Controlar nossos egos e diferenças num ambiente sem grana! Isso foi o mais foda mesmo...

BM: O que você recomendaria para um rapaz que fala: "Estou montando uma banda em inglês para poder viajar, morar no exterior e viver de música"?
Gregório: Um conselho do ator Johnny Depp serve muito para essa pergunta, esse conselho me norteou por muito tempo: “Faça todo o possível no seu país, antes de tentar alguma coisa no dos outros”!

BM: Como foi o processo de criação desse novo CD? O que diferencia ele dos outros materiais?
Gregório: Foi muito diferente! O Paralytic é nosso álbum mais bem produzido, sem dúvida. Junto com o produtor Gui Negrão, procuramos deixar todo o processo de gravação e mixagem “o mais orgânico” possível. Sem triggers de bateria, com passagens e takes inteiros de batera e vocais... Além da masterização no Sterling Sound, o melhor do mundo no seu segmento.

BM: O que espera do público em relação a esse novo trabalho?
Gregório: Espero que ouçam e guardem os sons, procurem as letras, o encarte... Que conheçam a obra completa, algo tão raro nos tempo de mp3. Um iPod com 300 milhões de músicas é o que mais se vê ultimamente!

BM: Qual foi a maior dificuldade pro Deceivers, que é uma banda brasiliense independente, que canta metal em inglês?
Gregório: Achar pessoas que estivessem comprometidas com a banda e dispostas a seguir anos com ela.

BM: Você toca algum instrumento?
Gregório: Tudo e todos (risos)

BM: Quais são os 5 CDs que estão tocando no seu rádio (ou mp3 ou mp4 ou mp5 ou mp1000 ou iPod ou iPobre)?
Gregório: Eminem – The Eminem Show; Poison The Well – The Rot Tropic; Alexis On Fire – Young Cardinals, que é uma obra prima!; Skindred – Shark Bites; e o último do High On Fire.

BM: Voltando 18 anos no tempo, que bandas tocavam no seu Walkman?
Gregório: Biohazard; Cannibal Corpse, que ouço até hoje; DFC; Asphyx; Machine Head; Stuck Mojo; Hed PE; Sick Of It All, Ratos de Porão; Downset…

BM: O microfone é seu agora, dê um recado, se quiser.
Gregório: Obrigado pela grande oportunidade da entrevista! E parabéns por manter a cena viva.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Kris Roe toca nova música do Ataris na rua

No último mês de julho, a produtora de vídeos musicais Ecce capturou um mini-show de Kristopher Roe, a "alma" da banda The Ataris, em um banquinho na calçada em frente ao Marquis Theatre, em Denver, onde o grupo se apresentava naquela noite. São três vídeos para duas músicas antigas, "Broken Promise Ring" e o hit "In This Diary", e uma nova chamada "The Graveyard of the Atlantic" que estará no álbum de mesmo nome, a ser lançado ano que vem, segundo o próprio Kris conta nos vídeos.

O vocalista, guitarrista e compositor mostra em versões acústicas que seu talento continua intacto após tantos anos longe da mídia, mas visualmente o impacto pode ser grande para os antigos fãs do Ataris. Kris ganhou um pouco de peso, perdeu muito cabelo e alguns dentes, mas ainda está longe da aparência decadente que atinge alguns músicos do underground, quando os anos de drogas e carpe diem cobram seu preço. E apesar do sucesso comercial ter-se ido há vários anos, alguns pedestres reconhecem o cara e param para assistir a apresentação, que apesar de improvisada, é bem produzida pela Ecce. Confira os três vídeos abaixo:

"In This Diary"

"The Graveyard of the Atlantic"

"Broken Promise Ring"

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Zander - Brasa (2010)

Apenas dois anos após se juntarem, os cariocas do Zander lançaram este mês seu primeiro trabalho longo, Brasa. A gravação pode parecer apresada, mas se justifica pela experiência do quinteto no cenário underground brasileiro. O vocalista e compositor Gabriel Zander, que dá nome à banda, é mais conhecido como Bil e fez parte de duas aclamadas bandas de hardcore, o Noção de Nada e o Deluxe Trio. Outros membros da banda fazem ou faziam parte de grupos como Heffer e Dead Fish. Também por isso, os caras nem se preocuparam em buscar um produtor ou uma gravadora e partiram imediatamente para dois EPs e esse álbum, lançado pela Manifesto Discos, de propriedade de alguns integrantes da banda, assim como o estúdio SuperFuzz, onde aconteceram as gravações.

O espírito independente também se reflete no som do Zander, que não se restringe ao hardcore, passeando pelo post-hardcore, emocore, hard rock e até indie rock. Curiosamente, Brasa é menos ousado musicalmente do que os dois EPs anteriores. Se em Em Construção, de 2008, a banda atirava para vários lados, aqui eles se mantém em território conhecido. Outro fator que chama atenção de cara são os vocais de Bil, um pouco mais limpos e menos roucos do que nos EPs ou em suas bandas anteriores. Isso, por si só, dá um feeling levemente pop às músicas, sem tirar delas a qualidade ou a energia. O único porém é que o álbum demora um pouco para esquentar. Se as primeiras faixas são legais, a coisa só começa mesmo a pegar fogo a partir da quarta música, "Todos os Dias".

Entre as 11 faixas que compõem o disco, destacam-se as energéticas "Motim" e "Humaitá", a balada "Meia Noite", e "Sunglasses", a primeira música em inglês do quinteto. As primeiras têm uma leve influência de hard rock, como "Pólvora", melhor faixa do EP de 2008. "Meia Noite" lembra algumas músicas do Deluxe Trio e explora bem a melodia mais pop e as guitarras pesadas e bem trabalhadas. Já "Sunglasses" é um bom emocore noventista que não faria feio em uma coletânea da famosa gravadora estadunidense Jade Tree.

Também é interessante notar como Bil consegue integrar com naturalidade as letras em português às melodias corridas do hardcore, algo em que muitas bandas nacionais não têm tanto sucesso. As palavras nunca soam como traduções de letras em inglês e a temática é claramente brasileira (e carioca) sem nunca parecer forçada. A banda não busca em nenhum lugar sua "brasilidade" ou tenta mesclar regionalismos ao seu som. O Zander é simplesmente uma banda de hardcore brasileiro. Será interessante conferir a evolução dos caras em seus próximos trabalhos e ver se Bil se mantém coerente ao que canta em "Todos os Dias": "Vale tudo que não seja nos repetir".

Homenagem virtual ao Bad Religion


Em uma interessante parceria com a revista estadunidense de música Spin, o MySpace Music está lançando virtualmente Germs of Perfection: A Tribute to Bad Religion, coletânea que consiste em bandas de vários estilos fazendo covers de músicas que os influenciaram ou simplesmente os marcaram em nível pessoal ao longo dos 30 anos de história da banda californiana. Todo dia útil uma nova faixa será lançada no site do projeto e no dia 19 de outubro o álbum estará disponível para download na página virtual.

Até agora, três faixas já foram divulgadas pelo MySpace. São versões da dupla gêmea canadense Tegan e Sara para o clássico "Suffer", do disco de mesmo nome de 1988; um cover da música "Better off Dead" do álbum Stranger Than Fiction (1994) pela banda de post-hardcore Polar Bear Club; e por último, o folkman Frank Turner canta "My Poor Friend Me", do álbum clássico Recipe For Hate, de 1993. Ouça as versões abaixo, acompanhe os novos lançamentos e espere por uma eventual resenha do tributo por aqui.

Tegan e Sara tocam "Suffer"

Encontre mais artistas como Tegan and Sara em MySpace Music


Polar Bear Club toca "Better off Dead"

Encontre mais artistas como Polar Bear Club em MySpace Music


Frank Turner toca "My Poor Friend Me"

Encontre mais artistas como Frank Turner em MySpace Music

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Bad Religion - The Dissent Of Men (2010)

15º álbum do Bad Religion, The Dissent of Men começa seguindo a tradição criada pela própria banda californiana desde a volta do guitarrista Brett Gurewitz, em The Process of Belief, de 2002. São três faixas pesadas e rápidas, prontas para agradar os fãs mais saudosistas da banda. Mas não se deixe enganar. O novo álbum do sexteto é possivelmente o mais variado de toda a ótima discografia dos caras. Com o jogo ganho nas primeiras faixas, Mr Brett e o vocalista Greg Graffin ficam livres para experimentar nas composições e criam um disco que se equilibra bem entre o hardcore (muito) melódico que os tornou tão respeitados no underground, o pop punk que os levou a certo sucesso comercial e a uma grande gravadora, e alguns rocks cadenciados, que marcam a inovação anunciada pela banda antes do lançamento.

Segundo Brett Gurewitz, várias canções de The Dissent of Men o tiraram da zona de conforto a que banda havia se confinado nos três últimos lançamentos, levando-o de volta à variedade dos clássicos Recipe For Hate e Stranger Than Fiction, da primeira metade da década passada. Para além deles, algumas faixas chegam a lembrar os fracos No Substance e New America, mas a banda se sai muito melhor do que se saiu 10 anos atrás ao explorar instrumentais distantes do punk/hardcore e ao dar mais atenção à melodia do que à velocidade ou o peso das guitarras. "Pride and The Pallor", "Turn Your Back On Me" e "Where The Fun Is" (cujo riff repetitivo lembra "Hippy Killers") caberiam bem nos álbuns citados, mas não soam preguiçosas como soavam as músicas daqueles lançamentos, e poderiam ter elevado os discos de 1998 e 2000 a outro nível de qualidade.

Entre as faixas mais pops, chamam atenção a ótima "Ad Hominem", com seu instrumental quebrado e um refrão surpreendentemente grudento, e "I Won't Say Anything", uma balada que fecha o disco e pode chocar alguns fãs. Extremamente radiofônica, a faixa é boa, mas só tem o vocal de Graffin em comum com o restante das músicas do Bad Religion. Também surpreendentes são "Someone To Believe" e "Cyanide". A primeira conta com um riff de hard rock bem integrado à pegada hardcore típica da banda, e a segunda tem fortes influencias de rock clássico e até country. Cadenciada, a faixa tem guitarras com um timbre setentista e até um slide no solo. A descrição faz parecer impossível, mas ambas são canções muito boas. Por outro lado, os fãs mais tradicionalistas também não têm do que reclamar. Além das faixas que abrem The Dissent Of Men, "Wrong Way Kids", "Meeting Of The Minds" e "Avalon" lembram porque o Bad Religion ainda é, após 30 anos, o maior representante do hardcore californiano.

Digging For Jimmy Fallon

Após 9 anos de silêncio, os indie rockers estadunidenses do Superchunk lançaram este mês Majesty Shredding, cuja resenha deve aparecer em breve nesse blog. Para divulgar o lançamento, o quarteto fez sua volta também à televisão, executando ao vivo a ótima faixa de abertura do disco, "Digging for Something" no talk show Late Night com Jimmy Fallon. Acompanhados de John Darnielle, da banda The Mountain Goats, o veterano quarteto parece uma banda iniciante tamanha é a empolgação transmitida principalmente pelo vocalista Mac McCaughan. Assista e baixe (ou compre) o álbum:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Porão do Rock 2010

O que você está prestes a ler não é uma resenha propriamente dita da edição 2010 do festival Porão do Rock. Trata-se mais de um relato informal opinativo deste blogueiro, sem a intenção de precisar números, setlists ou de falar sobre todas as apresentações da noite de 11 de setembro.

Principal evento roqueiro da capital federal, o Porão do Rock chega a sua 12ª edição cheio de dúvidas em relação ao seu futuro e envolto em críticas, como sempre foi. Desde sua concepção, o festival tem conhecidos defeitos, sempre apontados de acordo com as expectativas e gostos de cada grupo de amantes do rock. Não seria diferente desta vez. Apesar disso, o Porão segue atraindo uma multidão de fãs do estilo e seus subgêneros ano após ano. Assim como havia acontecido em 2002, a edição 2010 do Porão do Rock foi realizada em apenas um dia. Assim como há oito anos atrás, foi exaustivo tentar acompanhar o festival de sua abertura até o encerramento, com suas 33 atrações. A decisão supostamente foi tomada pela falta de patrocínio que inviabilizaria o acontecimento do evento em dois dias. A solução foi então a colocação de três palcos com shows simultâneos dentro e fora do ginásio esportivo Nilson Nelson.

Dentro do ginásio foi montado o palco GTR, dedicado ao heavy metal e todos seus subgêneros. Nesse palco, assisti apenas a uma parte da apresentação das meninas do Estamira, banda vencedora de uma das seletivas realizadas previamente ao evento. O quinteto parecia muito seguro e confortável no palco e, aparentemente, já está construindo uma boa base de fãs no DF. Ainda se apresentaram lá grandes atrações nacionais, como André Matos, Korzus e Musica Diablo. Do lado de fora, estavam o Palco Pílulas, dedicado ao punk rock, rockabilly e outros estilos de rock pesado, e o Palco Chilli Beans, com atrações mais variadas de indie rock, pop rock e até hip-hop. Esse último localizava-se ao lado da entrada e parece ter se beneficiado um pouco disso. A apresentação dos mineiros do Pato Fu estava bem cheia e os estadunidenses do She Wants Revenge tiveram boa aceitação do público que já começava a minguar quase às 3h da manhã.

A programação ainda não estava nem perto de terminar, mas o excesso de atrações e o clássico (e desrespeitoso) atraso na abertura dos portões já começava a vencer o público. A arena já se estava mais vazia do que algumas horas antes e muitas pessoas eram vistas pelo chão, namorando, dormindo ou vomitando. A última atração da noite (os paulistanos do Musica Diablo) deveria entrar no Palco GTR às 3h10, mas quando esse blogueiro deixou o festival, por volta das 4h30, os cariocas do Gangrena Gasosa, penúltima atração dentro do ginásio, ainda se apresentavam. No Palco Chilli Beans, a situação era ainda pior e a penúltima banda, os candangos do Enema Noise, ainda se preparava para subir ao palco. Para piorar a situação, o Palco Pílulas correu atrás da 1h30 de atraso inicial e ao final da noite havia alcançado o horário previamente divulgado, o que fez com que as duas maiores bandas internacionais do festival, que deveriam se apresentar com quase duas horas de diferença, caíssem exatamente no mesmo horário. Desorganização total.

Por volta das 2h, o duo pós-punk She Wants Revenge subiu ao palco, empurrando a apresentação dos capixabas do Zémaria para mais tarde. Abrindo e fechando a apresentação, a banda, que ao vivo é um quarteto, tocou os maiores hits de seu primeiro álbum. No início, mandaram "Red Flags And Long Nights" e "These Things". Na saída, "Out Of Control" e "Tear You Apart", cantada com empolgação pela razoável parcela do público que conhecia a banda. Mostraram ainda duas boas músicas novas que devem estar em seu novo trabalho e um ótimo cover desacelerado de "Wave Of Mutilation", dos Pixies, que se encaixou muito bem no repertório dos californianos. Enquanto os góticos se divertiam, a organização resolveu segurar a entrada dos texanos do Supersuckers no Palco Pílulas até quase o final da apresentação do She Wants Revenge. O resultado foi triste para a veterana banda de rock n roll.

Os Supersuckers podem até ser "a melhor banda de rock n roll do mundo", mas não são assim tão famosos a ponto de segurar o encerramento de um dos palcos do festival. Para piorar, foram escalados no palco mais vazio da edição, montado nos fundos da arena, atrás do ginásio. O resultado foi a apresentação certa na hora e local errados. Experientes e seguros, os caras não se deixaram abater e tocaram todo o seu bom repertório de rock sulista no melhor estilo Ramones, quase emendando uma música na outra. Boas canções como "Sleepy Vampire", "Pretty Fucked Up" e o clássico cover de Thin Lizzy "Cowboy Song" fizeram a festa das poucas pessoas que conheciam a banda, mas o clima estava meio deprê, com pouquíssimas pessoas assistindo a banda e um som tão baixo (apesar de redondo) que era possível conversar com alguém ao lado sem gritar ou falar ao ouvido. Uma pena que as circunstâncias tenham diminuído um belo show.

Horas antes, o mesmo palco tinha visto três boas apresentações seguidas. Os paranaenses do Sick Sick Sinners empolagaram o público com seu psychobilly nervoso e até agradaram os metaleiros com um bom cover de Motorhead, apesar de uma pequena briga ter interrompido brevemente a apresentação. Às vezes não dá certo juntar psychos, straight edges e metaleiros em mesmo palco quando boa parte deles estão bêbados. Em seguida, foi a vez dos porteños do Los Primitivos botarem a galera para dançar ao som de rockabilly. Todos os três músicos eram muito bons e tinham toda a pose e auto-confiança necessárias para tocar bateria em pé, espancar um contrabaixo enorme sem ficar parado e solar na guitarra enquanto cantavam em espanhol e inglês para um público que nunca tinha ouvido falar deles. Uma bela surpresa com direito a cover de Johnny Cash.

Depois dos hermanos foi a vez dos Autoramas mostrarem um setlist que misturou uma primeira parte acústica, como a última apresentação do trio em Brasília, e uma segunda parte elétrica, com os sucessos que fazem a festa dos fãs todas as muitas vezes que a banda vem se apresentar na cidade. Como também já é habitual, o show contou com uma rápida participação de Érica Martins, ex-vocalista do Penélope e esposa de Gabriel Tomáz, em "Música de Amor". Os espanhóis do Right Ons, por outro lado, não acrescentaram muito com seu rock clássico com influência de soul cantado em inglês.

O balanço final da 12ª edição do Porão do Rock pode ser considerado positivo, principalmente se for levado em conta que o evento foi organizado bem em cima da hora e não se tem muita certeza do futuro do festival. Por outro lado, é uma pena que a ONG Porão do Rock não tenha até hoje encontrado um formato ideal para o festival ou a segurança financeira necessária para um planejamento e divulgação de longo prazo. Seria interessante saber se ano que vem o Porão vai acontecer em junho ou em setembro, se vai ser gratuito ou não, se vai ser fechado como esse ano ou aberto na Esplanada dos Ministérios, ou mesmo se ele realmente vai acontecer. Também seria bom se esquecessem a infeliz idéia de incluir uma banda cover entre tantos bons trabalhos autorais. Na opinião desse blogueiro, o festival estava melhor resolvido em suas edições de 2007 e 2008. Tomara que o Porão volte àquela forma.

domingo, 12 de setembro de 2010

Weezer e Johnny Knoxville

Para completar a resenha abaixo, assista ao novo videoclipe do Weezer, para o primeiro single de Hurley, "Memories". O divertido vídeo traz o quarteto festejando no melhor estilo Jackass, o antigo programa da MTV que traz muitas memórias. Reparem no tratamento de envelhecimento dado à imagem, para que ela fique com aquele ar de fitas de vídeo caseiras que sua mãe guarda com carinho.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Weezer - Hurley (2010)

Na metade dos anos 90, o Weezer conseguiu a façanha de agradar indie rockers, a crítica musical e ainda fazer certo sucesso comercial, transformando músicas fáceis (Buddy Holly) e dificeis (Say It Ain't So) em hits das rádios estadunidenses. Após entrar em hiato em decorrência do fracasso comercial de seu segundo álbum, o hoje cult Pinkerton, o quarteto voltou em 2001 com um comportamento e discos menos indie e mais radiofônicos. São assim os bons Green Album, Maladroid e o introspectivo, mas musicalmente fácil, Make Believe. A partir do terceiro trabalho auto-intitulado, de 2008, o vocalista, compositor e nerd Rivers Cuomo decidiu abraçar de vez seu Pinkerton interior (o personagem mulherengo e rockstar que dá nome ao disco de 1996) e começou a posar de baladeiro e amigo de rappers. Se esteticamente o Weezer de 2010 é uma caricatura sem graça do que a banda já foi um dia, Cuomo não perdeu seu talento para escrever ótimas canções pop e disfarçá-las de indie rock, new wave e hard rock.

Hurley mistura um pouco de tudo isso que a banda já fez e aposta em uma novidade: as músicas para as pistas de dança. Por isso mesmo, o álbum é marcado por teclados e sintetizadores, assim como Maladroid era marcado pelas guitarras. As duas primeiras músicas divulgadas, as boas "Memories" e "Ruling Me" são cheias de barulhinhos e efeitos de teclado, assim como a ótima "Where's My Sex?". Mas a faixa que realmente pode assustar os fãs mais conservadores e animar os clubes noturnos de Los Angeles é "Smart Girls", que conta com um batidão inimaginável em um disco do quarteto há uma década atrás. Na mesma veia está "Represent", presente na versão deluxe do lançamento.

Mas o disco de Jorge Garcia também conta com várias baladas. "Unspoken" começa acústica e excessivamente pop e fofinha, mas perto do final explode em um rock vigoroso cheio de distorção. "Times Fly" também é interessante por sua produção. A soma de uma batidona repetitiva com os violões roots e uma gravação propositalmente tosca valoriza o que poderia se só mais uma faixa típica da banda, e funciona bem como fechamento da versão simples do álbum. Já "Run Away" aposta em um clima anos 60, cheio de backing vocals e guitarras de rock clássico. No final, as dez faixas do lançamento fazem de Hurley um álbum bem mais variado que o bom Raditude, do ano passado, mas não esquizofrênico e sem pé nem cabeça, como o Red Album de 2008. Às vezes pode ser difícil engolir um cara de 40 anos, graduado pela universidade de Harvard, cantando letras adolescentes sobre sexo, amor e baladas com rappers, mas com um pouco de boa vontade, o Weezer modo diversão despretensiosa pode ser quase tão legal quanto o quarteto introspectivo do Blue Album e de Pinkerton.