Depois de 3 anos os suecos do Millencolin estão de volta com seu 7º álbum, Machine 15. Como era de esperar, este é um álbum bem diferente dos lançamentos anteriores da banda, que tem uma sonoridade marcante, mas produz discos com feelings distintos. A música título abre esse trabalho no clima de Kingwood, álbum anterior do quarteto. Mais rock n roll do que hardcore, “Machine 15” lembra o trabalho dos conterrâneos do Hives e Randy. A partir daí, o disco começa a surpreender. ”Done Is Done” é pesada e tem um arranjo de cordas esquisito que produz um bizarro hardcore orquestrado. Já a faixa de divulgação, “Detox”, é bastante pop, com um piano fazendo fundo a um rock radiofônico muito bom.Após este início quase esquizofrênico o álbum começa a trilhar um caminho próprio, seguindo em direção ao mundo das rádios. Poderia ser bom, mas é apenas aguado. Lou Giordano acerta na produção, dando ao álbum uma sonoridade compatível com as composições. O estilo limpo da gravação cai bem ao feeling pop que predomina no trabalho e, excluindo as estranhas orquestrações, os pianos, teclados e efeitos de estúdio se encaixam bem, provando o talento do produtor. Paradoxalmente, a ótima produção faz Machine 15 se parecer ainda mais com discos esquecíveis de várias bandas de pop rock que costumam sumir das rádios tão rápido quanto aparecem as próximas.
As letras do vocalista Nikola também soam mais genéricas, sem a sinceridade tão característica tanto de seu trabalho solo quanto com o Millencolin. Além da música título e de “Detox”, após os 45 minutos de rock se destacam apenas “Who's Laughing Now” e “Brand New Game”, com seu refrão quase emo. Essa última também é dona da melhor letra de Machine 15, um apanhado de referencias à músicas anteriores da banda que é um deleite para os fãs de longa data. Considerando-se a capacidade e qualidade do Millencolin, este é apenas um disco menor na discografia dos caras.
