Apesar disso, Agony and Irony é um álbum mais empolgante do que seu antecessor e mostra uma mistura muito bem dosada de punk rock, pós-punk e pop rock. As letras cheias de imagens ligadas à morte, depressão, sangue e afins continuam presentes, mas embaladas por melodias e arranjos menos soturnos. As palmas na ótima faixa de abertura – “Calling All Skeletons” – já avisam que o dia está amanhecendo para o trio. Os refrões excessivamente pop (e um pouco clichés) de “Help Me” e “Love Love, Kiss Kiss” deixam isso ainda mais claro.
Outro ponto interessante é o fato do subestimado baixista Dan Andriano ter composto uma das melhores faixas de Agony and Irony, “In Vein”. A pesar de ser responsável por uma quantidade menor de canções do que nos primeiros trabalhos da banda, Andriano prova que é um compositor tão talentoso quanto seu companheiro Matt Skiba. Este, por sua vez, continua sua trilha em direção ao rock gótico dos anos 80, como fica claro nas boas “Over And Out” e “I Found Away”, que lembram o trabalho da banda paralela do guitarrista, Heavens.
Também vale a pena destacar “Into The Night” e ”Lost and Rendered” que traz alguma novidade ao som da banda com seu clima industrial, com teclados e guitarras bastante distorcidas. Infelizmente as melhores faixas do trabalho estão concentradas em seu início e final, deixando o miolo do álbum meio esquecido, com faixas menos inspiradas como “Live Young, Die Fast”. Se Agony and Irony não é o melhor trabalho da banda de Chicago, traz uma boa quantidade ótimas composições e mostra que a banda tem qualidade e personalidade suficientes para sobreviver ao envelhecimento e às mudanças de gravadora.